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Tenho profunda admiração por Lula, mas quanto mais distante ficamos de junho de 2013, pior fica sua opinião política sobre aqueles eventos. Lula é um animal político e uma de suas melhores qualidades é a sua sensibilidade. As opiniões apresentadas na sequência das jornadas de junho eram muito melhores e mais próximas daquilo que penso e do que acredito ter acontecido.

As manifestações de junho foram fruto do maior acesso a direitos promovidos pelos governos petistas.

Quem para de passar fome tem como refletir sobre a qualidade do transporte que usa para ir ao trabalho, diferente de quem tá na luta pra conseguir algo pra comer e se manter vivo.

O PT promoveu transformações importantes na sociedade brasileira, mas foi incapaz de responder às novas demandas criadas por essas mudanças.

Junho era o momento chave de inflexão que o governo deveria ter dado. A energia das ruas poderia ter sido combustível para uma virada na correlação de forças no país, que deixasse o campo popular menos dependente do centrão e de políticos de direita.

Porém, a instransigencia de Dilma, que não cedeu nada para as prefeituras e governos (como a Cide). E a postura, um tanto quanto, arrogante de Haddad, que acreditava que era só explicar os números para justificar o aumento, nos levou a perder uma oportunidade histórica. Junho poderia ter sido um passo decisivo na construção de uma revolução democrática no Brasil.

Essa é a nossa parte no jogo, mas não jogamos sozinhos. Naquele momento, Dilma contava com mais de 60% de aprovação, a elite caminhava para a quarta derrota seguida em eleições presidenciais. O melhor caminho para eles era procurar compor e ver parte de seus interesses atendidos, a agenda Fiesp/Centrais Sindicais (desonerações, redução da energia elétrica, financiamento do BNDES subsidiado, entre outros), fechada meses antes, tinha esse sentido. E aí venho junho.

Ao não responder às demandas e ao confrontar a energia das ruas, Dilma perdeu mais da metade do apoio que tinha antes das manifestações.

E é aí que se opera a virada.

Com 30% de aprovação, o governo petista tinha grandes chances de ser derrotado em 2014, como de fato, quase foi.

A partir dessa constatação, a elite disputa o sentimento das ruas. A Globo procura efetivar sua captura. O movimento por mais direitos passa a ser difundido como anticorrupção, contra a PEC 37. Principalmente em SP, nas últimas manifestações daquela jornada, já havia uma direita “experimentando” as ruas, coisa que não acontecia no Brasil desde as marchas com Deus e pela família, que foi o “esquenta” do golpe militar de 1964.

Porém, afirmar que as manifestações das camisas amarelas da CBF, do final de 2014, e que vão até 2016, são uma continuação das manifestações de junho de 2013, é no mínimo desonestidade.

Na consumação do golpe contra Dilma, certamente houve apoio dos EUA, de entidades que promoveram think tanks de direita no Brasil. Mas isso não tem relação com o que levou milhões de jovens às ruas em junho de 2013. As personagens e as demandas são completamente diferentes.

Se não fizermos pra valer esse balanço crítico, com o rigor que o tema merece, vai ser difícil e vai demorar bem mais para sairmos do buraco em que nos metemos.

Não era preciso ser gênio do futebol para perceber que Fernando Diniz não daria certo no São Paulo e a maior parte da torcida sentia isso e repercutiu de forma negativa a sua contratação.

 

O São Paulo FC fez muita experiência nos últimos anos.
Ceni, Jardine e Diniz não estavam a altura dos desafios que o clube enfrenta.

 

A primeira questão é que o conceito de jogo proposto por ele demanda tempo, muito entrosamento e paciência da torcida. Tudo o que o São Paulo não tinha em setembro, quando ele foi contratado.

Vale lembrar que Cuca não foi demitido, pediu demissão após não aguentar a pressão depois de uma sequência de maus resultados. Ou seja, o São Paulo precisava de um técnico cascudo, experiente e vitorioso que passasse a confiança que o momento exigia. O oposto do que é Diniz.

Fernando Diniz é considerado um técnico com bons conceitos, mas seus trabalhos em times mais relevantes, notadamente Athletico Paranaense e Fluminense, se mostraram como um vazio de ideias. Me parece um erro falar que seu estilo de jogo é inspirado em Guardiola. Não é. O espanhol usa a posse de bola de seus times com o objetivo vertical, de chegar o mais próximo do gol adversário e finalizar.

Diniz insiste em uma saída de bola no pé desde o goleiro. Qualquer time que sobe um pouco a marcação já dificulta. Quando o time tem qualidade técnica, vira sufoco. Quando não há a marcação alta ou quando se consegue escapar dela é que fica nítido o deserto de ideias.

Normalmente a bola sai pelo volante que vem buscar o jogo, Tchê Tchê tem feito essa função, ele carrega a bola até o meio campo, normalmente abre em uma das laterais. Quando o time bate na primeira linha defensiva adversária começa o “arco burro”, que é a bola recuada pelo lateral para o zagueiro, que toca para o outro zagueiro, que toca para o outro lateral, as vezes ela passa pelos pés do goleiro também. Isso é correto para buscar o espaço menos congestionado, mas com a lentidão que é feita, quando a bola chega na outra lateral, o time adversário já movimentou todo seu time para o outro lado.

Quando o São Paulo consegue furar a primeira linha adversária, a tendência é afunilar o jogo pelo meio e nesse aspecto Daniel Alves tem mais atrapalhado do que ajudado. Ele inibe as descidas de Antony, que tem a tendência de sempre entregar a bola ao experiente multicampeão. O garoto, por sua vez, é canhoto e dificilmente consegue fazer um cruzamento para quem chega de trás pela direita, sua tendência é tentar o drible para dentro para aproveitar a “perna boa”.

Não existe flutuação entre os atacantes, com a inversão de posições que confunda a defesa adversária. Por que Antony não cai ou é testado na esquerda, onde poderia aproveitar mais sua velocidade para fazer jogadas de profundidade, com o cruzamento para quem chega de frente?

A proposta sonolenta de Diniz parece contagiar o grupo. A marcação não tem intensidade para recuperar a bola e propor subidas rápidas que peguem o adversário desorganizado. Aqui cabe fazer uma ressalva, como fazer uma marcação intensa com uma preparação física sofrível? Sem falar nos problemas do departamento médico. Ontem no jogo contra o Ceará, Reinaldo, nitidamente, não tinha condições de atuar na partida. Ao ir para a seleção, Antony disse que vinha atuando com dores e foi “devolvido”.

Os problemas em campo refletem o despreparo fora dele. Apesar do título da Sulamericana de 2012, o São Paulo começou a desandar a partir da eliminação na Libertadores de 2009, com a demissão de Muricy Ramalho. Detalhe: quem articulou a demissão foi o vice de futebol da época, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

No início da sua gestão como presidente, a partir da crise, até hoje mal explicada, que culminou com a renúncia de Carlos Miguel Aidar, Leco fez uma política que indicava uma melhora nas contas, reduzindo a dívida bancária do clube. Porém, o jejum de títulos e a possibilidade de passar cinco anos na presidência sem ganhar nada o fizeram abrir o cofre. Isso sem falar é claro das contratações caras e duvidosas: Diego Souza, Nenê, Trellez e mais recentemente Raniel e Calazans não viviam bons momentos.

A frustração do planejamento para 2019, que previa participação até as quartas de final da Libertadores e maior sucesso nas demais competições, além da venda de atletas, faz com que alcancemos um déficit de R$ 77 milhões até agosto.

Até onde parecia que Leco ia bem, ele foi mal. A única coisa que é possível esperar de Leco é o fim do seu mandato, que ele poderia ter a grandeza de encurtar. Mas não terá.

Como torcedor, vou torcer para estar errado.

Diante da situação financeira, parece inevitável a venda de alguns talentos da base. Se não houver desmonte, havendo apenas a saída pontual de um ou dois jogadores, esse elenco tem obrigação de render mais.

Mas para isso precisa ter um treinador que dê conta do recado. Não temos mais tempo para experiências. Perdemos muito tempo em apostas como Rogério Ceni, Jardine e Diniz. Precisamos de um técnico pronto, experiente e vitorioso, sob o risco de 2020 ser uma repetição das frustrações da última década.

 

ciro-haddad-boulosA pesquisa do Ibope, divulgada na semana passada, foi a primeira depois da decisão do TSE de excluir o ex-presidente Lula da disputa e o resultado assustou os eleitores progressistas e de esquerda.

Com 22% das intenções de voto no primeiro turno e cerca de 1/3 do eleitorado no segundo, o atentado a Bolsonaro transformou o susto em desespero.

A reação observada durante o final de semana nas redes sociais foi a antecipação, em 27 dias, da declaração do voto útil. Vimos militantes, artistas e esportistas declarando apoio a Ciro Gomes.

A pesquisa Datafolha, que acaba de ser divulgada, demonstra claramente isso: com o campo realizado hoje, Ciro alcançou 13%.

No entanto, quem também cresceu (e muito) foi Fernando Haddad, saltando de 4% para 9% (na pesquisa do Ibope de quarta passada, ele já tinha saído de 4% para 6%). Isso sem o PT anunciar a substituição de Lula pelo ex-prefeito de São Paulo, o que deve acontecer nesta terça-feira. E essa deve ser a tônica até o dia da eleição: Haddad crescendo em direção ao patamar dos votos de transferência de Lula (que no último Ibope chegou a 39%).

Ou seja, HAVERÁ um candidato do campo progressista para votar no segundo turno. E esse candidato será Haddad (se não houver nenhuma hecatombe).

Acredito que nas próximas pesquisas ele já estará com dois dígitos e chegará na semana final de campanha na casa dos 20%, alcançando 25% dos votos válidos na urna.

É natural que diante do golpe e do desastre que foi o governo Temer as pessoas do nosso campo fiquem ansiosas para garantir a presença de alguém no segundo turno que possa derrotar as medidas tomadas nos últimos dois anos. No entanto, esta campanha é muito diferente das demais, temos a ressaca do golpe, o impedimento de Lula e um elemento novo: uma campanha muito curta. Com as mudanças feitas no Congresso, são 45 dias para os candidatos pedirem votos e, pasmem, ainda não chegamos nem a metade desse período, ou seja, há ainda muita coisa pra acontecer.

O primeiro turno deve servir para a gente afirmar valores e propostas que são representadas pelo candidato que mais nos identificamos.

O voto útil, se for o caso de fazê-lo, deve se definir na véspera da eleição. E com a perspectiva de uma ida tranquila de Haddad, o voto poderá ser mais ideológico, fortalecendo posições mais à esquerda.

Eu pessoalmente, votarei em Boulos, que é a opção nesse primeiro turno que fala o que precisa ser dito.

Sobre a disputa na direita, fica para outro post, mas não há nada definido ainda.

Hoje, 13 de fevereiro de 2017, levei o Barba para assistir São Paulo FC x Ponte Preta. Assistir é um eufemismo, a diabete levou boa parte da visão dele. Na verdade levei ele pra sentir o Morumbi.

Conheci o Barba há uns 20 anos atrás quando comecei a militar na Força Socialista. Professor, comunista e tricolor fanático.

Foi ele quem me levou pela primeira vez para ver um jogo no estádio, há 17 anos. Foi um SPFC contra Flamengo de Guarulhos, no campo deles. Vitória nossa por 4 a 0. Nessa Copa São Paulo fomos em outros jogos, em especial a final no Pacaembú super lotado e vitória sobre o moleque travesso.

Ainda em 2000, vimos o tricolor ser campeão paulista sobre o Santos em dois jogos no Morumbi. Aliás, foi o Barba que me apresentou ao Monumental.

Foram dezenas de jogos que fomos juntos. A maioria no Morumbi, mas fomos até o Canindé e Vila Belmiro.

Em função do problema de visão, fazia tempo que ele não ia ao Morumbi (antes ele ia em praticamente todas as partidas), hoje foi meu dia de retribuir um pouquinho das alegrias que ele me proporcionou. O vídeo é um pequeno registro desse reencontro com o Morumbi.

The-leader-of-Syriza-Alex-012No domingo, dia 05/07, o povo grego vai novamente às urnas. O primeiro ministro do país, Aléxis Tsípras, do Syriza, resolveu promover um referendo sobre a aceitação das condições de maior austeridade, propostas pelo Banco Central Europeu. A defesa do governo de esquerda, é pela rejeição do acordo. Decisão pode significar a saída da Grécia da comunidade europeia.

Caros gregos,

Durante seis meses, o governo grego tem travado uma batalha em condições asfixia econômica sem precedentes a fim de implementar o mandato que vocês nos concederam em 25 de janeiro.

O mandato que nós estávamos negociando com os nossos parceiros era para terminar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social retornassem a nosso país.

Era um mandato para um acordo sustentável que deveria respeitar tanto a democracia quanto as regras europeias comuns e levar para a saída final da crise.

Ao longo deste período de negociações, nós fomos convidados a implementar os acordos fechados pelos governos anteriores com os Memorandos, embora eles tivessem sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.

Entretanto, em nenhum momento nós pensamos em nos render, que seria trair a confiança de vocês.

Depois de cinco meses de duras negociações, nossos parceiros, infelizmente, emitiram no Eurogrupo anteontem um ultimato à democracia grega e ao povo grego.

Um ultimato que contraria os princípios e valores fundacionais da Europa, os valores de nosso projeto europeu comum.

Eles pediram ao governo grego que aceitasse uma proposta que acumula um nova carga insustentável em cima do povo grego e prejudica a recuperação da economia e sociedade gregas, uma proposta que não só perpetua o estado de incerteza mas acentua ainda mais as desigualdades sociais.

A proposta das instituições inclui: medidas que conduzem para uma maior desregulamentação do mercado de trabalho, cortes nas pensões, reduções mais drásticas nos salários do setor público e um aumento do IVA sobre alimentos, restaurantes e turismo, além de eliminar as isenções fiscais das ilhas Gregas.

Essas propostas diretamente violam os direitos sociais e fundamentais da Europa: elas demonstram que no referente ao trabalho, igualdade e dignidade, o objetivo de alguns dos parceiros e instituições não é um acordo viável e benéfico para todos os lados, mas a humilhação do povo grego inteiro.

Essas propostas principalmente sublinham a insistência do FMI na austeridade severa e punitiva e tornam mais oportuna do que nunca a necessidade de levar os poderes europeus a aproveitar a oportunidade e tomar iniciativas que finalmente trarão um fim definitivo para a crise da dívida soberana grega, uma crise que afeta outros países europeus e ameaça o próprio futuro da integração europeia.

Caros gregos,

Agora pesa sobre nossos ombros a histórica responsabilidade para com as lutas e sacrifícios do povo grego para a consolidação da democracia e da soberania nacional. Nossa responsabilidade para com o futuro de nosso país.

E essa responsabilidade requer que nós respondamos o ultimato na base da vontade soberana do povo grego.

Pouco tempo atrás na reunião do Gabinete, eu sugeri a organização de um referendo, para que o povo grego seja capaz decidir de um modo soberano.

A sugestão foi unanimemente aceita.

Amanhã a Câmara de Representantes será urgentemente convocada para ratificar a proposta do Gabinete para um referendo para o próximo domingo, 5 de julho, sobre a questão de aceitação ou rejeição da proposta feita pelas instituições.

Eu já informe sobre minha decisão ao Presidente da França, à Chanceler da Alemanha e ao Presidente do BCE, e amanhã minha carta pedirá formalmente aos líderes da UE e para instituições estenderem por alguns dias o programa corrente a fim de que o povo grego decida, livre de qualquer pressão e chantagem, como prevista pela Constituição de nosso país e pela tradição democrática da Europa.
Caros gregos,

À chantagem do ultimato que nos pedem para aceitar uma severa e degradante austeridade sem fim e sem qualquer perspectiva de uma recuperação social e econômica, eu peço a vocês que respondam de uma maneira soberana e altiva, como a história do povo ensina.

O autoritarismo e a austeridade severa, nós responderemos com democracia, calma e decisivamente.
A Grécia, local de nascimento da democracia enviará uma resposta democrática retumbante para a Europa e para o mundo.

Eu me comprometo pessoalmente a respeitar o resultado da escolha democrática de vocês, qualquer que ele seja.

E eu estou absolutamente confiante em que sua escolha honrará a história do nosso país e eviará uma mensagem de dignidade para o mundo.

Nesses momentos críticos, nós todos temos que relembrar que a Europa é a casa comum dos povos. Que na Europa não há donos e convidados.

A Grécia é e permanecerá uma parte integral da Europa e a Europa é uma parte integral da Grécia. Mas sem democracia, a Europa será uma Europa sem identidade e sem uma bússula.

Eu convido a todos vocês a exibir a unidade nacional e a calma a fim de tomar as decisões corretas.

Para nós, para as futuras gerações, para a história dos gregos.

Para a soberania e dignidade de nossa Europa.

Publicado originalmente no Brasil 21

O ocaso de Marta

Fui secretário da JPT na reeleição de Marta Suplicy, vi de dentro da executiva municipal do PT, como a ex-alcaide colocou de joelhos o partido. Foi nessa eleição, de 2004, que se notablizaram os “moranguinhos” cabos eleitorais pagos para balançar bandeiras nos faróis.

A crise do PT tem muito do dedo de Marta, como prefeita, dirigente e parlamentar. Nada mais coerente que se abrigar num partido que em SP é satélite dos tucanos.

Neste artigo, em parceria com Ramon Szermeta e Jaime Cabral filho discutimos a trajetória da sra. Smith.

O ocaso de Marta

Por Ramon Szeremta, Eduardo Valdoski e Jaime Cabral Filho

O ocaso é o momento que antecede o anoitecer. É o último brilho do sol, antes da escuridão. Como fenômeno natural é romântico e inspirador. Mas do ponto de vista pessoal, deve ser desesperador para alguns. Parece que a senadora Marta Teresa Smith de Vasconcellos vive um desses momentos.

Ascensão

Marta tem uma história interessante e respeitável. Feminista, fundadora do PT, militante das causas democráticas, quebrou tabus e chocou o conservadorismo paulistano e brasileiro quando quase ninguém tinham coragem. Mesmo sendo de um meio abastado, se colocou desde o princípio ao lado dos mais pobres, dos trabalhadores. Na televisão, em plenos anos 1980, discutia abertamente os direitos sexuais e reprodutivos da mulher. Nos anos 1990 foi deputada influente e atuante. O reconhecimento veio como candidata a governadora pelo PT em 1998. Lula a pegou pelo braço e convenceu o partido disso. O seu desempenho e do partido foram tão bons que ela só ficou de fora do segundo turno por um triz, graças às clássicas manipulações da nossa elite, através de falsas pesquisas eleitorais que geraram um voto útil em Mário Covas.

Apogeu


A recompensa veio dois anos depois. Candidata pelo PT de São Paulo, ganha a prefeitura derrotando Paulo Maluf, depois de 8 caóticos anos de gestão Maluf/Pitta, numa cidade atolada em escândalos de corrupção e sufocada do ponto de vista social. A trágica situação municipal coincidia com uma crise nacional provocada pelo (des)governo FHC: crise, desemprego, movimentos sociais nas ruas, em um cenário que permitiu ao PT eleger o maior número de prefeituras de sua história nas eleições municipais de 2000.

Marta também vence a eleição e conduz uma gestão que não apenas produz importantes mudanças na cidade, como cria marcas sociais para o PT em nível nacional.  Em vários aspectos, sua administração foi precursora de políticas públicas que seriam aprofundadas no governo Lula (fortes programas de distribuição de renda, investimentos em educação, ajustes fiscais, importantes mudanças produzidas na área de transporte), e também das consequências políticas dessas inversões de prioridades no orçamento, a mais evidente, divisão centro x periferia / ricos x pobres.

Durante sua gestão a prefeita não perdeu tempo. Montou seu grupo político que hegemonizou o PT paulistano. Os petistas críticos ao seu governo não tiveram moleza. O partido perdeu autonomia, em nome do governismo cego, da adesão automática, e também nisso ela antecipou aspectos do lulismo. O grupo de Marta cresceu e se fortaleceu. Alçou voos estaduais e nacionais. A capital era pouco. Lula ganha em 2002 e novos ventos sopram. Marta se mostra satisfeita com a escolha de Henrique Meirelles, ex-presidente do Bank Boston, recém eleito deputado pelo PSDB de Goiás, para o Banco Central. Muitos petistas e simpatizantes não concordaram com a indicação, alguns até se sentiram traídos, mas Marta não lembrava deles naquela época. Ademais, ela tinha ótima relação com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, responsável pelo aprofundamento de ortodoxia econômica neoliberal e homem do governo que transitava pelo mercado financeiro. Ela é defensora pública dos ajustes econômicos, ditos necessários. Em 2004, a campanha pela reeleição começa promissora, e quem sabe passos maiores a serem dados no futuro? Mas a política sempre ensina.

Queda

Depois da primeira gestão do PT em São Paulo, com Luiza Erundina eleita em 1988, a segunda com Marta foi a que mais produziu avanços sociais inquestionáveis. Cada uma a sua conjuntura. Porém, uma série de erros políticos de sua campanha somados a uma sórdida cruzada da oposição e da mídia contra uma mulher livre para fazer suas escolhas, firme nas suas opiniões e que tentou implementar a progressividade de impostos na cidade, conseguiu derrotar o projeto que estava em curso em SP. A campanha da reeleição de Marta foi assustadora para muitos petistas. A disseminação de cabos eleitorais pagos em detrimento das instâncias e da militância voluntária e politizada, os carregadores de bandeiras e “visibilidade” nas ruas que substituem o debate político organizado, a marquetagem no lugar do programa. São de fato novos tempos no PT. A cereja do bolo foi que pela primeira vez na história do PT um candidato do partido se viu acompanhado por uma presença muito estranha ao petismo na disputa do segundo turno, o ex-adversário político Paulo Sallim Maluf, maior inimigo do projeto democrático do PT, agora figurando nos materiais de campanha da Prefeita. Ela é sem dúvida uma pessoa precursora e visionária. Nada adianta, e ela perde a eleição para José Serra do PSDB, com o Gilberto Kassab, futuro algoz da senadora, de vice.

Marta perde a eleição, é rejeitada pelo povo paulistano, e o PT perde junto parte de sua identidade. Todavia, pra que desistir? Em 2006, a todo custo, Marta se joga numa disputa contra Mercadante com o objetivo de ser candidata a governadora. Dessa vez é a militância do PT que rejeita Marta. Quase todas as lideranças públicas do PT se unem contra ela. A fatura para apoiar Mercadante é cara. Marta vai para o Ministério do Turismo, onde tem passagem discreta. Exceto por um ou outro episódio midiático. E dai? o que importa é que tem mais eleição chegando. E eleição é com ela mesma. Dessa vez quem impõe sua candidatura é Marta. Ela pode. A eleição, uma das piores da história da cidade, transcorre sem grandes assuntos, termina com a reeleição de Kassab, o homem que entrega a cidade para o mercado imobiliário e as 32 subprefeituras para os coronéis da PM. Marta começa na frente, mas sua rejeição é tão alta que a queda livre é inevitável. Todos os ingredientes que levaram a derrota do PT em 2004 estão de volta e Marta, já desesperada, uma histórica defensora do movimento LGBT, faz perguntas dúbias no seu horário de televisão sobre a vida íntima do seu oponente. Além de perder na urna e ser novamente rejeitada, Marta rasga sua própria reputação de defensora dos direitos civis, e faz todos seus apoiadores passarem vergonha. Mais uma campanha que ajuda a desfigurar nosso PT velho de guerra.

O próximo capítulo? Ora, em 2010 tem mais eleição. E eleição é com ela mesma. Dessa vez uma coisa mais compatível, o Senado Federal. Já que não dá pra ser presidenta, o negócio é a Câmara dos Lordes. Eram duas vagas para senador, e ela alcançou espantosos 22%. Não ganha, não é totalmente rejeitada, mas leva o patamar histórico do PT lá pra baixo. Os petistas “fazem” a campanha dela conforme o estômago permite.

A queda da queda  

Agora com um mandato de oito anos garantido, o negócio é atrapalhar quem puder. O poço não tem fim. Mais uma eleição se aproxima. E eleição é com ela mesma. 2012, o PT necessita urgentemente de novos quadros para disputar a estratégica eleição da capital paulista. O então Ministro da Educação, Fernando Haddad, é visto por muitos como o mais preparado para a disputa. Tem um cabo eleitoral de peso, o ex-presidente Lula. O PT paulistano, ainda um pouco contaminado pelos sombrios tempos de domínio “martista”, apresenta resistência. Felizmente é conversando que as pessoas se entendem, e o partido assume rapidamente a candidatura sugerida por Lula.

A senadora não. Ela se nega. “- Como assim a escolhida não fui eu?” Já que a primeira gestão de Marta/PT é muito exitosa em matéria de política para as periferias e depois de oito anos pouco se avançou com Kassab, ela se sente a dona da perifa. Talvez muita convivência com antigos adversários a fez adquirir hábitos e visões similares aos da nossa elite. Nós petistas sabemos que a periferia não tem dono, e o presidente Lula entra de cabeça na parada. Uma campanha marcada por um programa político qualificado e por uma coordenação que conseguiu unificar a diversidade do PT e ao mesmo tempo envolver não apenas a militância como também muita juventude e gente animada que contribuiu solidariamente com o projeto construído por diversas cabeças para sintonizar a cidade de São Paulo com as mudanças que vinham ocorrendo no país.

Pra entrar numa campanha tão bonita e vitoriosa como essa Marta cobrou e todo mundo viu. A fatura para apoiar Haddad é cara. Ministério da Cultura. Haddad e o PT ganham inspirando a cidade a produzir coisas novas. Marta ganha um espaço só dela. Passa pelo ministério da cultura, discretamente, exceto por um ou outro fato midiático. Consegue sair pela porta dos fundos do governo, conspirando em público contra a presidenta, usando argumentos chulos da oposição. É tanto vexame que a permanência no partido que ela ajudou a fundar 35 anos atrás é insustentável.

Triste fim de uma morte anunciada

Na transição do primeiro para o segundo mandato de Dilma ela tem que aparecer. Não há limites para sua ambição pessoal, não há mais projeto coletivo. O seu lema é: “se eu não jogo, ninguém joga”. A coisa é tão ridícula, que a obsessão pela prefeitura aparenta ares de missão divina, custe a vergonha pública que custar.

Como já vimos, a senadora não tem problemas com ortodoxias econômicas, nem com composições ecléticas que ela ajudou a instituir no PT. Em 2014 o governo federal fez superávit zero. Isso significa menos dinheiro pra roda financeira e mais dinheiro pra o país. O que Marta disse sobre isso? Marta exige que sejamos transparentes com o mercado financeiro. O que é isso? Transparência deve ser com a população, a cidadania. O povo que deve mandar na política, e não só no momento das eleições que ela tanto gosta. A senadora vem escrevendo artigos na Folha de São Paulo que são obras primas de como não fazer política, pois ela é incapaz de discutir uma medida concreta e ajudar a elevar o nível do debate político. Ela joga com a desinformação e o terrorismo, exatamente como já fizeram muitas vezes contra ela. Marta Teresa Smith de Vasconcellos se transforma numa reprodutora do esgoto midiático.

No PT ela nunca soube o significado da palavra instância ou decisão coletiva. Mas agora joga pra platéia. Se o PT não tivesse perdido eleições seguidas em São Paulo (apoiados por boa parte do partido em vários momentos, diga-se de passagem) talvez não tivéssemos cobras criadas como Gilberto Kassab. Agora, quem se diz tão preocupada com a economia, a luz, o desemprego e a falta de confiança do mercado no governo federal, está na verdade negociando seu futuro político e pessoal com as dezenas de siglas de aluguel e barganhando desavergonhosamente com quem oferecer mais. E ainda acha, moderna que é, que em pleno século XXI, pode enganar alguém, fazendo o jogo da velha política conservadora brasileira? Não é novidade nenhuma na história pessoas que gritam para esquerda se jogando em seguida no colo da direita.

Ramon Szermeta é ex-secretário estadual da JPT/SP (2001-08)

Eduardo Valdoski é ex-secretário adjunto nacional da JPT (2006-08) e municipal da JPT da cidade de São Paulo (2003-05)

Jaime Cabral Filho é ex-secretário municipal da JPT da cidade de São Paulo (1999-03)

Publicado originalmente na Carta Maior

bu-escolarEm meio à polêmica em torno do reajuste da tarifa dos transportes na cidade de São Paulo, de R$ 3 para R$ 3,50, a Prefeitura anunciou uma boa notícia aos estudantes paulistanos: o passe livre para os estudantes de escolas públicas do ensino fundamental e médio, universitários bolsistas do Prouni, Fies e beneficiários de políticas sociais e de baixa renda.

A luta pelo passe livre estudantil em São Paulo é antiga, o Rio de janeiro, a segunda maior capital do país, e que garante a gratuidade aos estudantes há décadas, sempre foi lembrada como exemplo de que era possível implementar a política no transporte público em uma grande cidade.

Nesta sexta, 09, a prefeitura publicou a regulamentação do passe livre estudantil e a surpresa veio com uma conquista adicional. A portaria além de garantir a isenção da tarifa, ampliou a possibilidade de circulação dos estudantes pela cidade.

Atualmente, o bilhete único escolar é composto de 48 créditos. Cada crédito dá direito a rodar a catraca de quatro ônibus, durante o período de duas horas. No caso de um estudante que entre na escola às 7h e rodou a primeira catraca às 6h30, quando sair da escola às 12h, já terá que utilizar um novo crédito. Se decidir realizar alguma atividade a tarde ou a noite, terá mais um crédito descontado.

Com a nova regulamentação, os estudantes terão 24 créditos do bilhete único diário, que dão direito à rodar a catraca de até oito ônibus durante o período de 24 horas. No caso do estudante citado acima, se ele roda duas catracas para chegar até a escola e outras duas para voltar para casa, ele terá ainda a possibilidade de rodar outras quatro catracas, sem nenhuma limitação de tempo.

A alteração do modelo da concessão do bilhete único escolar, gerou duplo ganho: a isenção em si (hoje ele custa R$ 72), que é provavelmente a maior conquista do movimento estudantil paulistano em décadas e a ampliação da circulação dos jovens estudantes, possibilitando maior fruição da cidade.

Confira a regulamentação aqui.

Primeiro indicado por Miguel Rossetto para a estrutura da Secretaria Geral da Presidência da República, é atualmente coordenador das políticas para área no governo de Fernando Haddad e ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude

 

10437547_10202558356470735_6908098624008537939_nO futuro ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, começa a montar a equipe com quem irá trabalhar a partir de 2015. O primeiro nome indicado é de Gabriel Medina, que irá comandar a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ).

 

Atualmente a Secretaria tem como principal atribuição, a coordenação do Plano Juventude Viva, que busca enfrentar o alto índice de mortalidade de jovens no país. A SNJ também realiza o diálogo com os movimentos juvenis através do Conselho Nacional de Juventude.

 

São grandes os desafios a serem enfrentados pelo indicado, hoje os jovens correspondem a 25% da população, 35% do eleitorado, cumprem relevante papel na formação de opinião, e veêm, o exercício de sua cidadania bloqueado, seja pela precarização da vida nas cidades, seja pelo distanciamento das instituições políticas. Abrir canais de diálogo com as demandas que vem das ruas, aproveitar da força deste setor para impulsionar uma agenda de direitos que coloque os jovens no centro do projeto nacional de desenvolvimento, será uma de suas tarefas.

 

Psicólogo, de 32 anos, Medina tem larga trajetória nos movimentos de juventude, tendo sido eleito, em 2011, para presidir o Conselho Nacional de Juventude, o que lhe permitiu ser um dos responsáveis pela construção da 2ª Conferência Nacional.

 

Desde 2013, coordena órgão congênere na prefeitura de São Paulo. Pela atuação na cidade, foi destaque na Revista Brasileira de Planejamento e Orçamento, por apresentar, segundo o artigo, “uma visão inovadora na implementação de políticas voltadas aos jovens paulistanos”, que buscou alinhar “as metas inscritos na Agenda Transversal da Juventude do Plano Plurianual federal para 2012-2015 e as metas relacionadas à juventude no Plano de Metas do prefeito Fernando Haddad”. Confira a publicação aqui.

 

Ainda em 2003, foi relator e participante permanente do Projeto Juventude, coordenado pelo Instituto Cidadania, processo que elaborou propostas sobre o tema e que deu origem à política de juventude no governo do ex-presidente Lula. O futuro secretário, também atuou na construção dos Acampamentos Intercontinentais da Juventude dos Fóruns Sociais Mundiais realizados em Porto Alegre, nos anos 2000 e em Belém em 2010. Coordenou a realização do Festival Latino Americano das Juventudes em Fortaleza, também em 2010. Além de ter sido um dos articuladores do Fórum Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis, que cumpriu relevante papel ao dar voz a uma série de redes e movimentos não tradicionais.

 

Medina teve, entre 2002 e 2004, passagem pelo legislativo paulistano, quando como assessor parlamentar, ajudou a elaborar as primeiras iniciativas de políticas voltadas aos jovens. Com destaque para a aprovação da Lei Estação Juventude, que estruturou a rede de assessores nas subprefeituras. Em Araraquara, sua cidade natal, entre 2006 e 2008, foi assessor do prefeito Edinho Silva, sendo responsável por construir a Assessoria Especial da Juventude e o Espaço Jovem.

 

morumbi-publico-paganteNo ano passado, o São Paulo FC adotou estratégia polêmica para garantir público em seus jogos e desta forma contar com o apoio da torcida para afastar o fantasma do rebaixamento que rondava as redondezas do Morumbi: baixou os preços dos ingressos de arquibancada para R$ 10 (sócio torcedores chegaram a pagar até R$ 2 em alguns setores).

Dos 19 jogos como mandante no Campeonato Brasileiro de 2013, treze foram objeto de promoção, e os números são esclarecedores. Nas seis primeiras partidas (sem promoção), a média de público foi de 8.553 torcedores, para uma renda média de R$ 228 mil, onde cada ingresso custou em média, R$ 26.

partidas-2013-sem-promocao

Partidas do São Paulo FC no Campeonato Brasileiro 2013 antes da promoção nos preços dos ingressos.

Nos outros treze jogos, já com a promoção em vigor, foram, em média, 29.836 torcedores; renda de R$ 344 mil; e R$ 11 cada ingresso.

Partidas do Campeonato Brasileiro 2013 com promoção nos preços dos ingressos.

Partidas do São Paulo FC no Campeonato Brasileiro 2013 durante a promoção nos preços dos ingressos.

Como se pode observar a estratégia foi muito vitoriosa, além de escapar da degola (ficou na 9ª posição), o clube jogou com casa cheia, com uma presença de público mais de 3,5 vezes maior, com uma renda 51% mais ampla, com o bilhete custando apenas 43% do valor do período anterior a promoção.

O que se observou em 2013, foram as famílias de volta ao estádio, o que pelo preço anterior dos ingressos era impeditivo – uma família composta de um casal e dois filhos, gastaria mais de R$ 100 para ir a uma partida, o que depois da promoção passou a custar menos de R$ 50. Vale lembrar também, que além da fidelização dos torcedores, em particular das crianças (não há comparação entre a emoção de se acompanhar uma partida no estádio e assisti-la pela TV), você também gera uma receita extra com consumo dentro do estádio.

Se em termos de arrecadação total (R$ 5,85 milhões) o São Paulo FC teve desempenho mediano, ficando em 11º do ranking, poderia ter sido ainda pior caso não houvesse a promoção.

 

Ingresso barato como política permanente

Com a política de ingressos baratos mantida em 2014, o que se verifica é que a arrecadação melhorou em relação a 2013. Em seis partidas como mandante (quatro no Morumbi, uma na Arena Barueri e outra no Pacaembu), foram arrecadados R$ 2,76 milhões, média de R$ 460 mil por partida, a quarta melhor receita do Brasileirão 2014.

Em termos de público, a venda de ingressos baratos também tem se mostrado positiva, os jogos do São Paulo FC tem recebido em média mais de 27 mil torcedores, com o preço médio do bilhete à R$ 16, o terceiro mais barato da competição.

Partidas do Campeonato Brasileiro 2014 com promoção nos preços dos ingressos.

Partidas do São Paulo FC no Campeonato Brasileiro 2014 com promoção nos preços dos ingressos.

Se por um lado a promoção de ingressos baratos começou pela necessidade de garantir maior presença da torcida, em função da luta contra o rebaixamento, por outro, os seus bons resultados parecem tê-la tornado ação permanente, o que deve fazer do São Paulo FC, ao final do Brasileirão de 2014, o campeão das arquibancadas, tendo em vista os últimos números e a tendência de crescimento ao se aproximar de partidas decisivas.

Se os são paulinos apostam em ingresso barato para ter casa cheia, não é o que fazem outros clubes, em especial aqueles que estão jogando nas novas arenas inauguradas para a Copa do Mundo.

Aproveitando-se do interesse de seus torcedores de conhecerem o Itaquerão, o Corinthians elevou os preços dos ingressos (quem não for sócio torcedor tem de pagar entre R$ 180 e R$ 400). Das três partidas que disputou na nova arena, o preço médio do bilhete foi de R$ 77. Gerando uma renda fantástica de R$ 8,2 milhões; pois as partidas receberam bons públicos, 35 mil torcedores em média.

Partidas do Corinthians no Itaquerão pelo Campeonato Brasileiro 2014.

Partidas do Corinthians no Itaquerão pelo Campeonato Brasileiro 2014.

O fator Itaquerão parece ser determinante no número de presentes aos jogos, nos outros três que o Corinthians fez como mandante, houve em média 22 mil torcedores presentes.

Até quando a novidade da casa nova empolgará a torcida corinthiana a pagar ingressos com preços no padrão Copa? Só o decorrer do campenato dirá.

 

Você frequenta estádio? Qual sua opinião sobre os preços dos ingressos?

 

Fonte: As informações sobre público, renda e valores dos ingressos são do Footstats (http://www.footstats.net/)

 

O jornal O Estado de S. Paulo, de hoje, informa que após prender o eletricista Valmir Dias Barbosa, acusado de participar do linchamento da dona de casa, Fabiane Maria de Jesus, o delegado e os policiais civis da delegacia seccional do Guarujá obrigaram o acusado, que teve prisão preventiva decretada pela justiça, a conceder entrevista coletiva. Ao se recusar a responder perguntas e ao se virar de costas, foi obrigado por um agente a continuar, tendo ainda sendo repreendido com a com a afirmação de que “deveria ser homem”.

O que pretende a polícia com esta exposição pública de um acusado? Criar outro caso de linchamento?

Fabiane foi vítima de uma cultura de violência, na qual a resolução de problemas se faz pela força e não pela justiça. Além disso, foi vítima da exposição pública da qual pessoas acusadas de cometer algo ilícito são postas.

O que a Polícia Civil do Guarujá fez, foi acusar, prender e, principalmente, condenar o eletricista. É possível que Valmir, de fato, tenha sido um dos algozes de Fabiane, no entanto, ele só pode ser julgado pela justiça, com o devido processo legal e direito de defesa. E ainda que seja condenado, para que deveria servir a pena? Para reeducado, para que volte a conviver na sociedade. Pelo Direito brasileiro, pena não é castigo. Portanto, não deveria haver exposição pública, nem de acusados e nem de condenados, porque isso não contribui em nada para a reeducação e ressocialização.

O pior é que casos de exposição pública, como de Fabiane e Valmir, ocorrem diariamente, ao vivo, nas televisões de todo o país, nos Alertas e Balanços Gerais que vão ao ar, alimentados – o mais grave – por agentes do Estado. É assim que se constroem os casos da Escola Base.

Anos atrás, a Rede TV foi obrigada a veicular o programa “Direito de Resposta” pelo fato de promover baixarias durante o programa do apresentador João Kleber. Penso que o Ministério Público e a Justiça deveriam obrigar as emissoras que colocam no ar os Datenas da vida, a exibirem programas como esse que promovem os direitos humanos – afinal, as TVs são concessões públicas.

Mas principalmente, o MP deveria acionar o governo do Estado e proibir a exposição pública das pessoas. Mas infelizmente, muitos promotores fazem o mesmo que a polícia, numa busca sem sentido pela promoção pessoal.