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Archive for março \25\UTC 2014

Em 2009, o marqueteiro da campanha vitoriosa de Lula foi chamado à El Salvador para comandar o programa de TV, do candidato da FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional). A identidade entre as duas campanhas, vão muito além da histórica identidade entre o Partido dos Trabalhadores e a FMLN, como fica patente nas vinhetas das duas campanhas.

 

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Foto: Daniel Angelim

São Paulo, quinta-feira a noite, 20 de março – Enquanto uma chuva torrencial anunciava o fim do verão, dentro do Teatro Oficina, cerca de 300 pessoas se reuniram para se manifestar pelo direito ao livre manifestar.

Organizado pela campanha “Por que o senhor atirou em mim?”, que discute a violência policial e defende a desmilitarização da polícia, o ato político cultural “Manifestar-se é um direito”, foi convocado a partir da petição eletrônica “Porque num Estado democrático manifestar-se é um direito!”.

O texto pede o fim do uso de armas letais em manifestações, das prisões para averiguação e da interferência no trabalho de jornalistas, advogados e socorristas. A petição exige também, o uso de identificação pelos policiais e a punição dos PMs que praticaram atos de violência física e psicológica. E se posiciona, claramente contra a lei antiterror e outras legislações que possam cercear o livre direito à manifestação.

 

Contra a repressão, a poesia

Com o microfone aberto aos participantes, foi ficando claro que aquele ato seria diferente dos tradicionais realizados pela esquerda e os movimentos sociais. Logo na primeira intervenção, o poema “Acordar coletivo” dispara: “rotina de reação ou ação intencional do Estado” e sugere “então vamos acordar e caminhar lado a lado”.

Foto: Daniel Angelim

Sérgio Vaz, da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), lançou: “O chicote estrala, mas o povo não se cala”. E ironizou a violência policial na periferia, “vocês sabem que esse barato de bala de borracha, lá na comunidade tem muita gente com inveja disso, se tivesse bala de borracha muito mano estaria vivo”. Segundo Vaz, “milagres acontecem quando a gente vai à luta”.

 

Extermínio da Juventude Negra

Além das falas em defesa do direito à manifestação, um tema presente em grande parte das intervenções foi a violência policial, em especial a cotidiana, sentida na pele por jovens da periferia, em particular os negros, principais vítimas dos abusos de autoridade e dos assassinatos.

O rapper Dexter lembrou que o hip hop tem sido responsável por salvar a vida de milhares de jovens no Brasil e no mundo, mas ainda assim é discriminado, em especial pela polícia.

Os casos de Cláudia Silvia Ferreira, auxiliar de limpeza, que foi baleada e depois arrastada por 250 metros por um carro de polícia, e de Amarildo Dias de Souza, ajudante de pedreiro que foi preso, morto e teve o corpo desaparecido, também foram lembrados como vítimas da polícia.

 

Política e música

“A violência pessoal que sofri, de certa forma, é uma violência que atinge a todos, no dia 13 de junho, a PM não atirou contra o fotografo, atirou contra a sociedade. É uma violência que atinge a todos”, afirmou Sérgio Silva, fotógrafo que perdeu a visão de um dos olhos após ser atingido por uma bala de borracha.

Sarah de Roure, da Marcha Mundial das Mulheres, apresentou o vídeo “Que o Estado pare de invadir nossos corpos!”, que relata a revista vexatória realizada por policiais durante a abordagem à manifestantes durante protesto realizado em 25 de outubro de 2013.

Foto: Rodrigo Erib

Também falaram o deputado federal Ivan Valente e o Senador Eduardo Suplicy. Valente afirmou que apesar das manifestações recentes de junho, a sociedade tem observado o aumento da violência homofóbica, casos de racismo nos campos de futebol, além das nefastas posições de ruralistas contra a demarcação de terras indígenas e quilombolas. O deputado lembrou também o caso da manual do Ministério da Defesa que criminalizava movimentos sociais, “na nossa opinião, exército não tem que ir pra rua fazer nenhum tipo de guerra com a população”.

Já Suplicy, ao mencionar que algumas pessoas sentem saudade da ditadura militar e promovem marchas como a de 1964, recordou que além das mortes e torturas, o regime militar proibiu a livre manifestação, inclusive a cultural, como quando proibiram o show de Joan Baez no TUCA na PUC/SP. Ao lembrar do fato, entoou a canção da artista, “Blowin in the Wind” que marcou o movimento contra as guerras do Vietnã e Iraque.

 

Novo encontro marcado

As atividades da campanha prosseguem. No dia 1º de abril, data que marcará o 50º aniversário do golpe militar contra o governo de João Goulart, está sendo convocada uma manifestação que culminará na entrega de um documento no Ministério Público, cobrando a punição dos policiais que cometeram abusos e da petição no escritório da Presidência da República na Avenida Paulista.

As ações podem ser acompanhadas através da página: facebook.com/porqueatirouemmim?

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