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Archive for the ‘Memória’ Category

Em 2009, o marqueteiro da campanha vitoriosa de Lula foi chamado à El Salvador para comandar o programa de TV, do candidato da FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional). A identidade entre as duas campanhas, vão muito além da histórica identidade entre o Partido dos Trabalhadores e a FMLN, como fica patente nas vinhetas das duas campanhas.

 

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moedaempeEm 1936, deu Palestra Itália. Em 1937, 38 e 39, deu Corinthians. Em 1940, Palestra Itália. Em 1941, Corinthians. Em 1942, Palmeiras (o antigo Palestra Itália).

O campeonato paulista era assim: jogava-se uma moeda para o alto, se desse cara era Palmeiras campeão, se desse coroa, o Corinthians levava a taça. E o São Paulo FC? Só se a moeda caísse em pé.

E em 1943, há 70 anos, o improvável aconteceu: a moeda caiu em pé! E desde então, ano sim, ano não, o São Paulo é campeão!

Leia a história completa no post “Quando a moeda caiu em pé – Por Dr. Catta-Preta”

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Já tratei do tema do voto aos 16 no post “Começa a campanha pelo voto aos 16 anos do TSE, conheça alguns materiais já produzidos pela JPT”, onde divulgava alguns materiais que produzi nos anos de 2004 e 2006 para as secretarias nacional e estadual de São Paulo da JPT.

 Em 2010, como coordenador de comunicação da JPT nacional, fui responsável por produzir a nossa campanha, que teve como título “As escolhas da juventude mudam a história”, como era o ano em que apresentávamos a companheira Dilma, como nossa candidata a presidenta, a proposta era falar que foram as opções que ela fez em sua juventude que fizeram com que ela se tornasse a primeira presidenta do Brasil (bom, naquele momento ela ainda não era, mas depois como sabemos acabou sendo).

 Na campanha, executada por uma agência do Rio Grande do Sul (que por esquecimento vou ficar devendo os devidos créditos), usamos como personagens figuras históricas, que em sua juventude fizeram opções que mudaram os rumos da história, foram eles: Che Guevara, Pagú, Chico Mendes e Zumbi dos Palmares.

 Produzimos panfletos, com as quatro personagens, adesivos e cartazes. Fizemos um hot site e atuamos nas redes sociais. Foi uma campanha interessante. Mas ficou faltando o vídeo, que o PT não topou pagar (ta aí a importância da gestão financeira autônoma da juventude).

 

Aqui estão disponíveis os materiais daquela campanha, fico devendo os arquivos abertos, para quem quisesse trabalhar com eles, mas infelizmente não tenho no meu computador.

 

Adesivo

Cartazes (baixa)

Cartazes (alta)

Folder (baixa)

Folder (alta)

Volante (baixa)

Volante (alta)

 

Aproveito e publico as orientações que divulgamos para a militância organizar a campanha:

 

Orientações para organizar a campanha no seu estado ou sua cidade

 

Aqui estão reunidas algumas sugestões de como construir as ações da campanha. É fundamental que as JPTs estaduais, além de socializar com os municípios os materiais enviados pela nacional, produzir materiais próprios, sempre utilizando a marca nacional. Isso é importante para que a campanha tenha mais capilaridade e para que os estados possam divulgar seus contatos (telefone, e-mail, endereço, blog etc).

 

Será também tarefa das estaduais estimular a realização de agendas nos municípios, essas atividades poderão ser:

 

• Atos de lançamento da campanha: os atos podem ser atividades de rua ou reuniões/plenárias onde a JPT local defina um calendário de atividades e ações

 

• Realização de atividades em escolas de ensino médio: a primeira fase da campanha é direcionada aos jovens que tem 16 e 17 anos, o principal ponto de concentração nesta faixa de jovens, são escolas de Ensino Médio, portanto, este é um espaço privilegiado para realizar panfletagens

 

 

• Panfletagens e atos em pontos estratégicos e de concentração de jovens: além das escolas, em toda cidade há praças e/ou pontos de encontro dos jovens. Estes locais devem ser mapeados e alvo de atividades da campanha. Estas atividades, sempre que possível, devem ser agregadas a atividades culturais, tais como teatro, hip-hop, grafitagem, música etc

 

• Inserções em rádios: um dos materiais de campanha da JPT serão as inserções para rádio, mapear e distribuir os arquivos de áudio para as rádios comunitárias são uma boa forma de difundir a campanha para um número maior de pessoas.

 

 

• Disseminação na Internet: a campanha terá grande fluxo e materiais para Internet, os boletins eletrônicos, distribuídos pela nacional, podem ser adaptados para que as estaduais e municipais possam agregar informações, tais como mobilizações locais e/ou contatos.

 

• Relação com os movimentos juvenis e com os Cartórios Eleitorais: Outra ação que devemos estimular é a partir de nossa presença nos movimentos sociais, particularmente Grêmios e Uniões Municipais de Estudantes Secundaristas, que podem procurar os cartórios eleitorais e buscar a realização de parcerias, que levem os funcionários para dentro das escolas. Essa iniciativa pode ser realizada também nos bairros ou em locais de concentração de jovens, tais como Centros de Referência de Juventude e/ou telecentros.

 

• Cadastro de simpatizantes: Como nossa ação prevê além do alistamento eleitoral, o diálogo à participação e o convencimento à filiação no PT, deve ser parte de nossas atividades da campanha pelo voto aos 16 anos, o recolhimento dos contatos dos jovens. Nas panfletagens que realizarmos, devemos sempre estar munidos de fichas de cadastro para pegar o nome, telefone e e-mail. Essa ação é fundamental para o momento seguinte de filiação, sem o contato não temos como convidar para uma reunião ou outra atividade futura.

 

• Fotos e vídeos: É muito importante também o registro destas atividades, para avaliação e divulgação posterior. Portanto, é sempre bom levar uma câmera fotográfica nas atividades, além de tirar fotos e possível gravar vídeos com a galera em ação e com depoimentos dos jovens.

 

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No post anterior, falei sobre o processo de privatização da Telebrás. Para conhecer mais sobre o verdadeiro assalto ao patrimônio público, que foi o processo de privatização no Brasil durante o governo FHC, vale a pena ler o livro “O Brasil privatizado: Um balanço do desmonte do Estado”, do saudoso jornalista Aloysio Biondi, disponível para download na Biblioteca Digital, no site da Fundação Perseu Abramo.

 

Ainda sobre o processo de privatização, Biondi também publicou um segundo livro sobre o tema, também disponível para ser baixado, assim como outros títulos da editora da Fundação Perseu Abramo. E o melhor, tudo de graça.

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Nos últimos dias bateu uma febre de nostalgia do ano de 2001. Pelo fato de já se ter passado 10 anos, vários companheiros resolveram lembrar a greve das federais, evento que teve a participação ou foi o início da militância de diversas pessoas que protagonizaram outros momentos importantes do movimento juvenil na década dos 2000.

Em meio a esse clima, foi criado um grupo no Facebook para lembrar os 10 anos de outro evento: o Encontro Nacional da JPT. Para quem não lembra (ou não viveu), este encontro elegeu o companheiro Rodrigo Abel para a secretaria nacional da JPT, ele disputou o segundo turno contra meu camarada Luís Cláudio Messa Longo, na época (assim como eu) militante da antiga corrente interna do PT, Força Socialista.

O encontro foi muito disputado, Luís Cláudio foi ao segundo turno com o apoio da DS, superando Adriano Oliveira, da Articulação de Esquerda, que estava em ativa campanha desde o Congresso da UNE, que ocorrera no meio do ano (se não me engano o ENJPT ocorreu no final do segundo semestre).

Já no segundo turno Abel superou Luís Cláudio por uma diferença (se não me engano) de 9 votos – contados às 2 horas da manhã, por Silvinho Pereira (na época, secretário de Organização do PT) em uma praça onde ficava o hotel no qual ocorreu o encontro. Detalhe: o Movimento PT entregou 10 crachás que foram rasgados, viabilizando assim a manutenção do Campo Majoritário à frente da SNJ.

Levaria mais quatro anos para a chamada esquerda do PT dirigir a juventude e impulsionar algumas mudanças, como a realização do I Congresso.

Publico abaixo o texto de Luís Cláudio e de Luis Antônio Papa (que foi naquele processo um dos principais articuladores da intervenção da Força Socialista no encontro) apresentado como tese para os debates.

É interessante notar que o centro da discussão estava no debate sobre concepção de juventude e opressão geracional, isso é decorrência daquele momento de afirmação do movimento juvenil, que passava a ser visto para além do movimento estudantil. Comparado aos textos do Congresso da JPT de 2008, percebemos o deslocamento para a discussão sobre a organização da juventude partidária. Me parece que em partes, ao menos entre os jovens,  aquela geração foi feliz ao afirmar uma política e pode-se hoje fazer a disputa da pauta no partido em outro patamar.

O texto tem outra virtude que é fazer um breve resgate do período de construção da JPT entre os anos de 1991 (primeiro encontro) a 2001. Vale a pena ler!

 

Sobre a Juventude do PT

Por Luis Antônio Papa e Luis Cláudio Messa Longo

 

Introdução

 

O século XX, entre inúmeros aspectos marcantes, foi também o século da juventude. Esta surgiu para não mais sair de moda e de cena. Desde a inovadora experiência do escoteirismo, da juventude comunista da revolução bolchevique, ou da juventude hitlerista, várias das alternativas políticas e ideológicas que se bateram neste período, trataram a juventude como um terreno bastante importante na busca de seus objetivos.

 

A realidade da luta de classes no Brasil, a configuração do sistema político atualmente existente e principalmente, a complexidade e os enormes desafios postos à frente daqueles que pretendem intervir na luta política, orientados pela utopia possível da superação do capitalismo, coloca para nós a necessidade inadiável de ampliarmos a compreensão sobre as características da juventude, sua composição e seu potencial político.

 

Por uma definição de juventude

 

O segmento social que denominamos juventude se caracteriza como uma formação social bastante peculiar, por três fatores, são eles: efemeridade, policlassismo e heterogeneidade.

 

A primeira característica se deve ao fato de possuir a sua determinante em uma temporalidade que necessariamente passará. A condição de “ser jovem” é única e passageira, é ser e estar pleno de potencialidades, como nunca mais voltará a ser, na medida mesma em que ao percorrer sua trajetória de vida, o jovem decide o que é – e o que não é – em cada uma das dimensões do seu ser.

 

A materialização de algumas potencialidades e o abandono/esfriamento de outras, significam definições importantes para o indivíduo enquanto ser social, com as consequências materiais, simbólicas, sociais e políticas daí decorrentes, tais como a escolha da carreira profissional, a composição de uma nova família e as frustrações em relação às potencialidades individuais frustradas.

 

Enfim poderíamos definir que a juventude dura, não só o tempo psicológico que lhe é peculiar, mas além dele, a juventude dura o tempo da construção social do indivíduo. Em outras palavras, na mesma medida em que o jovem afirmar e materializar as identidades e os rumos que traçou para si mesmo – dentro das coletividades onde vive e interage e dentro de um contexto histórico determinado – na mesma medida ele deixará de ser jovem.

 

Após esta passagem, o indivíduo terá a sua identificação social em função da idade, se não totalmente, radicalmente secundarizada em função das identidades sociais, econômicas, existenciais, éticas e políticas que abraçou e/ou rejeitou ao longo da sua vida.

 

A segunda característica advém do fato da juventude ser o segmento social mais amplo e diversificado existente em nossa sociedade, cortando transversalmente a maioria do quadro social existente em um determinado momento.

 

Em outras palavras, a juventude é tanto o patrão, quanto o operário. Profissional liberal, despossuída e abandonada pelo Estado à sua própria sorte. Homossexual, heterossexual e bissexual. Cristã, atéia e mística. Negra, branca, indígena, mestiça e oriental. Mulher e homem. Possui todos os graus de instrução até o superior completo, assim como não teve acesso à escola ou a abandonou. Latifundiária e Sem-Terra. Organizada para a ação política coletiva e alienada. A juventude não possui corporação.

 

Em terceiro e último lugar em função da sua heterogeneidade. É incorreto conceber a juventude como algo homogêneo, mesmo que dentro das identidades ditas acima, de classe, gênero, orientação sexual, afinidade política, religião ou etnia.

 

Cada grupo de jovens que se forma por alguma afinidade comum, dos menores aos maiores, faz da experiência concreta de suas vidas a matéria prima com a qual forjam sua identidade coletiva; os ideais, valores, sentimentos e lealdades, que em boa medida lhes acompanharão pelo resto da vida.

 

Isto porque a capacidade de compartilhar coletivamente diversos momentos da experiência real do indivíduo é um dos mecanismos através dos quais se constroem processos de auto-reconhecimento do ser social em relação ao meio. Dito de outra forma: de maneiras diferentes, mais ou menos politizados, mais ou menos organizados, os diversos grupos de jovens vivem e compartilham experiências entre si.

 

Estas experiências, individuais e coletivas, são compartilhadas e postas à prova segundo o filtro da sociabilidade e/ou valores que cimentam a unidade de cada grupo. Desta maneira são vividas, rejeitadas ou aprovadas, e o grupo permanece, renova-se ou decompõe-se. Em constante movimento as identidades se formam, se modificam e se desfazem.

 

Isto não deve ser visto como uma banalidade por aqueles que não só fazem política, como a fazem buscando construir projetos polarizadores e radicais frente ao mundo. Esta abertura à vivência coletiva que grande parte da juventude vive, é uma porta aberta à política contestatória, de direita ou de esquerda, pois traz em si geralmente à abertura ao novo.

 

Atualizando nossas formulações

Já em 1991, em na nossa tese ao primeiro encontro nacional da JPT, identificávamos (resumidamente) que o ponto de unidade entre os diversos e heterogêneos grupos da juventude era o processo da socialização secundária. O momento de encontro efetivo entre o indivíduo e o Estado, o mercado de trabalho, o desabrochar da fertilidade sexual e tudo o que isto traz, enfim o mundo para além do círculo familiar básico.

 

Isto caracterizaria um momento de conflito interno e com o mundo, que permitiria uma abertura à experimentação e ao questionamento moral, existencial e político. Um momento propício para a disputa de identidades e de projetos políticos radicais, o que dava conta de explicar o porque a juventude esteve presente em diversos momentos intensos da história e porque os revolucionários não deviam furtar-se a disputá-la. Para aquele momento isto nos servia, mas hoje é necessário ir além.

Três questões estão presentes nesta formulação e devem ser repostas em movimento: Transitoriedade X Permanência; Autonomia X Heteronomia; Indivíduo X Coletivo.

 

O contínuo movimento entre as dimensões individual e coletiva, é a chave da compreensão da opressão específica que marca a condição do “ser jovem”.

 

Através do equacionamento – mais ou menos conflituoso – de ambas dimensões do ser humano, se dá o processo de socialização do indivíduo, que não pára no mero choque descrito na formulação de 1991, mas que continua se dando, e pode ser interpretado através das oposições de tempo e poder acima mencionadas.

O momento do choque inicial da socialização secundária só é possível pela existência de um dado novo: o indivíduo é chamado a tomar decisões por si só em um conjunto de esferas às quais, anteriormente ele não possuía a possibilidade de decidir, além de outras esferas novas que não se colocavam perante ele como um problema. Ou seja, o indivíduo é chamado a tomar algumas decisões, a exercer uma certa Autonomia, ao mesmo tempo em que é colocado frente a questões às quais ele não possui capacidade e/ou direito de decidir, questões que são decididas por outros para ele, de maneira Heterônoma.

Por outro lado, a condição do “ser jovem” é radicalmente marcada pelo tempo. É um período intenso que passará, como outras fases do seu ciclo vital e da sua experiência individual e social. Porém se a condição do “ser jovem” tomado na sua dimensão individual dará lugar à outra condição individual, a categoria social heterogênea da “juventude” permanece, mesmo que compreendida de maneira diferenciada ao longo da história.

Pois bem, o choque da socialização secundária é sucedido por outros momentos mais ou menos intensos de socialização no qual se contrapõem as diversas dimensões em jogo e por outros momentos menos tensos, nos quais estas dimensões estão mais equilibradas. Estes momentos mais intensos da socialização são os rituais de passagem, tais como a perda da virgindade, o vestibular, o primeiro emprego, etc.

Podemos imaginar um processo de socialização no qual os momentos de auto-reconhecimento do indivíduo em si, e com o meio, se realizam também nos diversos rituais de passagem aos quais o jovem é chamado a enfrentar. Estes momentos críticos marcam para si e para os grupos sociais aos quais ele pertence, que ele deixou para traz uma condição anterior, na qual ele era mais subordinado em relação aos outros.

Através das dificuldades inerentes a qualquer ritual de passagem, ele demonstra estar capacitado à galgar novos espaços. Seu prêmio é a entronização em um novo círculo de relações sociais, geralmente hierarquicamente superior, no qual ele possui mais Autonomia em relação a anterior, mais capacidade, portanto mais poder. A Heteronomia continua, mas não da mesma forma nem da mesma intensidade.

Para demonstrar que o indivíduo é apto para este novo círculo, ele deverá, por outro lado abandonar aspirações, visões de mundo, desejos, práticas, além de alguns elementos simbólicos e comportamentais da sua condição anterior.

Ele deverá negar parte da sua condição de jovem, o que é a reafirmação para o grupo todo, de que a condição do jovem é uma condição inferior, fadada a ser superada individualmente. Desta maneira ele é re-socializado em um outro nível de igualdade.

Portanto, ao se completar o processo real da transitoriedade do jovem na sua condição individual, ou seja, depois de alguns momentos de re-socialização, realizasse uma troca, na qual ganha-se Autonomia em troca do abandono de uma condição.

Porém a outra face da moeda, é que esta reafirmação da condição subalterna do “ser jovem” que é abandonada aos poucos pelo indivíduo, é reafirmada, atemporariamente para a juventude, para os jovens enquanto categoria social.

O que é a afirmação da conquista da Autonomia para um indivíduo tomado isoladamente é, ao mesmo tempo, a negação da Autonomia para a sua expressão coletiva e permanente, a juventude.

Isto por que aquela reafirmação eterniza e/ou reafirma simbólica e praticamente: o exercício das diversas maneiras de opressão sobre os jovens; as esferas sociais atuais de poder existentes, ou status quo, reafirmando os pilares de uma cultura política desigual e autoritária na qual a condição humana de uns é mais integral e plena do que a de outros.

Em relação à este processo diversas instituições sociais mantém uma relação semelhante com o jovem, sejam eles Partidos, Sindicatos, Igrejas, Postos de trabalho, Estado ou Família. Por um lado, oferece a socialização/enquadramento, por outro lado apropria-se dele a partir de uma lógica utilitária, visando a sua manutenção e reprodução social.

Frente estas instituições o jovem é mão-de-obra barata e/ou desqualificada e desprovido de maiores conhecimentos técnicos/experiência/autoridade. Ao mesmo tempo ele é instrumento de oxigenação parcial das suas estruturas de funcionamento e de poder, além de servir de manancial de futuros quadros dirigentes para as respectivas instituições. Este último seria seu aspecto mais importante, pois garantiria a permanência da instituição, reproduzindo em suas estruturas hierárquicas internas, a mesma condição de humanidade de segunda categoria da juventude.

Se esta caracterização é correta, a esquerda revolucionária tem um problema. Ao não compreender o jogo de poder ao qual submete o jovem e a juventude, ao reproduzir os esquemas, processos, ritos e discursos de re-socialização do jovem que as outras instituições sociais realizam, a esquerda revolucionária reafirma em si mesma a reprodução daquilo que pretende superar historicamente, que é a desigualdade da condição humana.

Desta forma fere profundamente a sua prática política emancipatória e se impõe um limite, que se revela em maior ou menor grau, quando as esferas de governo e de poder são pautadas e/ou alcançadas. Isto de maneira alguma é uma contradição para as instituições sociais que não se pretendem emancipadoras da condição humana, uma vez que faz parte de seu projeto histórico repor criativamente os diversos processos de desigualdade entre os seres humanos.

 

Juventude e Socialismo

Cabe, portanto à juventude, uma luta constante pela realização plena da sua Autonomia, hoje e amanhã, em todos os espaços de sua vida social. Somente com a superação da reprodução cotidiana da desigualdade entre os seres humanos, base existencial do modo capitalista de produção, abrem-se as condições para a realização plena da sua “utopia particular”: realizar seus processos de socialização individuais sem contudo condenar-se eternamente à uma condição de sub-igualdade enquanto coletivo.

 

Mais do que em qualquer momento pós-queda do muro, a crítica ao capitalismo se avoluma enquanto contestação social de massas. Entretanto o impasse estratégico ainda tolhe os socialistas da capacidade de polarizar globalmente, impedindo que apresentemos hoje, com viabilidade histórica, a superação do atual modo de produção.

 

Para piorar a nossa situação, cresce entre a juventude um amplo descrédito da atuação política organizada coletivamente, seja pela institucionalização burocrática dos partidos de esquerda, seja pela consolidação cada vez mais ampla do apelo à saída individual.

 

Anarquistas por um lado, voluntaristas por outro, além dos adversários tradicionais, disputam espaço na juventude, não só do ponto de vista das tarefas conjunturais e da agenda política: disputam as consciências em movimento dos jovens, as suas experiências e identidades.

Ou disputamos hoje a idéia, as experiências e as práticas da juventude para um projeto socialista, ou perderemos espaço à médio prazo. Esta disputa deve se dar no movimento social organizado, naquele que nós ajudamos a impulsionar e entre nós, nas instituições das quais fazemos parte.

Porém a luta pelo socialismo na juventude possui também e centralmente fundamentos na impossibilidade da manutenção, que dirá ampliação, do atual modelo de consumo das reservas de matérias primas, pelo desequilíbrio ecológico progressivo que ameaçam em longo prazo a própria existência da humanidade.

Outro elemento fundamental é o extermínio da esperança no futuro que o modelo neo-liberal impõe aos jovens trabalhadores do mundo, adicionado pelo fato concreto de que as maiores vítimas da violência, desesperança e abandono resultantes da desconstrução social capitalista de hoje é a juventude.

 

A luta pelo Socialismo e a juventude

 

Se amplos setores da juventude fazem parte do bloco histórico materialmente e ideologicamente interessado na ruptura com o capitalismo, não devemos abandonar à própria sorte os nossos trabalhos políticos na juventude.

 

Devemos construir e aprimorar o nosso trabalho na juventude, enraizando-nos nas mais diversas experiências da juventude, mas principalmente no meio popular, de maneira a que consigamos colocar na agenda política nacional as sua demandas concretas.Disputar e construir a idéia do socialismo entre a juventude, das mais diversas formas através das quais se expresse a condição emancipatória desta luta. Assim sem dúvida, acrescentamos força à construção de uma contra-hegemonia dos trabalhadores em nosso país.

 

Porém para enfrentar concretamente estas tarefas precisaremos pautar o debate de como intervir organizadamente na, junto e com a juventude. Hoje este debate precisa ser retomado entre nós de uma maneira mais completa, com a formulação de métodos alternativos e criativos aos até aqui desenvolvidos pelas esquerdas. Porém esta limitação política de elaboração e de organização, não deve servir de desculpa para a secundarização da prática política organizada na juventude entre nós.

 

Precisamos partir das organizações existentes, dos seres humanos realmente existentes para construirmos novos modelos de organização e uma nova condição humana. Só a partir deste trabalho concreto no hoje e no agora, superaremos politicamente as nossas limitações teóricas e práticas no trabalho de juventude, ao mesmo tempo em que ganhamos legitimidade para construir o futuro. Abandonar os nossos espaços de atuação em favor de algo que ainda não desenvolvemos ou que não elaboramos, é absolutamente temerário.

 
Disputar a JPT

Do ponto de vista do trabalho no setor, a SNJ se encarada fechada em si mesma, deslocada de uma linha de massas, de uma experiência de trabalho real, de um lastro político seria sem dúvida uma ilusão burocrática. Nós da esquerda do PT possuímos tanto ou mais acúmulo político sobre a juventude do que qualquer outro campo do PT; possuímos experiências de trabalho real no setor que são as bases das nossas formulações e oferecem respeitabilidade para as nossas disputas neste setor.

 

Um exemplo foi a experiência vitoriosa de construção da SNJ no início dos anos 90, que é sempre lembrada pela suas marcas de funcionamento democrático e unitário e que trataremos mais adiante.

Mais recentemente uma das experiências mais ousadas de políticas públicas voltadas para atender as demandas da juventude é o Orçamento Participativo da Juventude da Prefeitura de Belém. Idealizado a partir do reconhecimento de que o atendimento destas necessidades deve ser fruto da construção do jovem na política, através da afirmação da condição de protagonista de experiências específicas.

A necessidade de re-elaborarmos constantemente as nossas visões sobre a juventude e de construirmos uma linha de massas para a JPT não são impeditivos da disputa pela sua reconstrução. São pressupostos para ela, pois só assim mobilizamos rapidamente em escala nacional os coletivos mais à esquerda para enfrentar estas lacunas.

A necessidade de prepararmo-nos para redirecionar nosso trabalho para a consolidação na periferia e no meio popular também não se contrapõe a esta disputa, muito pelo contrário, porque através da SNJ teremos uma plataforma de lançamento de políticas em escala nacional, para todos os segmentos da juventude. Sem tergiversações, a SNJ poderá vir-a-ser para nós, um espaço muito útil para a construção e consolidação de uma política socialista nos espaços onde nós atuamos e atuaremos no pós-2002.

Acreditamos, portanto, que apesar de esvaziado do poder de voto na executiva nacional, existem condições reais para a construção de uma política de esquerda a partir da SNJ, voltada para enfrentar algumas das principais necessidades atuais da luta de classes no Brasil.

 

Crise, Resistência e Declínio da JPT, 1991-2001.

A partir de1991 aJPT enfrenta o reflexo da crise na sua principal área de atuação, o ME universitário. A derrota no CONUNE daquele ano foi enfrentada da melhor maneira possível, em um cenário que podemos caracterizar hoje de resistência política, ideológica e organizativa.

 

Até 1993, fim da gestão da Força Socialista à frente da SNJ, os esforços de todas as correntes do PT organizadas na juventude, à exceção de OT e CS que sempre tiveram projetos próprios avessos à unidade, foram concentrados na criação de uma organicidade para a JPT.

 

Formação política, comunicação, seminários de planejamento, realização permanente de fóruns para a discussão política e tomada democrática de decisões, ocupação de espaços no PT, diálogo com intelectuais visando à identificação dos aspectos centrais da condição do jovem, além do esforço na implantação de instâncias de juventude do PT nos estados e principais municípios.

 

Mesmo já em decadência no ME, paralela à consolidação da maioria da UJS na UNE, a JPT manteve a capacidade de tomar iniciativa, como foi o caso em 1993 do MUDE (Movimento UNE Democrática) com sua principal bandeira, as diretas para a UNE, perdurando até hoje. Iniciativa da Articulação como resposta à ofensiva do PCdoB em 1992 com o Fora Collor, e que na nossa leitura  naquela época, contribuiria para enraizar a UNE nas universidades.

 

Estas ações só foram possíveis até então, além do que já foi dito acima, pelo fato de que era consenso entre as forças do PT até 1993, que o partido deveria intervir unificadamente no movimento estudantil. Consenso rompido naquele ano com um veto da Art. à FS no DCE da USP, e depois consolidado em escala nacional pela aliança da UL com o PCdoB no CONUNE de 1997.

 

O esgotamento do método que combinava democracia/ação unitária foi o elemento central do processo de decadência política que perdura até hoje na JPT.

 

Entre outras características e sintomas desta decadência já eram perceptíveis: a crise permanente que envolvia a construção dos fóruns de juventude do PT precarizando a sua política; o esvaziamento de uma política organizativa para a JPT; a redução efetiva das ações da JPT ao ME e a redução progressiva da presença dos petistas nos fóruns e espaços de direção do ME. Qualquer semelhança daquele momento com o atual, não é mera coincidência.

 

As causas da decadência da JPT e do crescimento da UJS foram respectivamente: a decomposição do núcleo dirigente da principal força petista universitária da época, a Art. a falência da experiência da unidade petista, resultando na paralisia, abandono e decadência da SNJ.

 

Posteriormente, a ausência de um pólo organizador minimamente legítimo entre a juventude do PT, teve um efeito desestruturador na política, permitindo o desenvolvimento de traços perniciosos da política tradicional e inviabilizando a contenção do crescimento da UJS.

 

Outro fator importante foi o início da descaracterização do PT, em curso no pós-89, que redundou na paralisia diante o governo Collor –o que pela primeira vez na história colocou o PCdoB à nossa esquerda e teve um impacto agudo entre @s petistas, a começar pela base.

 

Ao contrário do PT e da maioria das suas tendências internas, o PCdoB nunca menosprezou o papel da juventude para a construção do socialismo e para a sua construção partidária. Enquanto o PT, por ironia da história, quando começou a produzir uma linha partidária no setor, foi derrotado no seu segmento mais dinâmico, o universitário; esses companheiros nunca descuidaram da sua construção.

 

Independentemente das críticas que temos, é inegável que a permanência deste partido no ME deve ser analisada a frio, devendo-se a alguns fatores tais como: acompanhamento político dos principais quadros; interface estável entre as estruturas de juventude e os órgãos de direção do partido; investimento material e humano; clareza de objetivos táticos e estratégicos; uma formação política sólida e a preparação moral para a execução de um arsenal de maldades, como bons stalinistas que são.

 

Porém, para além da eficiência gerada pelos fatores organizativos acima descritos, neste período histórico de1992 a1997 algumas maldades planejadas foram fundamentais. A ascensão da UJS foi possível, principalmente, graças a implantação do esquema mafioso administrado pelo consórcio PCdoB/MR8/máfias regionais, de captação de recursos dos estudantes, também conhecido como carteirinhas. Foi a política de massas mais bem sucedida na UNE nos últimos tempos.

 

Secundariamente outro fator relevante para a manutenção da maioria do PCdoB foi, no momento imediatamente posterior à queda de Collor, o impedimento às iniciativas de horizontalização e democratização da estrutura política da UNE, o que inviabilizou a implantação de amplas bases de massa à entidade. Ao contrário das gestões petistas, envolvidas por um sentimento difuso de mudança e democratização, as gestões do PCdoB se encaixam como luvas nas estruturas verticalizadas da UNE.

 

Voltando ao PT, entre 1995 e1999 acrise instalada no interior da JPT adquiriu e/ou aprofundou vários aspectos: burocratização; aparelhismo; passividade ou concordância com a compreensão utilitária da juventude; gangsterismo; esvaziamento, desrespeito e fraudes dos fóruns partidários; submissão aos padrões de luta política impostos pela hegemonia do PCdoB no ME, entre outros.

 

Frente à profunda decadência em sua fileiras, a Unidade na Luta (novo nome da Articulação) dá dois golpes mortais no mito da unidade petista, a unidade com o PCdoB no CONUNE de 1997 –que já foi citado- e a eleição do atual secretário nacional de juventude da maneira como acompanhamos.

 

Frente à esta balanço nós temos dois caminhos:

O primeiro caminho começa geralmente com a busca de interesses de curto prazo; passa pela reafirmação de desconfianças seculares; afunila-se com tentativas de construção unitária, sempre superficiais e pouco embasadas na discussão política; e deságua no impasse que vivemos hoje, onde as vitórias políticas, se resumem a manutenção de espaços políticos no movimento.

 

O segundo caminho deve se iniciar com a reconquista da democracia como método de construção da política; deverá percorrer a trilha das instâncias e fóruns partidários; se guiar por objetivos e horizontes estratégicos, para enfim se consolidar na reconquista da unidade política possível. Este é o caminho que a Juventude da Força Socialista têm a propor ao conjunto da esquerda partidária.

 

Para nós esta è a base possível para enfrentar a tarefa necessária na atual conjuntura para as correntes da JPT. A tarefa da reconstrução é tarefa de todos nós por dois motivos muito simples.

 

  1. Sem a sua reconstrução, a capacidade que nós petistas, temos para disputar o socialismo em meio à juventude fica bastante precarizada, ainda mais que entre nós não proliferam alternativas abstenseístas em relação ao PT.

 

  1. Sem medo de errar, podemos dizer que a tarefa da reconstrução da SNJ cabe aqueles setores que ao longo da história se comprometeram com este método que aqui propomos, democracia/unidade. Repousam na esquerda, os setores que colocam à frente de seus projetos específicos de crescimento, a compreensão da necessidade de reconstruir a JPT. A Unidade na Luta deve reconhecer que sua aposta recente à frente da SNJ foi um fracasso, e dada a violência política com que se caracterizou, não lhe resta autoridade moral no presente momento, para esta tarefa.

 

 

Elementos para um programa para a JPT

  • Luta pelo socialismo ontem e hoje: Contra hegemonia, valores, ideais, condição humana.

 

  • Elementos para uma política voltada para a juventude. A juventude sofre a tragédia social do neoliberalismo. Violência, desesperança (tráfico, modelos e craques) desemprego.

 

A juventude e a disputa política e eleitoral hoje. Contra hegemonia, potencial eleitoral.

 

Tarefas do período

 

  1. 1.   Reconstruir a JPT
  • Funcionamento das instâncias partidárias: Método (ação coletiva, democrática e unitária) e Propostas (Formação, Comunicação, Fóruns estaduais de produção da política do PT para o ME, Organizar as juventudes das Macro-regiões, Plenárias anuais e Reuniões bimestrais do coletivo de Juventude)

 

  • Constituir a JPT para além do ME

 

  • Estabelecer contato permanente com as diversas regiões do estado

 

  • Intervir na vida cotidiana do PT

 

  • Eleições 2002

 

  1. 2.   Lutas anticapitalistas, anti-imperialistas e pela soberania nacional (Combate à ALCA, Plano Colômbia

 

  1. 3.   Campanhas gerais:

 

 

  1. 4.   Colocar na agenda política nacional as demandas da juventude
  • Implementação de políticas públicas voltadas para atender as demandas da juventude: OPJ e Estação Juventude

 

São Paulo, inverno de 2001.

Luís Antônio Papa e Luís Cláudio Messa Longo são ex-militantes da Juventude do PT

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Está previsto para acontecer este ano o 2º Congresso da Juventude do PT, será um momento importante para avaliar o que avançou, o que faltou avançar e principalmente reaquecer no partido o debate sobre a organização da juventude.

 

Sem dúvidas, a realização do 1º Congresso da JPT foi a grande acontecimento na vida da juventude partidária, pelo menos, na última década.

 

Mas o que talvez alguns não saibam é que para chegar no primeiro congresso tivemos de passar pelo terceiro, no caso, o 3º Congresso do PT, em setembro de 2007, ou oito meses antes da etapa nacional do nosso congresso.

 

Aqui você confere o material que panfletamos aos delegados. Como parte da tática para ter uma forte presença de jovens no congresso do partido, realizamos dias antes uma jornada de formação política, que foi fundamental para preparar a nossa turma para convercer os delegados. Além disso, precisou muita pressão para que além de aprovada a resolução de juventude, houvesse defesa da proposta em plenário, feita pelo companheiro Rafael Pops.

 

Enfim, foi muito bom. O desafio agora é realizar processo similar e retomar o nível de formulação daquele momento. O encontro estatutário pode ser um bom momento…

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O título do post é na verdade o nome de uma série de 10 documentários exibidos pela TV Cultura em 1997. Dirigido e produzido pelas repórteres Neide Duarte e Maria Cristina Poli, cada episódio conta a história de um tradicional bairro de São Paulo. O primeiro (abaixo) é sobre o Bixiga, o bairro italiano de São Paulo.

Passei um tempão atrás desta série para poder revê-la, bem consegui só o primeiro, mas para todo paulistano, e para aqueles que gostam da cidade, vale a pena pesquisar para assistir os demais. Se eu achar publico os outros.

 


 

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