Passe livre estudantil em SP gera dupla conquista: isenção da tarifa e ampliação da circulação

bu-escolarEm meio à polêmica em torno do reajuste da tarifa dos transportes na cidade de São Paulo, de R$ 3 para R$ 3,50, a Prefeitura anunciou uma boa notícia aos estudantes paulistanos: o passe livre para os estudantes de escolas públicas do ensino fundamental e médio, universitários bolsistas do Prouni, Fies e beneficiários de políticas sociais e de baixa renda.

A luta pelo passe livre estudantil em São Paulo é antiga, o Rio de janeiro, a segunda maior capital do país, e que garante a gratuidade aos estudantes há décadas, sempre foi lembrada como exemplo de que era possível implementar a política no transporte público em uma grande cidade.

Nesta sexta, 09, a prefeitura publicou a regulamentação do passe livre estudantil e a surpresa veio com uma conquista adicional. A portaria além de garantir a isenção da tarifa, ampliou a possibilidade de circulação dos estudantes pela cidade.

Atualmente, o bilhete único escolar é composto de 48 créditos. Cada crédito dá direito a rodar a catraca de quatro ônibus, durante o período de duas horas. No caso de um estudante que entre na escola às 7h e rodou a primeira catraca às 6h30, quando sair da escola às 12h, já terá que utilizar um novo crédito. Se decidir realizar alguma atividade a tarde ou a noite, terá mais um crédito descontado.

Com a nova regulamentação, os estudantes terão 24 créditos do bilhete único diário, que dão direito à rodar a catraca de até oito ônibus durante o período de 24 horas. No caso do estudante citado acima, se ele roda duas catracas para chegar até a escola e outras duas para voltar para casa, ele terá ainda a possibilidade de rodar outras quatro catracas, sem nenhuma limitação de tempo.

A alteração do modelo da concessão do bilhete único escolar, gerou duplo ganho: a isenção em si (hoje ele custa R$ 72), que é provavelmente a maior conquista do movimento estudantil paulistano em décadas e a ampliação da circulação dos jovens estudantes, possibilitando maior fruição da cidade.

Confira a regulamentação aqui.

Gabriel Medina será o novo Secretário Nacional de Juventude da Presidência da República

Primeiro indicado por Miguel Rossetto para a estrutura da Secretaria Geral da Presidência da República, é atualmente coordenador das políticas para área no governo de Fernando Haddad e ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude

 

10437547_10202558356470735_6908098624008537939_nO futuro ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, começa a montar a equipe com quem irá trabalhar a partir de 2015. O primeiro nome indicado é de Gabriel Medina, que irá comandar a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ).

 

Atualmente a Secretaria tem como principal atribuição, a coordenação do Plano Juventude Viva, que busca enfrentar o alto índice de mortalidade de jovens no país. A SNJ também realiza o diálogo com os movimentos juvenis através do Conselho Nacional de Juventude.

 

São grandes os desafios a serem enfrentados pelo indicado, hoje os jovens correspondem a 25% da população, 35% do eleitorado, cumprem relevante papel na formação de opinião, e veêm, o exercício de sua cidadania bloqueado, seja pela precarização da vida nas cidades, seja pelo distanciamento das instituições políticas. Abrir canais de diálogo com as demandas que vem das ruas, aproveitar da força deste setor para impulsionar uma agenda de direitos que coloque os jovens no centro do projeto nacional de desenvolvimento, será uma de suas tarefas.

 

Psicólogo, de 32 anos, Medina tem larga trajetória nos movimentos de juventude, tendo sido eleito, em 2011, para presidir o Conselho Nacional de Juventude, o que lhe permitiu ser um dos responsáveis pela construção da 2ª Conferência Nacional.

 

Desde 2013, coordena órgão congênere na prefeitura de São Paulo. Pela atuação na cidade, foi destaque na Revista Brasileira de Planejamento e Orçamento, por apresentar, segundo o artigo, “uma visão inovadora na implementação de políticas voltadas aos jovens paulistanos”, que buscou alinhar “as metas inscritos na Agenda Transversal da Juventude do Plano Plurianual federal para 2012-2015 e as metas relacionadas à juventude no Plano de Metas do prefeito Fernando Haddad”. Confira a publicação aqui.

 

Ainda em 2003, foi relator e participante permanente do Projeto Juventude, coordenado pelo Instituto Cidadania, processo que elaborou propostas sobre o tema e que deu origem à política de juventude no governo do ex-presidente Lula. O futuro secretário, também atuou na construção dos Acampamentos Intercontinentais da Juventude dos Fóruns Sociais Mundiais realizados em Porto Alegre, nos anos 2000 e em Belém em 2010. Coordenou a realização do Festival Latino Americano das Juventudes em Fortaleza, também em 2010. Além de ter sido um dos articuladores do Fórum Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis, que cumpriu relevante papel ao dar voz a uma série de redes e movimentos não tradicionais.

 

Medina teve, entre 2002 e 2004, passagem pelo legislativo paulistano, quando como assessor parlamentar, ajudou a elaborar as primeiras iniciativas de políticas voltadas aos jovens. Com destaque para a aprovação da Lei Estação Juventude, que estruturou a rede de assessores nas subprefeituras. Em Araraquara, sua cidade natal, entre 2006 e 2008, foi assessor do prefeito Edinho Silva, sendo responsável por construir a Assessoria Especial da Juventude e o Espaço Jovem.

 

#manifesta! Poesia, discursos e música pelo direito à manifestação

Foto: Daniel Angelim

São Paulo, quinta-feira a noite, 20 de março – Enquanto uma chuva torrencial anunciava o fim do verão, dentro do Teatro Oficina, cerca de 300 pessoas se reuniram para se manifestar pelo direito ao livre manifestar.

Organizado pela campanha “Por que o senhor atirou em mim?”, que discute a violência policial e defende a desmilitarização da polícia, o ato político cultural “Manifestar-se é um direito”, foi convocado a partir da petição eletrônica “Porque num Estado democrático manifestar-se é um direito!”.

O texto pede o fim do uso de armas letais em manifestações, das prisões para averiguação e da interferência no trabalho de jornalistas, advogados e socorristas. A petição exige também, o uso de identificação pelos policiais e a punição dos PMs que praticaram atos de violência física e psicológica. E se posiciona, claramente contra a lei antiterror e outras legislações que possam cercear o livre direito à manifestação.

 

Contra a repressão, a poesia

Com o microfone aberto aos participantes, foi ficando claro que aquele ato seria diferente dos tradicionais realizados pela esquerda e os movimentos sociais. Logo na primeira intervenção, o poema “Acordar coletivo” dispara: “rotina de reação ou ação intencional do Estado” e sugere “então vamos acordar e caminhar lado a lado”.

Foto: Daniel Angelim

Sérgio Vaz, da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), lançou: “O chicote estrala, mas o povo não se cala”. E ironizou a violência policial na periferia, “vocês sabem que esse barato de bala de borracha, lá na comunidade tem muita gente com inveja disso, se tivesse bala de borracha muito mano estaria vivo”. Segundo Vaz, “milagres acontecem quando a gente vai à luta”.

 

Extermínio da Juventude Negra

Além das falas em defesa do direito à manifestação, um tema presente em grande parte das intervenções foi a violência policial, em especial a cotidiana, sentida na pele por jovens da periferia, em particular os negros, principais vítimas dos abusos de autoridade e dos assassinatos.

O rapper Dexter lembrou que o hip hop tem sido responsável por salvar a vida de milhares de jovens no Brasil e no mundo, mas ainda assim é discriminado, em especial pela polícia.

Os casos de Cláudia Silvia Ferreira, auxiliar de limpeza, que foi baleada e depois arrastada por 250 metros por um carro de polícia, e de Amarildo Dias de Souza, ajudante de pedreiro que foi preso, morto e teve o corpo desaparecido, também foram lembrados como vítimas da polícia.

 

Política e música

“A violência pessoal que sofri, de certa forma, é uma violência que atinge a todos, no dia 13 de junho, a PM não atirou contra o fotografo, atirou contra a sociedade. É uma violência que atinge a todos”, afirmou Sérgio Silva, fotógrafo que perdeu a visão de um dos olhos após ser atingido por uma bala de borracha.

Sarah de Roure, da Marcha Mundial das Mulheres, apresentou o vídeo “Que o Estado pare de invadir nossos corpos!”, que relata a revista vexatória realizada por policiais durante a abordagem à manifestantes durante protesto realizado em 25 de outubro de 2013.

Foto: Rodrigo Erib

Também falaram o deputado federal Ivan Valente e o Senador Eduardo Suplicy. Valente afirmou que apesar das manifestações recentes de junho, a sociedade tem observado o aumento da violência homofóbica, casos de racismo nos campos de futebol, além das nefastas posições de ruralistas contra a demarcação de terras indígenas e quilombolas. O deputado lembrou também o caso da manual do Ministério da Defesa que criminalizava movimentos sociais, “na nossa opinião, exército não tem que ir pra rua fazer nenhum tipo de guerra com a população”.

Já Suplicy, ao mencionar que algumas pessoas sentem saudade da ditadura militar e promovem marchas como a de 1964, recordou que além das mortes e torturas, o regime militar proibiu a livre manifestação, inclusive a cultural, como quando proibiram o show de Joan Baez no TUCA na PUC/SP. Ao lembrar do fato, entoou a canção da artista, “Blowin in the Wind” que marcou o movimento contra as guerras do Vietnã e Iraque.

 

Novo encontro marcado

As atividades da campanha prosseguem. No dia 1º de abril, data que marcará o 50º aniversário do golpe militar contra o governo de João Goulart, está sendo convocada uma manifestação que culminará na entrega de um documento no Ministério Público, cobrando a punição dos policiais que cometeram abusos e da petição no escritório da Presidência da República na Avenida Paulista.

As ações podem ser acompanhadas através da página: facebook.com/porqueatirouemmim?

Em defesa das lutas democráticas, das ruas e da nossa história

Documento para debate interno no PT, elaborado por militantes petistas de diversascorrentes internas para diálogo com a direção e militância do partido.

1. O Partido dos Trabalhadores foi forjado nas lutas democráticas, por justiça social no Brasil. O PT construiu sua trajetória, ao longo dos anos, calcado na luta das ruas e, nos últimos 10 anos, com Lula e Dilma à frente da Presidência da República. Apresentamos políticas governamentais que elevaram a qualidade de vida do povo brasileiro, ajudando a elevar sua condição econômica, social, cultural e tirando milhões de famílias da miséria. Isso nos enche de orgulho como militantes petistas!

2. Porém, nosso partido ficou aquém da capacidade de compreender a necessidade de disputar à esquerda os valores, ideais e as pautas históricas forjadas nas lutas que derrubaram a ditadura. Essa incapacidade, aos poucos, abriu um vácuo enorme entre nós e os movimentos sociais, organizados historicamente pelo campo progressista.

3. Já há algum tempo, temos colocado que o PT tinha uma capacidade limitada dedialogar e organizar os anseios da Juventude:

“Contudo, uma constatação deve ser feita: a organização e o diálogo com a juventude nunca foi uma prioridade política para o Partido dos Trabalhadores. Essa identificação da juventude com o partido sempre esteve presente pelo caráter transformador da sociedade que o PT representa e pelo seu ineditismo com expressão política de esquerda no Brasil. Também pela sua forte inserção nos mais diferentes movimentossociais, ou seja, os jovens se identificam com nosso Partido em razão do seu programa geral e não porque o Partido tenha uma política voltada para a disputa deste setor. Se levarmos o problema de organização da juventude para nossaintervenção nos movimentos juvenis, a situação é aquém da capacidade demobilização real do PT. Hoje, não conseguimos ocupar em nenhuma das frentes de luta dos movimentos juvenis uma posição de centralidade. Atuamos de maneira fragmentada e, em geral, levando as disputas internas para o seio dos movimentos”

Resolução Concepção e Funcionamento, I Congresso da JPT, maio de

2008.

4. Considerando a nossa presença há mais de 10 anos no Governo Federal, há umagrande geração que não conhece o PT fora da institucionalidade. Associa a ele não maisa transformação, mas sim o status quo. Isso é agravado pela forte ofensiva da mídia natentativa de igualar o PT a demais partidos, em um senso comum despolitizador epotencialmente anti-democrático: “são todos iguais e corruptos”.

5. As manifestações organizadas a partir da pauta do “passe livre” merecem um olhar cuidadoso por parte das pessoas realmente preocupadas com o desenvolvimento dopaís.Para entendermos a sua complexidade, é preciso nos debruçarmos sobre a dinâmica das redes sociais, bem como de novos movimentos sociais, que não se alinham ao nosso tradicional campo democrático e popular. Além disso, há que se considerar atentamente o papel que a grande mídia cumpriu ao optar pela disputa do conteúdo políticos das mobilizações.

6. Longe de vermos o protesto de forma uniforme, houve um forte e rápido giro político e apropriação da pauta por setores organizados da direita. Isso se deu no interior das redes sociais, que possuem um alto poder convocatório.

7. Nela, como todos podem gerar e reproduzir informações, temos uma (falsa) sensação de igualdade e de estarmos falando entre pessoas com as quais confiamos. Afinal, a informação é repassada por vínculos de “amizade”. Contudo, assim como na mídia, há forte possibilidade de manipulação.

8. O que vimos hoje no Brasil é uma explosão de insatisfações com diversos problemas históricos existentes em nosso país. Ela aponta para transformações estruturais no capitalismo brasileiro em todas as esferas de governo, reivindicando mais eficácia no gasto público com transporte público, saúde e educação.

9. Certamente o PT e a esquerda precisam se debruçar sobre a pauta da reforma urbana e apresentar uma proposta que dispute corações e mentes da sociedade. A mobilidade urbana sempre foi pauta prioritária para discussão da esquerda e dos governos municipais do PT, pois está diretamente ligada à qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros. É preciso ousar e enfrentar os verdadeiros cartéis que dominam as concessões de transporte em todo o país.

10. Alçamos uma importante vitória ao conseguirmos sediar a Copa das Confederações e do Mundo. No entanto, apesar das relevantes alterações nas estruturas de algumas cidades, em outras não ficou nítido para a população qual será o legado positivo que o Brasil deixará ao seu povo ao final das competições. É inegável o mal estar sobre os gastos e nós precisamos dar respostas dignas à população.

11.Mesmo com toda a ampliação da participação popular nas instâncias de representação política, afirmadas nas dezenas de conferências e conselhos de políticas públicas criados, não conseguimos, nos nossos dez anos à frente do governo federal,é preciso garantir espaços de vocalização das demandas que se colocam hoje, nas ruas. As manifestações na rua mostram que, embora tenha havido ganhos expressivos, falhamos no essencial: aproximar o cidadão dos processos de tomada de decisão sobre o dinheiro público. O PTprecisa ter papel ativo no interior do governo, na proposição de novos canais de participação democrática, em todos os setores governamentais, antenados com essa juventude que se expressa e se organiza pelas redes sociais, à esquerda e à direita.

12.Não conseguimos atrair para a militância petista essa parcela da juventude e dasociedade que, genuinamente, coloca suas insatisfações e sua crítica contundente ao sistema político e aos partidos. Sabemos que o PT é um dos partidos em que há maior democracia interna. As eleições diretas para nossas direções são prova disso. Mas, após tantas alianças com nossos adversários históricos, caímos na geleia geral da política institucional. E disso se aproveita a elite conservadora, a mídia irresponsável e setores puramente golpistas que, até então subterrâneos, começam a colocar a cabeça para fora. Essa aberração política fez os grupos assumidamente fascistas liderarem a massa contra as bandeiras e camisas de militantes do PT e outros partidos de esquerda, nas manifestações dos últimos dias, em várias capitais brasileiras.

13.Entendemos que, nas próximas semanas, será jogado o futuro do PT como poloagregador daqueles que permanecem em luta contra as injustiças e contra adesigualdade que – mesmo com todos os avanços – ainda permanece em nosso país.

14.Somos chamados nesse momento a resgatar nossa tarefa histórica: a de organizar nossa militância, de protagonizar a organização de um campo político e de construir com as entidades dos movimentos sociais uma agenda de reformas e mudanças populares para o país, passando pelo governo e pelas ruas, onde a verdadeira massa está à espera de respostas concretas.

15.Mais ainda: devemos atuar também no campo simbólico, ideológico, cultural e político. A falta de identificação da juventude com o PT passa por uma questão de cultura política, de formas e métodos do agir e governar. Nossa burocratização, interna e governamental, afasta a geração dos cidadãos conectados e colaborativos. Além de emprego, educação e saúde, o PT deve voltar a despertar utopia.

16.O partido deve fazer um apelo a todos/as entidades, movimentos, sindicatos, artistas, partidos, intelectuais, juristas, religiosos, enfim todos os cidadãos que,independentemente de suas opiniões políticas e ideológicas e, que estão preocupados com o que está acontecendo, se unam em torno da defesa da democracia, da liberdade de expressão e da livre organização das entidades do movimento social.

17.Cabe à atual direção do partido organizar e fazer chegar a todos os seus diretórios, bancadas parlamentares e aos governos municipais, estaduais e federal a seguinte pauta:

● Rearticular o campo democrático e popular pela defesa das conquistas dos governos Lula e Dilma.

● Aprofundar a campanha pela reforma política, com o financiamento público decampanha, retomando o compromisso radical do PT com a participação popular através da atualização de nosso programa participativo com as possibilidades abertas pelas novas tecnologias e difusão das redes eletrônicas.

● Trabalhar pela democratização dos meios de comunicação, ampliando canais deinformação e debate alternativos à mídia conservadora. Enquanto não garantirmos verdadeiramente a pluralidade de fontes de informação, o caráter público das concessões de rádio e TV, e o direito à comunicação do conjunto da população, não superaremos boa parte das fragilidades que nossa democracia mantém.

● Orientar a bancada federal à aprovação urgente de agendas como os 100% do pré-sal para educação.

● Incorporar o direito à mobilidade no Estatuto de Juventude, indicando paraimplementação do passe livre para juventude no transporte público.

● Dotar o país de uma malha de ciclovias e meios de transportes limpos, que permita a mobilidade com respeito ao meio ambiente.

● Cobrar do governo uma demonstração de guinada à esquerda em ações concretas e cobrar ampliação dos canais de diálogos do governo com os movimentos e a condenação pública imediata, da bárbara violência policial contra os manifestantes.

● Promover a desoneração tributária da classe trabalhadora e tributação das grandes fortunas.

● Enfatizar a laicidade do Estado e a defesa dos direitos humanos, bem como a promoção de igualdade entre homens e mulheres, negros e brancos e a garantia dos direitos da população LGBT. Podemos observar que esses são temas caros à juventude, que compõe parcela expressiva desses movimentos e se frustra quando vê suas reivindicações por cidadania e dignidade serem subordinadas aos caprichos dos setores conservadores que, desde a base do nosso governo, não encontram limites para buscar avançar sua agenda, à revelia do sentimento da nossa sociedade, inclusive.

18. Assim, conclamamos a direção do PT a organizar sua militância a lutar pelo legado

histórico que construímos nos últimos 33 anos. Não deixemos, por pura inoperância,setores historicamente conservadores retomarem o poder.

Em defesa das ruas, do povo e da nossa história.

FACEBOOK, 20 a 24 de Junho de 2013.

Assinam:

1.

Ademário Sousa Costa Vice-presidente da UNE 2001-2003. Diretório Estadual do PT da Bahia.

2.

Adriano Oliveira – vice-presidente da UNE 99/01 e SNJ 2000/01

3.

Afonso Tiago – JPT do PT Fortaleza de 2003 a 2004, e Sec. Juventude da Pref. de Fortaleza de2005 a 2012.

4.

Alex Piero, ex-conselheiro do Conselho Nacional de Juventude pela Pastoral da Juventude,atualmente na Secretaria Municipal de Cultura, São Paulo.

5.

Allan Rodrigo Alcantara (CA Psicologia 1999-2003, DCE 2001-2002, Psicólogo, ConselheiroRegional de Psicologia 2007-2009, Presidente da Federação das Associações de Moradores doEstado de Santa Catarina, Secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dasAssociações de Moradores e Secretário Estadual de Formação Política do PT-SC)

6.

Anderson Batata – Foi Diretor da UEE-RJ e Secretário da JPT-RJ de 2001 a 2005

7.

Anderson Cunha Santos, Professor de História das Prefeituras de Contagem e BH, DCE-UFMG(1995-1996), CAHIS-UFMG (1996-1998), Secretaria Geral da FEMEH-1998, Presidente do D.A.FAFICH-UFMG (1998-1999), Coordenador do Setorial LGBT do PT-MG (2011-2012)

8.

Antônio Carlos Freitas, deputado estadual, 2• Vice presidente do PT CE, foi do coletivo estadual da JPT de 2005 a 2007.

9.

Alessandra Dadona, secretária de juventude do PT de SP 2008 -2010

10.

Alessandra Terribili – jornalista, cantora e poetisa – diretora da UNE (2003-2005), DE do PT-SP(2005-2007)

11.

André Rota Sena, Executiva da UNE – 2003-2005,

12.

André Brayner, advogado, foi coordenador do Festival das Juventudes da Prefeitura de Fortalezaem 2010 e 2011

13.

Alexandre Luís Giehl – Coordenação Regional II da FEAB (SC/PR), gestão 1999/2000

14.

Ariane Leitão, coletivo nacional de juventude do PT 2005/2008 e Vereadora suplente do PT/POA.

15.

Bob Calazans – Foi Vice Presidente da AMES de 99 a 2000 e do Coletivo da JPT-RJ, e é membro da Executiva Municipal do PT Rio

16.

Breno Cortella, vereador e presidente da Câmara Municipal de Araras/SP, secretário municipal daJPT 2001/2004.

17.

Bruno Elias – militante do PT, 1º Vicepresidente da UNE 2007/2009, Coordenador de RelaçõesInternacionais da JPT 2009/2011.

18.

Bruno Vanhoni Executiva da UNE 2005/2007; Coletivo Nacional de Juventude do PT

19.

Camila Vieira ( k k ) ENECOS ( 1999 a 2003), DCE UCB (2000 a 2004), Diretório Estadual do PT da Bahia

20.

Carla de Paiva Bezerra, é advogada e gestora, trabalha na SNJ/SG. Foi da DNJPT 2008-2011 eSecretária da JPT-DF 2008-2009 e do DCE UnB 2003-2004.

21.

Carlos Eduardo de Souza- secretário juventude do PT-SC 2002- atual secretário Geral PT Floripa

1.

20. Carlos Eduardo Amaral (Cadu) – ex-coordenador-geral do DCE/UFAL (2006-2007) e ex-diretor da

2.

UNE (2007 – 2009)

22.

Carlos Odas, secretário nacional de juventude do PT (1999/2001), Coordenador do ProjetoJuventude (2004), atual Coordenador de Juventude do GDF

23.

Carlos Henrique Viveiros Santos coordenador da JPT Gov. Valadares 2008 – 2010 e atual Diretorde Políticas Públicas de Juventude da Prefeitura Municipal de Gov. Valadares, Assessor Diocesano da Pastoral da Juventude.

24.

César Augusto Da Ros, CN – FEAB 97/98, professor do Departamento de Ciências Sociais,professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas ePró-Reitor de Assuntos Estudantis da UFRRJ

25.

Charles Carmo foi diretor do DCE/UFBA e do CARB/UFBA

26.

Clarissa Rihl Jokowski, advogada, Presidenta do Diretório Acadêmico do Direito UCS Gestão 2005

27.

Cleberson Zavaski – CN-FEAB 98-99, Presidente da Associação de Eng. Agronomos do DF e PTDF

28.

Cledisson Junior diretor da UNE (2009-2011) conselheiro nacional de promoção da igualdade racial

29.

Daniel Feldmann – diretor da une (1999-2001)

30.

Daniela Matos – Diretora de Relações Internacionais da UNE 99/2001

31.

Danilo Chaves – FEAB 1999-2001, vice presidente UEE MG 2003-2004, PT-BH;

32.

Darlan Montenegro Executiva da UNE (1992-95) Professor de Ciência Política – UFRRJ

33.

Débora Cruz, jornalista, ex-JPT e do setorial de TI/PTDF

34.

Débora Mendonça, PT/CE, Coletivo de Mulheres Estadual PT/CE, Militante da Marcha Mundial dasMulheres

35.

David Barros, ex- presidente do Conjuve (2010-2011)

36.

Eduardo Valdoski, jornalista, ex-coordenador de comunicação (2008-10) e secretário nacional-adjunto da JPT (2007-08) e secretário municipal da JPT/SP (2003-05)

37.

Eliana Cacique – Coletivo Estadual da JPT-RJ de 2001 a 2005 e é membro da Executiva Estadualdo PT-RJ.

38.

Elida Miranda, jornalista, Regional ENECOS (2005), CUT- AL e Diretório Estadual do PT/AL

39.

Ellen Machado Rodrigues – Medica Sanitarista, DENEM 2003/2005 , AMERESP 2010/2011

40.

Erika Fernanda Viana – médica, DCE UFPB 2004/2005

41.

Fabiana Malheiros – DCE UFES, PT-ES.

42.

Fabiana Santos – Foi Presidenta do Grêmio Herber de Souza, do CA de Geografia da UGF, do Coletivo da JPT-RJ de 2001 a 2003 e é membro do Diretório Estadual do PT

43.

Fabrício Gomes de França Ambientalista. Tesoureiro Upes (95-97), secretario da JPT Santo André (98-2000). Atualmente Secretário Adjunto da Secretaria de Gestão dos Recursos Naturais deParanapiacaba e Pq Andreense da Prefeitura de Santo André

44.

Fábio Sanchez, sociólogo, ex-secretário nacional adjunto de Economia Solidária (2005-2011).

45.

Felipe Oliveira Lopes Cavalcanti, Médico Sanitarista, DCE UFPB 2004/2005

46.

Fernanda Teixeira – DCE UEMS, Vicepresidente da UEE/MS, JPT, MMM, C.E. Mulheres do PT -MS.

47.

Flávia Azevedo, jornalista, ENECOS, DCE UCB e JPT de 2003 a 2005

48.

Francielly Damas, farmacêutica, membro da Associação AFLORE – Associação Florescendo a Vida de Usuários, Familiares e amigos da Saúde Mental de Campinas

49.

Florentino Júnio, DCE/UnB (2010) e membro do Setorial de Saúde do PT/DF.

50.

Gabriel Ribeiro – Foi Secretário Estadual da JPT/RJ e membro do Coletivo Nacional da JPT de 2005 a 2008.

51.

Gabriela Gilles Ferreira – ABEPSS, JPT, PT-ES.

52.

Giliate Coelho Neto, médico de família e comunidade, coordenador geral da DENEM (2003),

53.

Graziele Rodrigues Duda – ENESSO, DCE UFES, UNE, JPT, PT-ES.

54.

Guido Rezende – radialista e blogueiro ex-diretor da UNE e UCE

55.

Guilherme Floriani – ME Esalq 98 a 2000

56.

Guilherme Guimarães de Azevedo – DCE- UFV (2007 e 2008); Dir. de Movimentos Socias da UEE-MG (2009/2011); 3º Vice-Presidente da UNE (2011/2013)

57.

Humberto de Jesus executiva da Ubes 1997/1999, RI da Une 2001/2003, ex-secretario nacional dejuventude do PT 2003/2004, atual secretario de desenvolvimento social, cidadania e direitos humanos de Olinda.

58.

Ingrid Gerolimich – Foi Coordenadora Geral da AMES-RJ em 2001 e Coordenadora Estadual de Juventude do Governo do Estado do RJ em 2002

59.

Isadora Salomão – Arquiteta e Urbanista, Ex-DCE UFBA e Coletivo de Mulheres do PT-BA

60.

Jacir João Chies, Coordenação Nacional da FEAB 2001/2002.

61.

Jean Tible, assessor da Fundação Friederich Ebert

62.

Jonas Valente – ENECOS, secretário-geral do Sind. dos Jornalistas do DF e militante do PTDF

63.

José Haroldo Thunder- Executiva Nacional de Ciências Sociais (1995-1997), DCE Puc Campinas(1996-1998), PT Votorantim

64.

João Maurício, Executiva Estadual do PT do RJ, UBES 2003

65.

Josué Medeiros – foi 1º vice-presidente da UNE (2005-2007), hoje professor de interpretações doBrasil da UFRJ

66.

João Brandão, UEE RJ (2003 a 2005),DCE da UFRuralRJ (2002 a 2007) Professor de educaçãofísica do Rio de Janeiro

67.

João Paulo Rillo, Deputado Estadual PT-SP, Presidente da UMES de São José do Rio Preto em 1994 e 1995;

68.

João Scaramella – CN FEAB 2002-2003

69.

João Vicente (Caixa d’Água) – Coordenador das Juventudes Metalúrgicas do ABC e da CNM/CUT 1997/1999, hoje membro do Setorial Jurídico do PT/SP e Secretário dos Assuntos Jurídicos e da Cidadania de Franco da Rocha/SP;

70.

João Wilson Damasceno, gestor cultural, foi secretario geral do DCE UFC em 2007/2008

71.

José (Zé)Ricardo Fonseca – Diretor da UNE 2001-2003- PT-DF

72.

Julian Rodrigues , PT-SP (UNE e JPT 1997-2003)

73.

Juliana Terribli, psicóloga, foi dirigente da JPT-SP 2008-2011

74.

Julio Ladeia, vicepresidente UPES 1995/97, ex-membro do Diretório Estadual do PT, militante do PT de São José do Rio Preto, coordenado do CEU Butantã , SP.

75.

Larissa Campos – secretaria adjunta da jpt-mg e DNJPT 2008/2011 1a dirt.de movimentos sociaisda UNE 2007/2009

76.

Léo Bulhões – Coord. Geral Executiva Nacional de Bio 1998-1999, Presidente DCE UFPE 2000-2001, Diretor UNE 2001-2003, atualmente Assessor Especial de Projetos Secretaria de Participação Social – Caruaru – PE.

77.

Karina de Paula (Kakau) – Membro da Executiva Nacional da JPT e Secretária Municipal da JPT de Rio Claro – SP

78.

Leandro Ferreira, Executiva da JPT-SP.

79.

Lívia Manzolillo, jornalista, foi Presidente do DCE UNIFOR de 2003 a 2004.

80.

Louise Caroline, Vicepresidenta da UNE 2005/2007; Vicepresidente do PT/PE

81.

Lourival de Moraes Fidelis, estudante de doutorado, UNICAMP, Bolsista de Estágio doutoral pelaCAPES, Universidade de Córdoba, Espanha

82.

Lucas Cassab Lopes – Dce UFJF 2005-2006, Cahist ufjf 2004-200, coletivo estadual de juventude2006-2008, tesoureiro do pt-jf 2007-2009,

83.

Luciana Mandelli – historiadora – UEE-SP (1999/2003), Col. Nac. JPT (2002/2005) e DR- PT-BA

84.

Marcio Ladeia, publicitário, assessor da CUT, UNE 2005/2007, vereador de São José do Rio Preto 2001/2004, UMES 1996/1999 e UPES 1997/1998 militante do PT.

85.

Marcos Asas – poeta e médico, Conselheiro Nacional de Saúde, presidente do DCE UPE “PauloFreire” 2004/2005, presidente AMERESP 2011/2012, diretor de Saude da ANPG

86.

Orlando Catharino, membro do coletivo estadual da jpt sp em 1991 e 1992

87.

Otávio Antunes – jornalista, Vicepresidente da UBES 1997/1999 PT Campinas

88.

Paulo Navarro – médico Sanitarista, DCE UFPB 2004/2005, presidente da AMERESP 2010/2011

89.

Pedro Gerolimich ex Vice Presidente da UBES 2003/2004 – Diretório Municipal PT/RJ

90.

Pedro Moreira Coordenação regional da feab (2002 e 2003), secretario estadual de juventude doPT/MG 2004 e 2005 e vice presidente de UEE/MG 2004-2005

91.

Pedro Tourinho – Vereador PT Campinas, Médico Sanitarista, professor PUC Campinas,DENEM2005/2006

92.

Pedro Vasconcelos – Ex Secretário da JPT RS 2005 2007. Membro do Coletivo Nacional de Cultura do PT.

93.

Penildon Silva Filho, professor da UFBA. DCE UFBA 1992-1993 e Diretor da UNE 1993-1995

94.

Rafael Barbosa de Moraes (pops), vice-presidente da UNE 2003/2005, secretário nacional dejuventude 2005/2008

95.

Renam Brandão – Secretário da JPT-BA 01/03, Executiva dos Estudantes de CEFETS 97

96.

Rídina Motta Diretora LGBT UNE 2009 /2011

97.

Rodrigo Abel, Secretário nacional de juventude do PT 2000/2003

98.

Rodrigo Campo, ex-Tesoureiro do PT-RS, de 2005 a 2007.

99.

Romeu Morgante, ex presidente da umes santo andre e diretor da ubes 1998/99 umes, 99/2001UBES

100.

Rodrigo Rubinato “Cabelo” – Coordenador da Ames – RJ em 2003, Secretário-geral da FEMEH em2004

101.

Rodrigo Salgado, Professor e Advogado. Ex-coordenador da FENED, Coordenador do DAJMJr

102.

Samuel de Mesquita – Ex-presidente da UENI, Ex-presiidente da ARES, Ex- vice-presidente baixada da UEE/RJ, Ex-presidente do DA de Direito da UNIABEU

103.

Sávio José, vereador PT – Viçosa-MG.

104.

Serena Reis – CN FEAB 2002-2003, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservaçãoda Biodiversidade – ICMBio/MMA

105.

Sérgia Garcia, diretora da UPES gestão 1998, medica formada em Cuba, militante da AssociaçãoMédica Nacional – (AMN-MF)

106.

Sergio Godoy, professor de Relações Internacionais da Fundação Santo André, ex membro docoletivo nacional da JPT, ex Secretário Geral da UPES

107.

Tássia Rabelo – Ex-Presidenta do CA da FGV, Ex-diretora do DCE da UERJ, Ex. Membro daExecutiva Nacional da JPT

108.

Tassio Brito coordenador geral DCE UESC(2007-2009), 2 diretor de RI da UNE(2008-2009, direção nacional da jpt(2008-2011) 3 Vice Presidente da UNE(2009-2011)

109.

Tatiana Oliveira diretora de mulheres da une 2005-2007

110.

Tatiana Zocrato – DCE PUC-MG 2002-2004 , Vice-Presidenta UEE-MG 2004-2009 , SEJPT-MG 2008-2011

111.

Thomás Ferreira CN ABEEF 2003/2004 Coord. Geral DCE/UFV 2005

112.

Ticiana Studart, SNJ PT 2003 a 2005, da secretaria nacional de mulheres do PT de 2005 a 2007, e membro da executiva do PT CE;

113.

Verônica Lima, vereadora de Niterói, executiva da UBES 1997/99

114.

Veronica Maia, advogada, militante da RENAP, foi da SNJ PT de 2005 a 2007.

115.

Vinicius Cascone – FENED, advogado, militante do PT, Campinas/SP

116.

Vinícius de Lima – ex-coordenador nacional de comunicação da JPT e Presidente do DCE daEstácio de Sá – ES (2007), foi membro do Diretório Estadual do PT ES (2008) e do Movimento Não é só uma passagem (2005 – ES)

117.

Vinícius Ghizini, historiador, Secretário Adjunto JPT/Macro Campinas e Secretário Municipal JPT/Americana.

118.

Vinicyus Sousa – Ex – Diretor da executiva estadual da JPT – BA

119.

Wagner Romão, sociólogo, ex-presidente do Diretório Zonal de Pinheiros (São Paulo) – 2005 a 2007.

120.

Wanderson Pimenta, ex- coordenador geral do DCE – UFBA (2012).

121.

Wladia Fernandes, coordenadora LBGTT do PT CE foi da JPT de 2005/09

122.

Wenderson Gasparotto, ex diretor da UEE-SP (1997/2001)

123.

Wesley Francisco, DCE UFV, CA História/UFBA, FEMEH, UNE(2003) Coletivo Nacional LGBT.

Não temos que temer pessoas na rua. O que precisamos é uma resposta política rápida

Segue um relato/reflexão de um companheiro petista que está acompanhando de perto as mobilizações em São Paulo. Acho que está correta, temos de aproveitar a mobilização social, a pressão das ruas para acelerar as mudanças do Brasil, e como ele diz “que esse país precisa de mudanças estruturais, só melhorismos (por tão bom que sejam) não são suficientes”.

Primeiro: todos os petistas que conversei (com P maiúsculo), saudaram a volta às ruas das pessoas. Digo pessoas e não povo, porque não é exatamente o POVO que está na rua. Ainda. Em SP ao menos a maioria é classe média, branca. Não desqualifica, não deslegitima, apenas constata.

Segundo: não temos que temer pessoas na rua. O que precisamos é uma resposta política rápida. Os governantes do PT não são da “classe política”, nem preciso aqui falar disso, eles representam um projeto de transformação e quando pessoas saem na rua esse projeto tem que adquirir uma velocidade maior na sua implementação.

Terceiro: Tá um clima estranho no ar sim. Seja nas ruas, seja nas redes, é perceptível a tentativa de enfiar a Dilma nisso a qualquer custo. A Veja, a Globo tentaram nos últimos anos colocar as pessoas a qualquer custo na rua contra corrupção e contra o PT, vão tentar de novo. Em São Paulo, além do relato do Vianna, que é verdade e eu estava no mesmo lugar que ele, posso dizer, não sobra pra ninguém, PT, PSDB, Globo, todos são xingados…

Enfim. Seguimos hablando, mas com certeza o que podemos dizer é que esse país precisa de mudanças estruturais, só melhorismos (por tão bom que sejam) não são suficientes, nem mais justificativa para a SEXTA economia do mundo não dar respostas a questões sociais tão básicas!

E desculpem a franqueza, o PT não sabe o que dizer sobre isso… Espero que consigamos ajudá-lo!

Voto aos 16, as escolhas da juventude mudam a história

Já tratei do tema do voto aos 16 no post “Começa a campanha pelo voto aos 16 anos do TSE, conheça alguns materiais já produzidos pela JPT”, onde divulgava alguns materiais que produzi nos anos de 2004 e 2006 para as secretarias nacional e estadual de São Paulo da JPT.

 Em 2010, como coordenador de comunicação da JPT nacional, fui responsável por produzir a nossa campanha, que teve como título “As escolhas da juventude mudam a história”, como era o ano em que apresentávamos a companheira Dilma, como nossa candidata a presidenta, a proposta era falar que foram as opções que ela fez em sua juventude que fizeram com que ela se tornasse a primeira presidenta do Brasil (bom, naquele momento ela ainda não era, mas depois como sabemos acabou sendo).

 Na campanha, executada por uma agência do Rio Grande do Sul (que por esquecimento vou ficar devendo os devidos créditos), usamos como personagens figuras históricas, que em sua juventude fizeram opções que mudaram os rumos da história, foram eles: Che Guevara, Pagú, Chico Mendes e Zumbi dos Palmares.

 Produzimos panfletos, com as quatro personagens, adesivos e cartazes. Fizemos um hot site e atuamos nas redes sociais. Foi uma campanha interessante. Mas ficou faltando o vídeo, que o PT não topou pagar (ta aí a importância da gestão financeira autônoma da juventude).

 

Aqui estão disponíveis os materiais daquela campanha, fico devendo os arquivos abertos, para quem quisesse trabalhar com eles, mas infelizmente não tenho no meu computador.

 

Adesivo

Cartazes (baixa)

Cartazes (alta)

Folder (baixa)

Folder (alta)

Volante (baixa)

Volante (alta)

 

Aproveito e publico as orientações que divulgamos para a militância organizar a campanha:

 

Orientações para organizar a campanha no seu estado ou sua cidade

 

Aqui estão reunidas algumas sugestões de como construir as ações da campanha. É fundamental que as JPTs estaduais, além de socializar com os municípios os materiais enviados pela nacional, produzir materiais próprios, sempre utilizando a marca nacional. Isso é importante para que a campanha tenha mais capilaridade e para que os estados possam divulgar seus contatos (telefone, e-mail, endereço, blog etc).

 

Será também tarefa das estaduais estimular a realização de agendas nos municípios, essas atividades poderão ser:

 

• Atos de lançamento da campanha: os atos podem ser atividades de rua ou reuniões/plenárias onde a JPT local defina um calendário de atividades e ações

 

• Realização de atividades em escolas de ensino médio: a primeira fase da campanha é direcionada aos jovens que tem 16 e 17 anos, o principal ponto de concentração nesta faixa de jovens, são escolas de Ensino Médio, portanto, este é um espaço privilegiado para realizar panfletagens

 

 

• Panfletagens e atos em pontos estratégicos e de concentração de jovens: além das escolas, em toda cidade há praças e/ou pontos de encontro dos jovens. Estes locais devem ser mapeados e alvo de atividades da campanha. Estas atividades, sempre que possível, devem ser agregadas a atividades culturais, tais como teatro, hip-hop, grafitagem, música etc

 

• Inserções em rádios: um dos materiais de campanha da JPT serão as inserções para rádio, mapear e distribuir os arquivos de áudio para as rádios comunitárias são uma boa forma de difundir a campanha para um número maior de pessoas.

 

 

• Disseminação na Internet: a campanha terá grande fluxo e materiais para Internet, os boletins eletrônicos, distribuídos pela nacional, podem ser adaptados para que as estaduais e municipais possam agregar informações, tais como mobilizações locais e/ou contatos.

 

• Relação com os movimentos juvenis e com os Cartórios Eleitorais: Outra ação que devemos estimular é a partir de nossa presença nos movimentos sociais, particularmente Grêmios e Uniões Municipais de Estudantes Secundaristas, que podem procurar os cartórios eleitorais e buscar a realização de parcerias, que levem os funcionários para dentro das escolas. Essa iniciativa pode ser realizada também nos bairros ou em locais de concentração de jovens, tais como Centros de Referência de Juventude e/ou telecentros.

 

• Cadastro de simpatizantes: Como nossa ação prevê além do alistamento eleitoral, o diálogo à participação e o convencimento à filiação no PT, deve ser parte de nossas atividades da campanha pelo voto aos 16 anos, o recolhimento dos contatos dos jovens. Nas panfletagens que realizarmos, devemos sempre estar munidos de fichas de cadastro para pegar o nome, telefone e e-mail. Essa ação é fundamental para o momento seguinte de filiação, sem o contato não temos como convidar para uma reunião ou outra atividade futura.

 

• Fotos e vídeos: É muito importante também o registro destas atividades, para avaliação e divulgação posterior. Portanto, é sempre bom levar uma câmera fotográfica nas atividades, além de tirar fotos e possível gravar vídeos com a galera em ação e com depoimentos dos jovens.

 

Vale a pena assistir, Profissão Repórter nos protestos pelo mundo

Agora a pouco foi ao ar a edição do programa da TV Globo, Profissão Repórter, que cobriu os protestos no mundo. Eles foram a Nova Iorque cobrir o #occupywallstreet, ao similiar britânico, aos protestos contra o ajuste fiscal na Grécia e à praça sede da primavera árabe no Egito.

Há muito, que para mim este programa é o melhor jornalístico da TV brasileira, pois vai à essência do jornalismo, ou seja: a reportagem. Não é por acaso, pois é comandado por Caco Barcelos, um dos melhores jornalistas do país.

Afora a qualidade geral, acima da média, esta edição em particular traz um tema relevante, que são os protestos anticapitalistas e a primavera árabe.

Me chamou atenção também, a cena com brasileiros no aeroporto de Guarulhos que moravam na Europa e estão voltando ao país, pois é aqui que estão as oportunidades, evidenciando o bom momento que os governos de Lula e Dilma proporcionaram ao Brasil.

Contrasta com  a juventude grega, com diploma universitário na mão ver a perspectiva de futuro em outro país. Essa pode ser uma consequência mais dura, no longo prazo, do que propriamente a crise e o ajuste fiscal.

Vale a pena assistir!

 

Primeira parte
Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Segunda parte
Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

O risco dos “depósitos humanos”

Ótimo artigo do vereador de São Paulo, Jamil Murad (PCdoB) sobre a discussão a respeito das drogas e sobre propostas como a internação compulsória. Uma discussão fundamental sobre a problemática do crack, que tem vitimado milhares de jovens brasileiros, em particular os mais pobres.

O risco dos “depósitos humanos”

Diante do grave quadro de crescimento no consumo do crack em diversas cidades do país, soluções variadas têm sido debatidas. A mais polêmica propõe a internação compulsória especialmente dos dependentes que vivem nas ruas. A proposta, no entanto, não é encarada como a melhor saída para o problema, que demanda tratamento médico, acompanhamento multidisciplinar e reinserção sócio-familiar.

por Jamil Murad, no Viomundo

O uso de substâncias alucinógenas ou que alterem os sentidos é milenar na história da humanidade. Possivelmente, permeou a existência de alguns dos nossos mais antigos antepassados – que recorriam a diversas plantas para fins geralmente ligados à religião e à medicina – e certamente continuará a fazer parte de nosso cotidiano.

No entanto, na contemporaneidade o processo que levou à exacerbação da sociedade do consumo parece ter resultado em uma nova relação com as drogas e na sua maior disseminação e grau de dependência. O conhecido “vazio existencial” e as doenças cuja intensificação está associada à modernidade, como a depressão, é um dos fatores que levam uma parcela considerável da população a recorrer aos mais diversos tipos de droga como saída paliativa às suas angústias.

Por outro lado, as drogas são usadas para buscar novas experiências, para auto-afirmação social ou mesmo para turbinar a sensação de felicidade e bem-estar. Fator igualmente importante é que, especialmente no caso de substâncias de mais baixo custo, maior poder de alucinação e alto grau de dependência, como o crack, a utilização serve para aplacar as dores de populações em condições sócio-familiares vulneráveis, como os moradores de rua.

Outro aspecto a ser considerado é que o mercado de drogas está entre as mais rentáveis atividades econômicas do mundo, ou seja, de uma maneira ou de outra, ainda que seja feito o combate ao tráfico, as estruturas criminosas usarão dos mais diversos artifícios para potencializar seus lucros e manter girando a roda do negócio. E uma das maneiras é fazer com que as substâncias cheguem a cada vez mais pessoas de idade cada vez menor.

Nestas situações, ou quando a somatória dessas diversas motivações e fatores leva a um descontrole do uso de drogas, passa a ser imprescindível a interferência do poder público tanto do ponto de vista preventivo – o que inclui desde ações de inteligência e combate ao tráfico até a educação de crianças e jovens – como no âmbito do tratamento multidisciplinar – envolvendo desde aspectos ambulatoriais até a ressocialização dos dependentes em estado mais preocupante.

A gravidade da situação de milhares de usuários Brasil afora ganhou contornos de tragédia nacional, entrando na agenda oficial do governo federal e chamando maior atenção dos poderes locais.

Quando o crack supera o álcool

Não são apenas as substâncias ilegais que causam preocupação. O consumo de álcool, especialmente em nossa juventude, é outro dado alarmante. Pesquisa realizada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) com 17 mil estudantes universitários de todas as capitais mostrou que 86% deles consumiram álcool e que nesse universo, 22% podem desenvolver dependência. Mas, por se tratar de uma droga socialmente aceita e de menor agressividade tóxica quando comparada ao crack, por exemplo, tem sido tolerada ao longo dos anos. Além disso, seu consumo é propagandeado nos principais meios de comunicação, o que contribui para naturalizar o seu uso. Mas, a epidemia de crack já chega, em alguns aspectos, a superar o álcool.

Um levantamento feito pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Assembleia Legislativa de São Paulo, mostra que especialmente no interior paulista, em cidades entre 50 mil e 100 mil habitantes, o crack se equipara ao álcool no número de atendimentos na rede pública de saúde: 38% cada.

Para chegar a estes dados, foram enviados questionários aos administradores de todos os 645 municípios paulistas; 325 deles o responderam, representando 76% da população.

No estado como um todo, dentre os usuários de algum tipo de droga lícita ou ilícita que buscam atendimento, 49% estão ligados ao vício do álcool; o crack vem depois, com 31%, seguido da cocaína (10%), maconha (9%) e drogas sintéticas (0,59%). O levantamento mostrou também que tem sido alto o consumo entre os cortadores de cana.

Inversamente contrário às necessidades dos municípios é a ajuda vinda dos entes estadual e federal. Segundo as respostas dos gestores, apenas 5% das prefeituras recebem recursos estaduais para lidar com o problema e apenas 12% dizem receber ajuda federal.

Alcance devastador

Resultante da mistura da pasta-base de coca ou cocaína refinada com bicarbonato de sódio e água, o crack pode ainda conter outras substâncias tóxicas tais como, por exemplo, querosene, cal, cimento e soda cáustica. Por ser fumado, alcança diretamente o pulmão, órgão que, devido à sua vascularização e tamanho, tem a absorção facilitada, levando a substância rapidamente à circulação sanguínea e ao cérebro.

Conforme informações da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, em 10 a 15 segundos, os primeiros efeitos já ocorrem, enquanto após cheirar cocaína surgem depois de 10 a 15 minutos, e após a injeção, em 3 a 5 minutos. “Essa característica faz do crack uma droga ‘poderosa’ do ponto de vista do usuário, já que o prazer acontece quase instantaneamente após uma ‘pipada’ (fumada no cachimbo)”, informa.

No entanto, a sensação dura pouco: cerca de cinco minutos; no caso de cheirar ou inalar cocaína, varia de 20 a 45 minutos. Conforme explica a Senad, isso faz com que o usuário volte a utilizar a droga com mais frequência que as outras (praticamente de cinco em cinco minutos), facilitando a dependência.

Propostas em questão

Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, a estimativa é de que haja no Brasil 6 milhões de usuários de crack, equivalentes a cerca de 3% da população, enquanto o Ministério da Saúde trabalha com cerca de 2 milhões. Estudo realizado pela Unifesp e pela Senad adotado nas Diretrizes Gerais Médicas do Conselho Federal de Medicina (CFM) indica que um terço dos usuários encontra a cura, outro terço mantém o uso e outro terço morre, sendo que 85% dos casos estão relacionados à violência.

O CFM defende intervenções dentro dos preceitos legais para desintoxicação como medida inicial, ressaltando que o paciente deve “ter acesso à rede de tratamento ambulatorial bem como aos processos integrados”.

Para o Conselho, além das questões de cunho médico, é preciso criar uma rede multidisciplinar que englobe, entre outros fatores, ações preventivas através da sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde e educação; identificação precoce e encaminhamento adequado; desintoxicação via tratamento e suporte sintomático; tratamento das comorbidades clínicas e psiquiátricas; aplicação de estratégias de psicoeducação trabalhando fatores de risco, entre outros.

No âmbito federal, a busca por saídas levou à elaboração de um Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado em maio de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com um orçamento inicial na ordem de R$ 410 milhões para aquele ano a serem utilizados em ações de prevenção, atenção e reinserção social de usuários e dependentes, e repressão ao tráfico.

A presidenta Dilma Rousseff deu continuidade ao plano e no começo deste ano, durante lançamento de 49 Centros de Referência em Crack e outras Drogas, declarou: “Temos um quadro extremamente preocupante no que se refere às drogas e à criminalidade. Meu governo vai fazer um combate sustentável ao crack. Tenho o compromisso de levar uma luta sem quartel ao crack”. As ações federais são passos positivos, especialmente levando-se em conta que até 1998, não havia no Brasil uma política pública voltada para as drogas. E mostram que o governo está se comprometendo a enfrentar a questão.

No âmbito municipal, as coisas são mais preocupantes. Uma forte polêmica, opondo parte do setor médico e entidades ligadas aos direitos humanos às autoridades públicas, veio à tona com mais força a partir da política adotada na cidade do Rio de Janeiro.

O uso da polícia no processo de recolhimento de crianças nas ruas e sua condução a delegacias policiais, num flagrante desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), levaram o Ministério Público Estadual a propor à Secretaria Municipal de Assistência Social o compromisso de assinar um termo de ajuste de conduta a fim de que seja revista a tática usada pela prefeitura carioca. Até agosto, as operações teriam resultado no acolhimento de mais 1.300 pessoas, das quais pouco mais de 250 eram crianças e adolescentes.

No caso da cidade de São Paulo, não levou muito tempo para que a prefeitura cogitasse aplicar a mesma tática do Rio de Janeiro, o que indica um perigoso potencial de reprodução em âmbito estadual e mesmo nacional dada a influência que a capital tem sobre as demais cidades. Interesses econômico-imobiliários focados no projeto “Nova Luz” e a percepção de boa parcela da população de que a presença de usuários nas ruas é uma ameaça à sua segurança e degrada a cidade estão na essência do posicionamento assumido pela administração municipal.

Neste contexto que envolve as duas maiores capitais do país, a tática da internação compulsória ganhou capas de jornais e revistas e se tornou a grande panaceia daqueles que querem extirpar o problema sem ter de enfrentar sua essência. Estimativas do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) apontam que devem existir na cracolândia, região central da cidade, cerca de 2 mil usuários. Muitas dessas pessoas, de fato, encontram-se em situação deplorável: já não têm total consciência de seus atos, dormem e acordam nas ruas, passam fome, frio e todo tipo de violência, se afastam de seus familiares e contraem doenças de toda espécie.

Mas, recolher essas pessoas à força e trancafiá-las num espaço físico qualquer, tirando-as da vista da sociedade, não se configura em solução adequada. É preciso uma abordagem multidisciplinar feita por profissionais treinados para a situação.

Em casos muito extremos de dependência ou de surtos psicóticos que ponham em risco a vida do usuário, pode ser necessária a internação. Porém, é preciso que haja uma avaliação médica cuidadosa e autorização judicial, além de uma estrutura de tratamento completa. O recolhimento desordenado de todo e qualquer usuário é medida policialesca e de pouca eficácia, conforme tem sido colocado por diversos especialistas.

Reação à internação compulsória

Diante deste quadro alarmante e na busca por soluções que fujam do rol das respostas simplistas, autoritárias e higienistas, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo realizou debate sobre o tema.

Com base nas opiniões expostas por especialistas da área médica, jurídica, psicológica e representantes da administração pública, ficou claro que é preciso enfrentar a questão principalmente nos âmbitos familiar, social, educacional e da saúde. É preciso associar ações nestas áreas, oferecendo assim uma saída multissetorial. Um olhar especial deve estar voltado para a questão dos moradores de rua, principalmente as crianças e adolescentes.

Conforme dados do Projeto Quixote, ligado ao Departamento de Psiquiatria da Unifesp, obtidos através de 209 entrevistas feitas com crianças e adolescentes atendidas por ele, apenas 12% dos usuários foram para as ruas por causa da droga.

O abandono e a negligência por pais e parentes (37%) e as violências familiar (18%) e sexual (15%) são os principais fatores. Ou seja, a desestruturação das relações sócio-familiares, a falta de perspectivas, de apoio, afeto e educação levam parte de nossos jovens, já em sua tenra idade, a caírem na armadilha das drogas. Além disso, essas informações mostram que os recursos médicos respondem por uma parte do tratamento; é preciso uma rede de sustentação que faça com o que o usuário – criança ou adulto – seja inserido socialmente, veja-se como parte da cidade, tenha perspectivas futuras de estudo, emprego, saúde e convívio familiar. Sanar a doença sem oferecer novos rumos é como enxugar gelo: não resolve a questão.

Durante o debate que realizamos, um caso chamou atenção. O psiquiatra da Faculdade Paulista de Medicina, Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Tratamento a Dependentes (Proad),criado há 24 anos, recordou ter testemunhado o relato de uma menina que usava crack para não sentir a dor física de ter de se prostituir e, assim, garantir seu sustento. Para aquela menina, lembrou, a droga era a solução e não o problema de seu cotidiano. Mas ele advertiu que internar sem a concordância do usuário não é o caminho mais adequado para lidar com a brutalidade de situações como essa. “Posso afirmar que 98% das pessoas que são internadas compulsoriamente recaem, sendo, portanto, um método de baixa eficácia. Aliás, mesmo com a internação voluntária, o sucesso não é muito grande”. Segundo ele, ainda que haja insuficiências, os melhores métodos atualmente são os de atendimento ambulatorial, como os empregados nos Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Droga (Caps-AD).

Do ponto de vista jurídico, Luiz Fernando Vidal, membro do Conselho da Associação Juízes para a Democracia, alertou para o fato de que nenhuma alternativa deve desrespeitar a autonomia do indivíduo. “Não se pode admitir nenhuma intervenção de conteúdo autoritário na abordagem desse problema. Não havendo um programa, governos correm o risco de agir na base do voluntarismo, desprovidos de conhecimentos e base teórica e científica”.

Eduardo Ferreira Valério, promotor público da Divisão de Inclusão Social, disse que apesar de não haver ainda um parecer oficial do Ministério Público paulista sobre o assunto, “o MP não concordará com as internações compulsórias que signifiquem a mera remoção dos dependentes, sem um projeto que contemple o tratamento, sobretudo ambulatorial, propicie refazer os laços familiares e ofereça alternativas de profissionalização e moradia para que não retornem às ruas”.

Resolver essa situação não é tarefa simples: não dispomos de fórmulas prontas, nem há soluções definitivas. Além disso, a questão muitas vezes fica permeada por um forte recorte de classe e uma visão elitista do problema que podem resultar em ações cosméticas e que colocam o uso da droga em si como foco deste drama, ignorando o que de fato está por trás do aumento de seu uso.

A prevenção, por meio da educação e da conscientização, ainda é o melhor caminho para se evitar epidemias de quaisquer drogas. Também é preciso criar uma rede de atendimento aos dependentes que contemple o tratamento médico por meio de centros de referência e a reinserção social e familiar.

A internação compulsória casada à falta de uma estrutura abrangente e que permita aos dependentes serem tratados e ressocializados leva ao risco de as cidades, especialmente São Paulo, ganharem verdadeiros “depósitos humanos”, cuja função seria simplesmente retirar os dependentes das vistas da população, uma resposta higienista que não resolveria efetivamente esta situação e infringiria o direito humano básico à vida, à liberdade e à dignidade.

 

Jamil Murad é médico,  vereador, líder do PCdoB e presidente da Comissão de Direitos Humanos,Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo

Pra que o II Congresso da Juventude do PT?

Recebi a pouco a programação do II Congresso da Juventude do PT. Não pude deixar de me perguntar: qual o sentido deste segundo congresso?

A programação me permite intuir uma resposta: uma mera formalidade para eleger uma nova direção, ou melhor, um/a novo/a secretário/a nacional.

Os comentários que ouço de diversos/as companheiros/as sobre como tem andado o processo do congresso tem sido muito desalentadores, as etapas estaduais, e principalmente, as municipais foram altamente despolitizadas. Não é para menos, diferente do congresso de 2008, não foi criado um clima de debate sobre qual o sentido político-organizativo da Juventude do PT. Não se viu, até agora, teses impressas, artigos publicados. Não há, temas para discussão. E o pior, esta é uma opinião compartilhada por companheiros/as de todas as correntes internas.

Para piorar a situação, parece existir um desinteresse pelo congresso, um processo que teve início com ampla mobilização, parece que chegará a sua etapa nacional com aproximadamente 50% de “quebra” entre a participação da base e a participação dos delegados eleitos. Por quê?

Me recordo que no primeiro congresso haviam discussões calorosas, que polorizavam e politizavam o debate: filiação parcial, PED qualificado, presidente ou secretário, autonomia financeira, autonomia organizativa, paridade de gênero, todos/as que estavam envolvidos no Congresso tinham uma opinião.

Neste segundo, não há temas em discussão, ao menos eles não tem vindo a público. Qual a grande polêmica deste congresso? Qual a tática para disputar a atual geração de jovens?

Estamos no nono ano de nosso governo, um jovem de 20 anos tinha na posse de Lula, em 2003, menos de 12 anos, ou seja, a nova geração de jovens não viveu os anos de resistência ao neoliberalismo, desemprego e desesperança que o governo FHC proporcionou ao país, somos vistos hoje por esta nova geração, em que pese todos os avanços sociais e econômicos, como status quo. Repito, qual a nossa tática para disputar a atual geração de jovens?

Bom, me parece que não estamos muito dispostos a responder tal questão, ou ao menos tentar, pelo menos é o que me parece ao ver a programação de seu congresso nacional, que deverá, ou deveria, reunir o melhor da  militância e dirigentes da JPT. Abaixo a programação completa e alguns comentários em itálico vermelho.

12/11
Dia todo – Recepção das delegações

9h às 19- credenciamento/delegados

10h às 17h – Espaço para reuniões de teses, plenárias auto-organizadas, etc.

19h – Abertura: Nacional e A Internacional Socialista

A Internacional Socialista??? O PT tem por prática manter relações com as diversas famílias da esquerda mundial. Em nosso trabalho internacional na JPT nunca privilegiamos nenhuma das duas principais (IUSY – Social Democracia e FMJD – Juventudes Comunistas), qual o sentido de uma mesa que evoca a Internacional Socialista (ou II Internacional)??? Por que a FMJD não é convidada?

Se vamos trazer algum representante da primavera árabe, principal movimento de massas juvenil no ano, vamos dar a ele 3 minutos???

Mesa:

Rui Falcão (presidente do PT) –  10 min

Valdemir Pascoal (Secretário Nacional de Juventude do PT) – 5 min

Arthur Henrique (Presidente da CUT)

Representantes da JPMDB, UJS, JPPL, JSB, JSPDT – 3 min cada

Clarissa Cunha (Vice-Presidenta da UNE) – 3 min

Severine Macedo (Secretária Nacional de Juventude)  –  3 min

Gabriel Medina (Presidente do Conjuve) – 3 min

Paulo Teixeira (Líder do PT na Câmara) – 5 min

Humberto Costa (Líder do PT no Senado) – 5 min

Representante da IUSY – 3 min

Valter Pomar (secretário-geral do Foro de São Paulo) – 3 min

Representante da “Primavera Árabe” da Tunísia – 3 min

Convidados sem intervenção: Ministros petistas do governo Dilma, Executiva Nacional do PT, deputados federais e senadores do PT, Daniel Iliescu (Presidente da UNE), Carlos Odas, Rodrigo Abel, Humberto de Jesus e Rafael Barbosa “Pops” (ex-secretários nacionais da JPT)

13/11

9h às 19- credenciamento/delegados

10h – Reforma Política, esperança de uma geração.

Mesa:

Henrique Fontana (Presidente da Comissão de Reforma Política da Câmara dos Deputados)

14h – Espaço para organização das teses e outras plenárias livres

16h – Painel “O desenvolvimento que a juventude quer para o Brasil”

Mesa:

Marcio Pochmann (IPEA) – 20 min

Fernando Haddad (MEC) – 20 min

Esther Bemerguy (CDES) – 20 min

Maria do Rosário (SDH) – 20 min

Fernando Anitelli  (Teatro Mágico) – 10 min

Mano GOG (Rapper)– 10 min

“O desenvolvimento que a juventude quer para o Brasil” será integralmente respondido por quem já virou os 30??? Não seriam justamente os jovens petistas que teriam de responder a tal questão???

19h- Debate “O destino das PPJs  é o presente”

Mesa:

Severine Macedo (Secretária Nacional de Juventude) – 10 min

Gabriel Medina (Presidente do Conjuve) – 10 min

Allan Borges (Superintendente de Políticas Públicas de Juventude do Rio de Janeiro) – 10 min

Afonso Tiago (Coordenador de Juventude da Prefeitura de Fortaleza) – 10 min

Gabriel Guimarães (Coordenador da Frente Parlamentar de Juventude da Câmara dos Deputados) – 10 min
Reginaldo Lopes (Deputado Federal) – 10 min
22h – Show das bandas Caco de Cuia e Posto 9

14/11

9h às 12h- credenciamento/delegados

12h às 19h – credenciamento suplentes

10h – Painel “O novo patamar da JPT”

Mesa:

Zé Dirceu (Ex-ministro da Casa Civil) – 20 min

Emir Sader (Sociólogo) – 20 min

Carlos Henrique Árabe (Economista e membro da CEN) – 20 min

Valdemir Pascoal (Secretário Nacional de Juventude do PT) – 10 min

Carlos Odas (Representante dos ex-secretários nacionais da JPT) – 10 min

O chamado “O novo patamar da JPT”, que me parece que seria discussão sobre a organização dos jovens petistas, será uma discussão sobre qualquer coisa, menos “O novo patamar da JPT”. Todos os convidados teriam muito a contribuir com o debate da juventude, mas não nesta mesa.

 

Zé Dirceu, produziu no Instituto Cidadania, no final da década de 90, um estudo sobre reforma política, faria muito mais sentido estar na mesa sobre reforma política.

 

Emir Sader, é um baita analista da conjuntura, deveria estar numa mesa que discute a conjuntura.

 

Carlos Henrique Árabe, é secretário nacional de Formação Política e coordenador da Escola Nacional, deveria estar numa mesa dedicada a este tema.

 

Talvez os dois que façam sentido nesta mesa, sejam os companheiros Valdemir Paschoal, para fazer um balanço sobre a  construção da JPT entre o primeiro e segundo congresso, e Carlão, para buscar o fio histórico na evolução da JPT na última década.

14h – Debate “Os movimentos e as mobilizações da juventude brasileira”

Mesa:

Selma Rocha (FPA) – 20 min

Rosana Souza (Secretária de Juventude da CUT) – – 20 min

Gabriel Landi (GT de Reforma Política da UNE) – – 10 min

Marcha Mundial das Mulheres – 10 min

Representante da “Marcha da Liberdade”– 10 min

Representante da JN13 – 10 min

Representante da Juventude LGBT do PT– 10 min

A companheira Selma Rocha faria todo o sentido na mesma mesa sobre formação e a Escola Nacional, na qual deveria estar o companheiro Carlos Henrique Árabe.

17h –  Concepção e funcionamento da JPT

Mesa:

Representantes das teses – 10 min cada

18h – Grupos de Discussão

Há alguns instantes do jantar, o único momento de grupos de discusssão deverão produzir uma discussão apetitosa.

15/11

9h – Aprovação das resoluções do II ConJPT (regimento, programa político etc)

13h – Defesa de candidaturas

14h – Eleição da nova direção e secretário/a nacional da JPT

Enfim, o momento esperado por todos! E a partir daí é aguardar 2013, pra ver se a JPT resolve discutir aquilo que deveria estar a altura da juventude do maior partido de esquerda da América Latina.

 

 

2° Festival das Juventudes: o canto de um novo mundo

Entre os dias 8 a 11 de outubro ocorre na bela capital do Ceará o 2° Festival Latino-americano das Juventudes em Fortaleza. O tema desta segunda edição será “O canto de um novo mundo”.

Na primeira edição, no ano passado, estiveram presentes cerca de 5 mil jovens de todo o país além de representantes de diversos países. O festival é promovido pela prefeitura de Fortaleza, através da Coordenadoria de Juventude e é impulsionado pelo Fórum Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis.

As inscrições para o segundo festival já estão abertas e podem ser feitas através do seguinte endereço: http://www.fortaleza.ce.gov.br/festivaldasjuventudes/noticia/as-inscricoes-ja-comecaram/

E aqui, você acompanha toda a mobilização: http://www.fortaleza.ce.gov.br/festivaldasjuventudes/

Veja como foi o primeiro Festival: