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Archive for the ‘Movimentos Sociais’ Category

Foto: Daniel Angelim

São Paulo, quinta-feira a noite, 20 de março – Enquanto uma chuva torrencial anunciava o fim do verão, dentro do Teatro Oficina, cerca de 300 pessoas se reuniram para se manifestar pelo direito ao livre manifestar.

Organizado pela campanha “Por que o senhor atirou em mim?”, que discute a violência policial e defende a desmilitarização da polícia, o ato político cultural “Manifestar-se é um direito”, foi convocado a partir da petição eletrônica “Porque num Estado democrático manifestar-se é um direito!”.

O texto pede o fim do uso de armas letais em manifestações, das prisões para averiguação e da interferência no trabalho de jornalistas, advogados e socorristas. A petição exige também, o uso de identificação pelos policiais e a punição dos PMs que praticaram atos de violência física e psicológica. E se posiciona, claramente contra a lei antiterror e outras legislações que possam cercear o livre direito à manifestação.

 

Contra a repressão, a poesia

Com o microfone aberto aos participantes, foi ficando claro que aquele ato seria diferente dos tradicionais realizados pela esquerda e os movimentos sociais. Logo na primeira intervenção, o poema “Acordar coletivo” dispara: “rotina de reação ou ação intencional do Estado” e sugere “então vamos acordar e caminhar lado a lado”.

Foto: Daniel Angelim

Sérgio Vaz, da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), lançou: “O chicote estrala, mas o povo não se cala”. E ironizou a violência policial na periferia, “vocês sabem que esse barato de bala de borracha, lá na comunidade tem muita gente com inveja disso, se tivesse bala de borracha muito mano estaria vivo”. Segundo Vaz, “milagres acontecem quando a gente vai à luta”.

 

Extermínio da Juventude Negra

Além das falas em defesa do direito à manifestação, um tema presente em grande parte das intervenções foi a violência policial, em especial a cotidiana, sentida na pele por jovens da periferia, em particular os negros, principais vítimas dos abusos de autoridade e dos assassinatos.

O rapper Dexter lembrou que o hip hop tem sido responsável por salvar a vida de milhares de jovens no Brasil e no mundo, mas ainda assim é discriminado, em especial pela polícia.

Os casos de Cláudia Silvia Ferreira, auxiliar de limpeza, que foi baleada e depois arrastada por 250 metros por um carro de polícia, e de Amarildo Dias de Souza, ajudante de pedreiro que foi preso, morto e teve o corpo desaparecido, também foram lembrados como vítimas da polícia.

 

Política e música

“A violência pessoal que sofri, de certa forma, é uma violência que atinge a todos, no dia 13 de junho, a PM não atirou contra o fotografo, atirou contra a sociedade. É uma violência que atinge a todos”, afirmou Sérgio Silva, fotógrafo que perdeu a visão de um dos olhos após ser atingido por uma bala de borracha.

Sarah de Roure, da Marcha Mundial das Mulheres, apresentou o vídeo “Que o Estado pare de invadir nossos corpos!”, que relata a revista vexatória realizada por policiais durante a abordagem à manifestantes durante protesto realizado em 25 de outubro de 2013.

Foto: Rodrigo Erib

Também falaram o deputado federal Ivan Valente e o Senador Eduardo Suplicy. Valente afirmou que apesar das manifestações recentes de junho, a sociedade tem observado o aumento da violência homofóbica, casos de racismo nos campos de futebol, além das nefastas posições de ruralistas contra a demarcação de terras indígenas e quilombolas. O deputado lembrou também o caso da manual do Ministério da Defesa que criminalizava movimentos sociais, “na nossa opinião, exército não tem que ir pra rua fazer nenhum tipo de guerra com a população”.

Já Suplicy, ao mencionar que algumas pessoas sentem saudade da ditadura militar e promovem marchas como a de 1964, recordou que além das mortes e torturas, o regime militar proibiu a livre manifestação, inclusive a cultural, como quando proibiram o show de Joan Baez no TUCA na PUC/SP. Ao lembrar do fato, entoou a canção da artista, “Blowin in the Wind” que marcou o movimento contra as guerras do Vietnã e Iraque.

 

Novo encontro marcado

As atividades da campanha prosseguem. No dia 1º de abril, data que marcará o 50º aniversário do golpe militar contra o governo de João Goulart, está sendo convocada uma manifestação que culminará na entrega de um documento no Ministério Público, cobrando a punição dos policiais que cometeram abusos e da petição no escritório da Presidência da República na Avenida Paulista.

As ações podem ser acompanhadas através da página: facebook.com/porqueatirouemmim?

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Documento para debate interno no PT, elaborado por militantes petistas de diversascorrentes internas para diálogo com a direção e militância do partido.

1. O Partido dos Trabalhadores foi forjado nas lutas democráticas, por justiça social no Brasil. O PT construiu sua trajetória, ao longo dos anos, calcado na luta das ruas e, nos últimos 10 anos, com Lula e Dilma à frente da Presidência da República. Apresentamos políticas governamentais que elevaram a qualidade de vida do povo brasileiro, ajudando a elevar sua condição econômica, social, cultural e tirando milhões de famílias da miséria. Isso nos enche de orgulho como militantes petistas!

2. Porém, nosso partido ficou aquém da capacidade de compreender a necessidade de disputar à esquerda os valores, ideais e as pautas históricas forjadas nas lutas que derrubaram a ditadura. Essa incapacidade, aos poucos, abriu um vácuo enorme entre nós e os movimentos sociais, organizados historicamente pelo campo progressista.

3. Já há algum tempo, temos colocado que o PT tinha uma capacidade limitada dedialogar e organizar os anseios da Juventude:

“Contudo, uma constatação deve ser feita: a organização e o diálogo com a juventude nunca foi uma prioridade política para o Partido dos Trabalhadores. Essa identificação da juventude com o partido sempre esteve presente pelo caráter transformador da sociedade que o PT representa e pelo seu ineditismo com expressão política de esquerda no Brasil. Também pela sua forte inserção nos mais diferentes movimentossociais, ou seja, os jovens se identificam com nosso Partido em razão do seu programa geral e não porque o Partido tenha uma política voltada para a disputa deste setor. Se levarmos o problema de organização da juventude para nossaintervenção nos movimentos juvenis, a situação é aquém da capacidade demobilização real do PT. Hoje, não conseguimos ocupar em nenhuma das frentes de luta dos movimentos juvenis uma posição de centralidade. Atuamos de maneira fragmentada e, em geral, levando as disputas internas para o seio dos movimentos”

Resolução Concepção e Funcionamento, I Congresso da JPT, maio de

2008.

4. Considerando a nossa presença há mais de 10 anos no Governo Federal, há umagrande geração que não conhece o PT fora da institucionalidade. Associa a ele não maisa transformação, mas sim o status quo. Isso é agravado pela forte ofensiva da mídia natentativa de igualar o PT a demais partidos, em um senso comum despolitizador epotencialmente anti-democrático: “são todos iguais e corruptos”.

5. As manifestações organizadas a partir da pauta do “passe livre” merecem um olhar cuidadoso por parte das pessoas realmente preocupadas com o desenvolvimento dopaís.Para entendermos a sua complexidade, é preciso nos debruçarmos sobre a dinâmica das redes sociais, bem como de novos movimentos sociais, que não se alinham ao nosso tradicional campo democrático e popular. Além disso, há que se considerar atentamente o papel que a grande mídia cumpriu ao optar pela disputa do conteúdo políticos das mobilizações.

6. Longe de vermos o protesto de forma uniforme, houve um forte e rápido giro político e apropriação da pauta por setores organizados da direita. Isso se deu no interior das redes sociais, que possuem um alto poder convocatório.

7. Nela, como todos podem gerar e reproduzir informações, temos uma (falsa) sensação de igualdade e de estarmos falando entre pessoas com as quais confiamos. Afinal, a informação é repassada por vínculos de “amizade”. Contudo, assim como na mídia, há forte possibilidade de manipulação.

8. O que vimos hoje no Brasil é uma explosão de insatisfações com diversos problemas históricos existentes em nosso país. Ela aponta para transformações estruturais no capitalismo brasileiro em todas as esferas de governo, reivindicando mais eficácia no gasto público com transporte público, saúde e educação.

9. Certamente o PT e a esquerda precisam se debruçar sobre a pauta da reforma urbana e apresentar uma proposta que dispute corações e mentes da sociedade. A mobilidade urbana sempre foi pauta prioritária para discussão da esquerda e dos governos municipais do PT, pois está diretamente ligada à qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros. É preciso ousar e enfrentar os verdadeiros cartéis que dominam as concessões de transporte em todo o país.

10. Alçamos uma importante vitória ao conseguirmos sediar a Copa das Confederações e do Mundo. No entanto, apesar das relevantes alterações nas estruturas de algumas cidades, em outras não ficou nítido para a população qual será o legado positivo que o Brasil deixará ao seu povo ao final das competições. É inegável o mal estar sobre os gastos e nós precisamos dar respostas dignas à população.

11.Mesmo com toda a ampliação da participação popular nas instâncias de representação política, afirmadas nas dezenas de conferências e conselhos de políticas públicas criados, não conseguimos, nos nossos dez anos à frente do governo federal,é preciso garantir espaços de vocalização das demandas que se colocam hoje, nas ruas. As manifestações na rua mostram que, embora tenha havido ganhos expressivos, falhamos no essencial: aproximar o cidadão dos processos de tomada de decisão sobre o dinheiro público. O PTprecisa ter papel ativo no interior do governo, na proposição de novos canais de participação democrática, em todos os setores governamentais, antenados com essa juventude que se expressa e se organiza pelas redes sociais, à esquerda e à direita.

12.Não conseguimos atrair para a militância petista essa parcela da juventude e dasociedade que, genuinamente, coloca suas insatisfações e sua crítica contundente ao sistema político e aos partidos. Sabemos que o PT é um dos partidos em que há maior democracia interna. As eleições diretas para nossas direções são prova disso. Mas, após tantas alianças com nossos adversários históricos, caímos na geleia geral da política institucional. E disso se aproveita a elite conservadora, a mídia irresponsável e setores puramente golpistas que, até então subterrâneos, começam a colocar a cabeça para fora. Essa aberração política fez os grupos assumidamente fascistas liderarem a massa contra as bandeiras e camisas de militantes do PT e outros partidos de esquerda, nas manifestações dos últimos dias, em várias capitais brasileiras.

13.Entendemos que, nas próximas semanas, será jogado o futuro do PT como poloagregador daqueles que permanecem em luta contra as injustiças e contra adesigualdade que – mesmo com todos os avanços – ainda permanece em nosso país.

14.Somos chamados nesse momento a resgatar nossa tarefa histórica: a de organizar nossa militância, de protagonizar a organização de um campo político e de construir com as entidades dos movimentos sociais uma agenda de reformas e mudanças populares para o país, passando pelo governo e pelas ruas, onde a verdadeira massa está à espera de respostas concretas.

15.Mais ainda: devemos atuar também no campo simbólico, ideológico, cultural e político. A falta de identificação da juventude com o PT passa por uma questão de cultura política, de formas e métodos do agir e governar. Nossa burocratização, interna e governamental, afasta a geração dos cidadãos conectados e colaborativos. Além de emprego, educação e saúde, o PT deve voltar a despertar utopia.

16.O partido deve fazer um apelo a todos/as entidades, movimentos, sindicatos, artistas, partidos, intelectuais, juristas, religiosos, enfim todos os cidadãos que,independentemente de suas opiniões políticas e ideológicas e, que estão preocupados com o que está acontecendo, se unam em torno da defesa da democracia, da liberdade de expressão e da livre organização das entidades do movimento social.

17.Cabe à atual direção do partido organizar e fazer chegar a todos os seus diretórios, bancadas parlamentares e aos governos municipais, estaduais e federal a seguinte pauta:

● Rearticular o campo democrático e popular pela defesa das conquistas dos governos Lula e Dilma.

● Aprofundar a campanha pela reforma política, com o financiamento público decampanha, retomando o compromisso radical do PT com a participação popular através da atualização de nosso programa participativo com as possibilidades abertas pelas novas tecnologias e difusão das redes eletrônicas.

● Trabalhar pela democratização dos meios de comunicação, ampliando canais deinformação e debate alternativos à mídia conservadora. Enquanto não garantirmos verdadeiramente a pluralidade de fontes de informação, o caráter público das concessões de rádio e TV, e o direito à comunicação do conjunto da população, não superaremos boa parte das fragilidades que nossa democracia mantém.

● Orientar a bancada federal à aprovação urgente de agendas como os 100% do pré-sal para educação.

● Incorporar o direito à mobilidade no Estatuto de Juventude, indicando paraimplementação do passe livre para juventude no transporte público.

● Dotar o país de uma malha de ciclovias e meios de transportes limpos, que permita a mobilidade com respeito ao meio ambiente.

● Cobrar do governo uma demonstração de guinada à esquerda em ações concretas e cobrar ampliação dos canais de diálogos do governo com os movimentos e a condenação pública imediata, da bárbara violência policial contra os manifestantes.

● Promover a desoneração tributária da classe trabalhadora e tributação das grandes fortunas.

● Enfatizar a laicidade do Estado e a defesa dos direitos humanos, bem como a promoção de igualdade entre homens e mulheres, negros e brancos e a garantia dos direitos da população LGBT. Podemos observar que esses são temas caros à juventude, que compõe parcela expressiva desses movimentos e se frustra quando vê suas reivindicações por cidadania e dignidade serem subordinadas aos caprichos dos setores conservadores que, desde a base do nosso governo, não encontram limites para buscar avançar sua agenda, à revelia do sentimento da nossa sociedade, inclusive.

18. Assim, conclamamos a direção do PT a organizar sua militância a lutar pelo legado

histórico que construímos nos últimos 33 anos. Não deixemos, por pura inoperância,setores historicamente conservadores retomarem o poder.

Em defesa das ruas, do povo e da nossa história.

FACEBOOK, 20 a 24 de Junho de 2013.

Assinam:

1.

Ademário Sousa Costa Vice-presidente da UNE 2001-2003. Diretório Estadual do PT da Bahia.

2.

Adriano Oliveira – vice-presidente da UNE 99/01 e SNJ 2000/01

3.

Afonso Tiago – JPT do PT Fortaleza de 2003 a 2004, e Sec. Juventude da Pref. de Fortaleza de2005 a 2012.

4.

Alex Piero, ex-conselheiro do Conselho Nacional de Juventude pela Pastoral da Juventude,atualmente na Secretaria Municipal de Cultura, São Paulo.

5.

Allan Rodrigo Alcantara (CA Psicologia 1999-2003, DCE 2001-2002, Psicólogo, ConselheiroRegional de Psicologia 2007-2009, Presidente da Federação das Associações de Moradores doEstado de Santa Catarina, Secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dasAssociações de Moradores e Secretário Estadual de Formação Política do PT-SC)

6.

Anderson Batata – Foi Diretor da UEE-RJ e Secretário da JPT-RJ de 2001 a 2005

7.

Anderson Cunha Santos, Professor de História das Prefeituras de Contagem e BH, DCE-UFMG(1995-1996), CAHIS-UFMG (1996-1998), Secretaria Geral da FEMEH-1998, Presidente do D.A.FAFICH-UFMG (1998-1999), Coordenador do Setorial LGBT do PT-MG (2011-2012)

8.

Antônio Carlos Freitas, deputado estadual, 2• Vice presidente do PT CE, foi do coletivo estadual da JPT de 2005 a 2007.

9.

Alessandra Dadona, secretária de juventude do PT de SP 2008 -2010

10.

Alessandra Terribili – jornalista, cantora e poetisa – diretora da UNE (2003-2005), DE do PT-SP(2005-2007)

11.

André Rota Sena, Executiva da UNE – 2003-2005,

12.

André Brayner, advogado, foi coordenador do Festival das Juventudes da Prefeitura de Fortalezaem 2010 e 2011

13.

Alexandre Luís Giehl – Coordenação Regional II da FEAB (SC/PR), gestão 1999/2000

14.

Ariane Leitão, coletivo nacional de juventude do PT 2005/2008 e Vereadora suplente do PT/POA.

15.

Bob Calazans – Foi Vice Presidente da AMES de 99 a 2000 e do Coletivo da JPT-RJ, e é membro da Executiva Municipal do PT Rio

16.

Breno Cortella, vereador e presidente da Câmara Municipal de Araras/SP, secretário municipal daJPT 2001/2004.

17.

Bruno Elias – militante do PT, 1º Vicepresidente da UNE 2007/2009, Coordenador de RelaçõesInternacionais da JPT 2009/2011.

18.

Bruno Vanhoni Executiva da UNE 2005/2007; Coletivo Nacional de Juventude do PT

19.

Camila Vieira ( k k ) ENECOS ( 1999 a 2003), DCE UCB (2000 a 2004), Diretório Estadual do PT da Bahia

20.

Carla de Paiva Bezerra, é advogada e gestora, trabalha na SNJ/SG. Foi da DNJPT 2008-2011 eSecretária da JPT-DF 2008-2009 e do DCE UnB 2003-2004.

21.

Carlos Eduardo de Souza- secretário juventude do PT-SC 2002- atual secretário Geral PT Floripa

1.

20. Carlos Eduardo Amaral (Cadu) – ex-coordenador-geral do DCE/UFAL (2006-2007) e ex-diretor da

2.

UNE (2007 – 2009)

22.

Carlos Odas, secretário nacional de juventude do PT (1999/2001), Coordenador do ProjetoJuventude (2004), atual Coordenador de Juventude do GDF

23.

Carlos Henrique Viveiros Santos coordenador da JPT Gov. Valadares 2008 – 2010 e atual Diretorde Políticas Públicas de Juventude da Prefeitura Municipal de Gov. Valadares, Assessor Diocesano da Pastoral da Juventude.

24.

César Augusto Da Ros, CN – FEAB 97/98, professor do Departamento de Ciências Sociais,professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas ePró-Reitor de Assuntos Estudantis da UFRRJ

25.

Charles Carmo foi diretor do DCE/UFBA e do CARB/UFBA

26.

Clarissa Rihl Jokowski, advogada, Presidenta do Diretório Acadêmico do Direito UCS Gestão 2005

27.

Cleberson Zavaski – CN-FEAB 98-99, Presidente da Associação de Eng. Agronomos do DF e PTDF

28.

Cledisson Junior diretor da UNE (2009-2011) conselheiro nacional de promoção da igualdade racial

29.

Daniel Feldmann – diretor da une (1999-2001)

30.

Daniela Matos – Diretora de Relações Internacionais da UNE 99/2001

31.

Danilo Chaves – FEAB 1999-2001, vice presidente UEE MG 2003-2004, PT-BH;

32.

Darlan Montenegro Executiva da UNE (1992-95) Professor de Ciência Política – UFRRJ

33.

Débora Cruz, jornalista, ex-JPT e do setorial de TI/PTDF

34.

Débora Mendonça, PT/CE, Coletivo de Mulheres Estadual PT/CE, Militante da Marcha Mundial dasMulheres

35.

David Barros, ex- presidente do Conjuve (2010-2011)

36.

Eduardo Valdoski, jornalista, ex-coordenador de comunicação (2008-10) e secretário nacional-adjunto da JPT (2007-08) e secretário municipal da JPT/SP (2003-05)

37.

Eliana Cacique – Coletivo Estadual da JPT-RJ de 2001 a 2005 e é membro da Executiva Estadualdo PT-RJ.

38.

Elida Miranda, jornalista, Regional ENECOS (2005), CUT- AL e Diretório Estadual do PT/AL

39.

Ellen Machado Rodrigues – Medica Sanitarista, DENEM 2003/2005 , AMERESP 2010/2011

40.

Erika Fernanda Viana – médica, DCE UFPB 2004/2005

41.

Fabiana Malheiros – DCE UFES, PT-ES.

42.

Fabiana Santos – Foi Presidenta do Grêmio Herber de Souza, do CA de Geografia da UGF, do Coletivo da JPT-RJ de 2001 a 2003 e é membro do Diretório Estadual do PT

43.

Fabrício Gomes de França Ambientalista. Tesoureiro Upes (95-97), secretario da JPT Santo André (98-2000). Atualmente Secretário Adjunto da Secretaria de Gestão dos Recursos Naturais deParanapiacaba e Pq Andreense da Prefeitura de Santo André

44.

Fábio Sanchez, sociólogo, ex-secretário nacional adjunto de Economia Solidária (2005-2011).

45.

Felipe Oliveira Lopes Cavalcanti, Médico Sanitarista, DCE UFPB 2004/2005

46.

Fernanda Teixeira – DCE UEMS, Vicepresidente da UEE/MS, JPT, MMM, C.E. Mulheres do PT -MS.

47.

Flávia Azevedo, jornalista, ENECOS, DCE UCB e JPT de 2003 a 2005

48.

Francielly Damas, farmacêutica, membro da Associação AFLORE – Associação Florescendo a Vida de Usuários, Familiares e amigos da Saúde Mental de Campinas

49.

Florentino Júnio, DCE/UnB (2010) e membro do Setorial de Saúde do PT/DF.

50.

Gabriel Ribeiro – Foi Secretário Estadual da JPT/RJ e membro do Coletivo Nacional da JPT de 2005 a 2008.

51.

Gabriela Gilles Ferreira – ABEPSS, JPT, PT-ES.

52.

Giliate Coelho Neto, médico de família e comunidade, coordenador geral da DENEM (2003),

53.

Graziele Rodrigues Duda – ENESSO, DCE UFES, UNE, JPT, PT-ES.

54.

Guido Rezende – radialista e blogueiro ex-diretor da UNE e UCE

55.

Guilherme Floriani – ME Esalq 98 a 2000

56.

Guilherme Guimarães de Azevedo – DCE- UFV (2007 e 2008); Dir. de Movimentos Socias da UEE-MG (2009/2011); 3º Vice-Presidente da UNE (2011/2013)

57.

Humberto de Jesus executiva da Ubes 1997/1999, RI da Une 2001/2003, ex-secretario nacional dejuventude do PT 2003/2004, atual secretario de desenvolvimento social, cidadania e direitos humanos de Olinda.

58.

Ingrid Gerolimich – Foi Coordenadora Geral da AMES-RJ em 2001 e Coordenadora Estadual de Juventude do Governo do Estado do RJ em 2002

59.

Isadora Salomão – Arquiteta e Urbanista, Ex-DCE UFBA e Coletivo de Mulheres do PT-BA

60.

Jacir João Chies, Coordenação Nacional da FEAB 2001/2002.

61.

Jean Tible, assessor da Fundação Friederich Ebert

62.

Jonas Valente – ENECOS, secretário-geral do Sind. dos Jornalistas do DF e militante do PTDF

63.

José Haroldo Thunder- Executiva Nacional de Ciências Sociais (1995-1997), DCE Puc Campinas(1996-1998), PT Votorantim

64.

João Maurício, Executiva Estadual do PT do RJ, UBES 2003

65.

Josué Medeiros – foi 1º vice-presidente da UNE (2005-2007), hoje professor de interpretações doBrasil da UFRJ

66.

João Brandão, UEE RJ (2003 a 2005),DCE da UFRuralRJ (2002 a 2007) Professor de educaçãofísica do Rio de Janeiro

67.

João Paulo Rillo, Deputado Estadual PT-SP, Presidente da UMES de São José do Rio Preto em 1994 e 1995;

68.

João Scaramella – CN FEAB 2002-2003

69.

João Vicente (Caixa d’Água) – Coordenador das Juventudes Metalúrgicas do ABC e da CNM/CUT 1997/1999, hoje membro do Setorial Jurídico do PT/SP e Secretário dos Assuntos Jurídicos e da Cidadania de Franco da Rocha/SP;

70.

João Wilson Damasceno, gestor cultural, foi secretario geral do DCE UFC em 2007/2008

71.

José (Zé)Ricardo Fonseca – Diretor da UNE 2001-2003- PT-DF

72.

Julian Rodrigues , PT-SP (UNE e JPT 1997-2003)

73.

Juliana Terribli, psicóloga, foi dirigente da JPT-SP 2008-2011

74.

Julio Ladeia, vicepresidente UPES 1995/97, ex-membro do Diretório Estadual do PT, militante do PT de São José do Rio Preto, coordenado do CEU Butantã , SP.

75.

Larissa Campos – secretaria adjunta da jpt-mg e DNJPT 2008/2011 1a dirt.de movimentos sociaisda UNE 2007/2009

76.

Léo Bulhões – Coord. Geral Executiva Nacional de Bio 1998-1999, Presidente DCE UFPE 2000-2001, Diretor UNE 2001-2003, atualmente Assessor Especial de Projetos Secretaria de Participação Social – Caruaru – PE.

77.

Karina de Paula (Kakau) – Membro da Executiva Nacional da JPT e Secretária Municipal da JPT de Rio Claro – SP

78.

Leandro Ferreira, Executiva da JPT-SP.

79.

Lívia Manzolillo, jornalista, foi Presidente do DCE UNIFOR de 2003 a 2004.

80.

Louise Caroline, Vicepresidenta da UNE 2005/2007; Vicepresidente do PT/PE

81.

Lourival de Moraes Fidelis, estudante de doutorado, UNICAMP, Bolsista de Estágio doutoral pelaCAPES, Universidade de Córdoba, Espanha

82.

Lucas Cassab Lopes – Dce UFJF 2005-2006, Cahist ufjf 2004-200, coletivo estadual de juventude2006-2008, tesoureiro do pt-jf 2007-2009,

83.

Luciana Mandelli – historiadora – UEE-SP (1999/2003), Col. Nac. JPT (2002/2005) e DR- PT-BA

84.

Marcio Ladeia, publicitário, assessor da CUT, UNE 2005/2007, vereador de São José do Rio Preto 2001/2004, UMES 1996/1999 e UPES 1997/1998 militante do PT.

85.

Marcos Asas – poeta e médico, Conselheiro Nacional de Saúde, presidente do DCE UPE “PauloFreire” 2004/2005, presidente AMERESP 2011/2012, diretor de Saude da ANPG

86.

Orlando Catharino, membro do coletivo estadual da jpt sp em 1991 e 1992

87.

Otávio Antunes – jornalista, Vicepresidente da UBES 1997/1999 PT Campinas

88.

Paulo Navarro – médico Sanitarista, DCE UFPB 2004/2005, presidente da AMERESP 2010/2011

89.

Pedro Gerolimich ex Vice Presidente da UBES 2003/2004 – Diretório Municipal PT/RJ

90.

Pedro Moreira Coordenação regional da feab (2002 e 2003), secretario estadual de juventude doPT/MG 2004 e 2005 e vice presidente de UEE/MG 2004-2005

91.

Pedro Tourinho – Vereador PT Campinas, Médico Sanitarista, professor PUC Campinas,DENEM2005/2006

92.

Pedro Vasconcelos – Ex Secretário da JPT RS 2005 2007. Membro do Coletivo Nacional de Cultura do PT.

93.

Penildon Silva Filho, professor da UFBA. DCE UFBA 1992-1993 e Diretor da UNE 1993-1995

94.

Rafael Barbosa de Moraes (pops), vice-presidente da UNE 2003/2005, secretário nacional dejuventude 2005/2008

95.

Renam Brandão – Secretário da JPT-BA 01/03, Executiva dos Estudantes de CEFETS 97

96.

Rídina Motta Diretora LGBT UNE 2009 /2011

97.

Rodrigo Abel, Secretário nacional de juventude do PT 2000/2003

98.

Rodrigo Campo, ex-Tesoureiro do PT-RS, de 2005 a 2007.

99.

Romeu Morgante, ex presidente da umes santo andre e diretor da ubes 1998/99 umes, 99/2001UBES

100.

Rodrigo Rubinato “Cabelo” – Coordenador da Ames – RJ em 2003, Secretário-geral da FEMEH em2004

101.

Rodrigo Salgado, Professor e Advogado. Ex-coordenador da FENED, Coordenador do DAJMJr

102.

Samuel de Mesquita – Ex-presidente da UENI, Ex-presiidente da ARES, Ex- vice-presidente baixada da UEE/RJ, Ex-presidente do DA de Direito da UNIABEU

103.

Sávio José, vereador PT – Viçosa-MG.

104.

Serena Reis – CN FEAB 2002-2003, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservaçãoda Biodiversidade – ICMBio/MMA

105.

Sérgia Garcia, diretora da UPES gestão 1998, medica formada em Cuba, militante da AssociaçãoMédica Nacional – (AMN-MF)

106.

Sergio Godoy, professor de Relações Internacionais da Fundação Santo André, ex membro docoletivo nacional da JPT, ex Secretário Geral da UPES

107.

Tássia Rabelo – Ex-Presidenta do CA da FGV, Ex-diretora do DCE da UERJ, Ex. Membro daExecutiva Nacional da JPT

108.

Tassio Brito coordenador geral DCE UESC(2007-2009), 2 diretor de RI da UNE(2008-2009, direção nacional da jpt(2008-2011) 3 Vice Presidente da UNE(2009-2011)

109.

Tatiana Oliveira diretora de mulheres da une 2005-2007

110.

Tatiana Zocrato – DCE PUC-MG 2002-2004 , Vice-Presidenta UEE-MG 2004-2009 , SEJPT-MG 2008-2011

111.

Thomás Ferreira CN ABEEF 2003/2004 Coord. Geral DCE/UFV 2005

112.

Ticiana Studart, SNJ PT 2003 a 2005, da secretaria nacional de mulheres do PT de 2005 a 2007, e membro da executiva do PT CE;

113.

Verônica Lima, vereadora de Niterói, executiva da UBES 1997/99

114.

Veronica Maia, advogada, militante da RENAP, foi da SNJ PT de 2005 a 2007.

115.

Vinicius Cascone – FENED, advogado, militante do PT, Campinas/SP

116.

Vinícius de Lima – ex-coordenador nacional de comunicação da JPT e Presidente do DCE daEstácio de Sá – ES (2007), foi membro do Diretório Estadual do PT ES (2008) e do Movimento Não é só uma passagem (2005 – ES)

117.

Vinícius Ghizini, historiador, Secretário Adjunto JPT/Macro Campinas e Secretário Municipal JPT/Americana.

118.

Vinicyus Sousa – Ex – Diretor da executiva estadual da JPT – BA

119.

Wagner Romão, sociólogo, ex-presidente do Diretório Zonal de Pinheiros (São Paulo) – 2005 a 2007.

120.

Wanderson Pimenta, ex- coordenador geral do DCE – UFBA (2012).

121.

Wladia Fernandes, coordenadora LBGTT do PT CE foi da JPT de 2005/09

122.

Wenderson Gasparotto, ex diretor da UEE-SP (1997/2001)

123.

Wesley Francisco, DCE UFV, CA História/UFBA, FEMEH, UNE(2003) Coletivo Nacional LGBT.

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Segue um relato/reflexão de um companheiro petista que está acompanhando de perto as mobilizações em São Paulo. Acho que está correta, temos de aproveitar a mobilização social, a pressão das ruas para acelerar as mudanças do Brasil, e como ele diz “que esse país precisa de mudanças estruturais, só melhorismos (por tão bom que sejam) não são suficientes”.

Primeiro: todos os petistas que conversei (com P maiúsculo), saudaram a volta às ruas das pessoas. Digo pessoas e não povo, porque não é exatamente o POVO que está na rua. Ainda. Em SP ao menos a maioria é classe média, branca. Não desqualifica, não deslegitima, apenas constata.

Segundo: não temos que temer pessoas na rua. O que precisamos é uma resposta política rápida. Os governantes do PT não são da “classe política”, nem preciso aqui falar disso, eles representam um projeto de transformação e quando pessoas saem na rua esse projeto tem que adquirir uma velocidade maior na sua implementação.

Terceiro: Tá um clima estranho no ar sim. Seja nas ruas, seja nas redes, é perceptível a tentativa de enfiar a Dilma nisso a qualquer custo. A Veja, a Globo tentaram nos últimos anos colocar as pessoas a qualquer custo na rua contra corrupção e contra o PT, vão tentar de novo. Em São Paulo, além do relato do Vianna, que é verdade e eu estava no mesmo lugar que ele, posso dizer, não sobra pra ninguém, PT, PSDB, Globo, todos são xingados…

Enfim. Seguimos hablando, mas com certeza o que podemos dizer é que esse país precisa de mudanças estruturais, só melhorismos (por tão bom que sejam) não são suficientes, nem mais justificativa para a SEXTA economia do mundo não dar respostas a questões sociais tão básicas!

E desculpem a franqueza, o PT não sabe o que dizer sobre isso… Espero que consigamos ajudá-lo!

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Belo artigo do meu camarada Ramon Szermeta publicado na edição de novembro da revista Le Monde Diplomatique. Ramon, que tem coordenado a campanha Play-Fair Brasil – “Para que os trabalhadores saiam ganhando”, aponta em seu texto os cuidados que o país deve ter com os principais construtores da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016:  os trabalhadores.

Desrespeito e exploração dos trabalhadores dos jogos

por Ramon Szermeta, no Le Monde Diplomatique

Ilustração: Renato Alarcão

Faltando pouco menos de três anos para o chute inicial que abrirá o maior evento futebolístico do mundo, a sensação que temos no Brasil é que ele já começou. Se não nos gramados, ao menos fora deles. A grande imprensa nos farta diariamente com as mais diferentes manchetes: atraso nas obras dos estádios e de infraestrutura urbana, aeroportos sem capacidade de suportar a demanda, transparência − ou falta dela − na utilização dos recursos, Ricardo Teixeira e seus incontáveis escândalos, queda de braço entre governo federal e Fifa. Ainda tivemos a mais recente crise no Ministério dos Esportes, que culminou com a queda do titular da pasta, coincidentemente ou não, surgida no meio da discussão da Lei Geral da Copa, que tramita no Congresso Nacional sob os atentos olhos da Fifa e de seus parceiros econômicos.
Ainda que intenso, controverso e muitas vezes espetacularizado, raramente encontramos nesse debate discussões sobre ou com os principais personagens que, ao fim e ao cabo, são os últimos responsáveis pela realização da Copa no Brasil ou em qualquer parte do globo: os trabalhadores das diversas categorias profissionais que se esforçarão dia após dia para que tudo realmente aconteça.

Em um ambiente dominado por terceirizações, quarteirizações, pouco respeito às leis trabalhistas e que dificulta a livre organização sindical, cada grito de atraso intensifica o ritmo de produção e aumenta na ponta a pressão sobre o lado mais fraco dessa corda. A Copa será erguida por milhares de trabalhadores que, para cumprir os curtíssimos prazos de obras − que são cobrados diariamente no noticiário nacional −, realizarão jornadas noturnas, duplas e muitas vezes em condições de trabalho fora das regras e leis estabelecidas pela legislação brasileira, como já pudemos ver nas mobilizações que ocorreram este ano em diversas construções de estádios país afora. Em alguns casos, as empresas nem sequer conseguiram atender as exigências básicas, como refeitórios em condições de higiene, assistência médica e alojamentos adequados. O contraste entre o montante gasto com as arenas, incluindo parte de empréstimos públicos, e as condições de trabalho, salário e direitos dos trabalhadores é de afrontar qualquer sentimento patriótico ou de paixão pelo futebol.
A pressão para atender à demanda no transporte aéreo levou o governo, usando o argumento da incapacidade e da falta de agilidade do investimento público, a apresentar proposta de abertura para o capital privado no setor. A ideia é rechaçada pelos trabalhadores aeroportuários, que denunciam a medida como retomada do processo de privatização. Por isso, mantêm mobilização permanente, inclusive com paralisações. O temor é que, além das demissões previstas com a aplicação do novo regime, deteriorem-se as condições de trabalho e aumente o número de acidentes.

Trabalho escravo e infantil
A indústria têxtil vinculada à confecção de material esportivo, e geralmente impactada pela realização dos grandes eventos, também apresenta problemas. Os recentes casos de utilização de mão de obra escrava em confecções de São Paulo elevam o alerta sobre o tipo de incidência negativa que o incremento dessa produção pode ter nas condições de um grande número de trabalhadores brasileiros e imigrantes. No entanto, não há por parte da Fifa e de seus parceiros dessa área nenhum compromisso para manter transparência sobre as origens de seus fornecedores e as condições de trabalho nesse tipo de produção, apesar do histórico de envolvimento desses mesmos atores em casos de confecções de bolas e materiais esportivos provenientes de trabalho escravo e infantil, principalmente na Ásia. Neste ano, sindicatos da Indonésia conseguiram – após divulgação de uma longa investigação sobre as condições de trabalho nas fábricas têxteis do país – forçar acordo histórico com grandes marcas, como Adidas, Nike e Puma, para garantir as condições de liberdade de organização sindical até então desrespeitada, acarretando frequente perseguição aos trabalhadores que buscavam reivindicar seus direitos. Não é por acaso que muitas empresas do setor noBrasil mantêm chantagem incessante para a redução de impostos, ameaçando a transferência de fábricas para a Índia e outros países asiáticos. Enquanto isso, trabalhadores e sindicatos de vestuários e calçados travam uma briga para, ao mesmo tempo, manter a produção no país e garantir condições decentes de trabalho nas confecções brasileiras.
Ucrânia e Polônia, que sediarão a Eurocopa 2012, também estão tendo problemas com os preparativos. Cinco trabalhadores já morreram nas obras dos estádios que estão sendo erguidos para os jogos. Muitas vezes, os empregados são obrigados a assinar contratos que os responsabilizam por suas próprias condições de segurança, e a perseguição àqueles que buscam se organizar é constante, não sendo respeitado o direito à greve e a outras manifestações.
É sintomático que, das nove câmaras temáticas criadas pelo governo federal para acompanhar o desenvolvimento da Copa do Mundo nos estados (entre elas Segurança, Sustentabilidade, Turismo e Saúde), nenhuma inclua centralmente o tema do trabalho, ainda que ele se faça presente em todo o esforço empreendido para garantir a realização do evento e essa seja uma reivindicação do movimento sindical brasileiro. Não há, ainda, nenhuma mesa permanente de diálogo entre sindicatos, governos e o comitê organizador da Copa e das Olímpiadas.
Em encontro recente com a presidente Dilma Rousseff, a secretária-geral da Confederação Sindical Internacional, Sharaw Barrow, em conjunto com a Central Sindical das Américas (CSA) e centrais sindicais brasileiras − CUT, Força Sindical e UGT −, entregou ao governo brasileiro um documento chamando a atenção para os seguintes temas: 1) garantia de diálogo social entre trabalhadores, governo e organizadores (Fifa e Comitê Olímpico Internacional) para discutir a preparação e os impactos dos eventos esportivos; 2) que os recursos provenientes de bancos públicos, como o BNDES, tenham cláusulas que vinculem a liberação de dinheiro em respeito aos direitos trabalhistas; e 3) respeito às leis trabalhistas em todos os ramos de produção e serviços envolvidos na realização dos eventos.

Direitos e deveres
Enquanto o governo brasileiro se compromete, como prevê a Lei Geral da Copa, em resguardar os interesses comerciais da Fifa e de seus parceiros, não há previsão de nenhuma obrigação da entidade máxima do futebol e de seus sócios com cláusulas sociais ou códigos de conduta que delimitem a atuação da entidade no país. Na prática, é um contrato em que um lado carrega apenas deveres, e o outro, apenas direitos. Isso porque o mercado dos jogos esportivos, apesar do cenário de instabilidade no centro do mundo, mantém a força econômica e consequentemente o poder de atração e pressão dos cartolas internacionais sobre os governos, atuando como verdadeiros cães de guarda das transnacionais.
Particularmente, a Copa se direcionou no último período para áreas do globo mais afastadas do epicentro da crise mundial: Brasil 2014, Rússia 2018, Catar 2022. Apesar de distante, o evento já começa também a alterar leis por lá e a agitar os setores que lucrarão com os eventos nesses países. A Lei Geral da Copa já foi praticamente selada na Rússia, atendendo quase que na íntegra as exigências da Fifa. O Catar é um país onde mal existe organização sindical e boa parte da mão de obra concentrada na construção civil é composta de imigrantes indianos e paquistaneses.
Além dos já conhecidos parceiros da Fifa − como Adidas, McDonald’s, Nike, Budweiser, Sony, Oi, Editora Abril, entre outros –, por onde passa, a entidade presidida por Joseph Blatter carrega um conjunto de empresas que, apesar de não serem conhecidas pelo grande público, não deixam de ganhar menos por isso. Um bom exemplo são as companhias de engenharia alemãs. Especializadas nas construções de estádios, algumas particularmente em suas estruturas e coberturas complexas, elas têm acompanhado fielmente as últimas copas do mundo por onde aportam. Apenas a Schlaich Bergermann und Partners, de Stuttgart, entre projetos de estrutura e cobertura, é responsável por cinco estádios brasileiros escalados para o Mundial de 2014. Depois de passar por estádios da Copa alemã, da África do Sul e da Eurocopa de 2012, a empresa especialista em estruturas tensionadas também deixará sua marca e levará uma parte dos investimentos em estádios do país.
O desafio dos movimentos sociais brasileiros será construir uma atuação comum e um conjunto de exigências aos organizadores e governos que não permitam transformar a Copa do Mundo e as Olímpiadas apenas em arenas de negócios para empresas estrangeiras e nacionais potencializarem seus lucros. A Lei Geral da Copa ainda passará por processos de audiências públicas, e a pressão para limitar os excessos a favor da Fifa deve ser intensificada. Ainda há tempo de somar as diversas mobilizações e reivindicações que giram em torno dos eventos. A exigência por respeito às condições dignas de trabalho e à soberania do país pode somar trabalhadores da construção civil, aeroportuários, comerciários, trabalhadores do turismo e vendedores ambulantes − estes últimos ameaçados pelas zonas de exclusão para comércio destinado exclusivamente aos “parceiros” oficiais da Fifa. A conferência nacional de trabalho decente que acontecerá no próximo ano também será um espaço para avançar nessa pauta. Além desses grupos, há movimentos populares que vêm denunciando as remoções abusivas de moradores para as obras, sem diálogo e sem indenização justa; os idosos, estudantes e professores que exigem mais que meia-entrada, mas também respeito às leis brasileiras; assim como os movimentos de mulheres que já estão chamando a atenção para evitarmos o famigerado turismo sexual no período dos jogos.
Todas essas pautas ainda podem se articular com o objetivo de exigir um código de conduta para a Fifa e seus parceiros e cobrar do governo brasileiro o diálogo e a defesa dos interesses nacionais. A unificação dessas lutas é que irá garantir a realização de uma Copa que beneficie realmente o país e que deixe um legado social à altura dos investimentos que estão sendo feitos, respeitando os trabalhadores e o povo que tanto ama o futebol. Ainda estamos no meio do jogo. E queremos que ele seja limpo.
Ramon Szermeta é Coordenador da Campanha Play-Fair Brasil – “Para que os trabalhadores saiam ganhando”

Campanha Play-Fair
Play-Fair é uma campanha mundial coordenada por federações sindicais internacionais e ONGs como a Clean Clothes Campaign (Campanha Roupas Limpas). Ela se iniciou na véspera dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 e constituiu uma grande mobilização contra as confecções que exploravam a mão de obra barata, infantil e escrava.

Desde então, vem organizando ações em torno dos diversos eventos esportivos, incluindo os Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim, a Copa do Mundo na África do Sul em 2010, os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres e a Eurocopa na Ucrânia e Polônia também em 2012.

Com a realização dos dois maiores eventos – Copa e Olimpíadas –, ela também atuará no Brasil e com a participação da Confederação Sindical das Américas (CSA e seus afiliados: CUT, UGT e Força Sindical), da Internacional dos Trabalhadores da Construção e Madeira (ICM) e com o apoio do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Seu objetivo é lutar por condições decentes de trabalho nos diversos ramos de atividades envolvidos nos grandes eventos esportivos.

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Entre os dias 8 a 11 de outubro ocorre na bela capital do Ceará o 2° Festival Latino-americano das Juventudes em Fortaleza. O tema desta segunda edição será “O canto de um novo mundo”.

Na primeira edição, no ano passado, estiveram presentes cerca de 5 mil jovens de todo o país além de representantes de diversos países. O festival é promovido pela prefeitura de Fortaleza, através da Coordenadoria de Juventude e é impulsionado pelo Fórum Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis.

As inscrições para o segundo festival já estão abertas e podem ser feitas através do seguinte endereço: http://www.fortaleza.ce.gov.br/festivaldasjuventudes/noticia/as-inscricoes-ja-comecaram/

E aqui, você acompanha toda a mobilização: http://www.fortaleza.ce.gov.br/festivaldasjuventudes/

Veja como foi o primeiro Festival:

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Na última sexta-feira, reproduzi aqui no blog o artigo “Partidos, juventude e os movimentos sociais da Internet” do companheiro Marcelo Branco, sobre as recentes mobilizações de jovens através das redes sociais e sua relação (ou na verdade a falta dela) com os partidos políticos, sindicatos e organizações mais tradicionais da esquerda.

Desta vez, reproduzo abaixo, o artigo da companheira Louise Caroline, também sobre este tema, mas tendo como maior enfoque as Marchas da Maconha, da Liberdade e das Vadias.

Em minha opinião, o elemento mais importante destes textos, é a tentativa de compreender o que são esses movimentos gerados na internet e como os socialistas, organizados nos espaços tradicionais (partidos, sindicatos etc.), devem se relacionar. É um fato que o PT está fora de toda essa movimentação, mas há espaço para estar dentro? Como deve ser essa interação?  

Se por um lado, o desafio de governar tem consumido o PT e a parte mais significativa da esquerda brasileira, do lado de fora algo tem acontecido e precisamos refletir sobre ele e esses dois artigos contribuem para isso.

 

A marcha das marchas

 

De onde vêm e pra onde vão os recentes movimentos “Marcha da Maconha”, “Marcha da Liberdade”, “Marcha das Vadias”?

Recentes manifestações políticas ocuparam as ruas do país e exigem reflexões sobre seu caráter. Tão excêntrica quanto as Marchas parece ser a compreensão sobre elas. À primeira vista, não cabem os padrões históricos que definem os Movimentos Sociais desde a década de 80 e talvez estejamos diante de um novo momento de lutas sociais, em diálogo com a nova cidadania interativa originada pelas estabilidade democráticas e pela conexão virtual globalizada.

Evidente que a confirmação dessa hipótese depende de estudos e análises mais profundos, a que não se pretende esse texto. Quer-se apenas despertar a necessidade dessa reflexão, política e acadêmica, trazendo foco às Marchas. Para isso, apresento aqui quatro interessantes características dessas recentes movimentações.

Diferentemente das lutas pela democratização política, por melhores salários, ou garantia dos direitos básicos, que impulsionaram a ação dos movimentos reivindicatórios brasileiros no final do século XX, as atuais Marchas têm por foco direitos individuais que, historicamente, fariam parte da pauta liberal e não da pauta socialista ou social-democrata, às quais estariam ligadas as lutas coletivas tradicionais por direitos.

As novas ações se tratam, por mais que haja relação com a busca de direitos, de questões relacionadas à liberdade individual de fazer, ser, usar o que quiser, sem limitações do Estado e com garantia de respeito coletivo às opções individuais.

A complexidade de compreensão do tema começa na tentativa de enquadrá-lo aos padrões típicos de classificação das mobilizações sociais ou mesmo da classificação jurídica dos Direitos Fundamentais. Padrão típico, reafirma-se, é o que as Marchas não seguem.

Senão, vejamos:

As reivindicações das Marchas poderiam ser compreendidas no bojo da 1a geração de direitos, por serem direitos civis e políticos, com conteúdo liberalizante (liberdade para usar maconha, liberdade para se relacionar com pessoas do mesmo sexo, liberdade para se vestir e se comportar), típicas liberdades clássicas, negativas ou formais. Entretanto, a ação do Estado não é dispensada, ou seja, as Marchas não querem que o Estado simplesmente deixe de agir e permita que as pessoas livremente dirijam suas vidas. Querem livremente dirigir suas vidas sim, mas querem que o Estado garanta isso, o que se aproxima em muito dos direitos de 2a geração, direitos sociais e culturais, que abrangem as liberdades positivas, reais. Não é, portanto, uma pauta que busca inação do Estado, mas que busca ação do Estado para que sua liberdade individual seja garantida e respeitada pelo conjunto da sociedade. A Marcha da Maconha quer legalizar a droga, não quer só o direito de usá-la, mas que haja regulamentação da produção, do consumo, apoio aos usuários na rede pública de saúde. A Marcha da Liberdade, originária das proibições judiciais de realização da Marcha da Maconha mas logo redesenhada como um amplo movimento pelas liberdades individuais, defende não apenas o direito ao amor livre, mas a regulamentação jurídica dos direitos de união civil e, ainda, a criminalização da homofobia, ou seja, uma lei que proíba e puna a discriminação contra os homossexuais.

Ainda, também, não há como excluir essas pautas dos direitos de 3a geração, comprometidos com a solidariedade, a paz e os direitos humanos.

Resumidamente, são movimentos com pautas individuais liberalizantes que, ao mesmo tempo, exigem ação estatal para efetivação dessas liberdades. São movimentos com pautas individuais, de direitos fundamentais ao ser, mas também intimamente ligados às liberdades positivas de aprofundamento da igualdade e ainda em sintonia com os direitos de solidariedade e titularidade coletiva.

Ou seja, essa primeira característica já demonstra a novidade, complexidade e excentricidade dos novos movimentos em curso.

Uma segunda característica de destaque é o perfil de quem organiza e quem marcha. Predominam jovens, universitários/as, brancos/as, de classe média. Ou seja, um público com direitos básicos razoavelmente adquiridos, mas incomodado por uma limitações à liberdade de exercer determinado comportamento (evidentemente, também relacionado a direitos).

A elevada qualidade de vida dos/as agentes dessas novas lutas, associada à conjuntura política de estabilidade democrática e livre expressão, parece permitir que se abram os olhos a questões não primárias, que, apesar de relevantes, não ocuparam lugar central anteriormente pela urgência de outras conquistas básicas.

Interessante que as Marchas brasileiras têm pontos de contato com os movimentos por liberdade sexual, libertação das mulheres, livre uso de drogas que sacodiram os EUA e a Europa nas décadas de 60/70. Note-se que ao mesmo tempo aconteciam mudanças profundas na política institucional e avanços consideráveis na garantia dos direitos básicos nesses países, assim como vemos no Brasil e na América Latina recentemente.

Suspeita-se, então, haver uma relação entre as conquistas dos direitos primários para a parcela majoritária da população com o levante de questões individuais por uma parcela mais escolarizada e com direitos já consolidados.

Dessa forma, verificamos que as Marchas não são movimentos de classe, nem de massas, mas que surgem após avanços sociais para a classe excluída, como se dissessem: “agora que há democracia, comida, saúde e educação queremos ir além, queremos ter prazer, estilo, espaço e respeito”.

A segunda característica, portanto, também apresenta peculiaridades significativas pelo protagonismo de grupos geralmente apáticos às questões políticas e fora do contexto de exclusão social que organizou as lutas do século passado.

A terceira característica percebida é a ausência, ou, algumas vezes, participação minoritária, das organizações tradicionais de representação como os partidos políticos, movimentos sociais institucionalizados, entidades estudantis e sindicais.

As Marchas parecem desejar personalidade própria. A Marcha da Maconha, de longe a mais consolidada, tem fóruns próprios de organização, com reuniões da Marcha, coordenadores da Marcha, representantes da Marcha. Mesmo que haja militantes partidários e parceria ou participação dos grupos tradicionais, esse não é o público majoritário e tampouco o ambiente é muito acolhedor a eles. Há, por parte desses/as jovens em marcha, inclusive, certo preconceito com os grupos tradicionais e, geralmente, pede-se a não utilização de bandeiras partidárias ou revela-se certa hostilidade diante delas. Na maioria das vezes, os/as ativistas em marcha participam de sua primeira manifestação política e acreditam estar fazendo algo tão novo e revolucionário que não deveria ser “contaminado” pela burocracia dos partidos e entidades tradicionais.

Ao mesmo tempo, os principais partidos de esquerda do país e as entidades estudantis e sindicais mais atuantes também passam por um período de refluxo social advindo da institucionalização de suas principais lutas. Com a chegada do PT à Presidência da República e o crescimento dos campos progressistas nos parlamentos, prefeituras e governos, o campo de esquerda está ocupado com a disputa institucional pela efetivação de suas bandeiras históricas, aproveitando o momento para aprovar leis e programas relacionados a direitos básicos, inclusive em diálogo com as pautas das próprias Marchas. Mas sua concentração na ação institucional afastou esse campo do contato mais direto na disputa ideológica dessa nova geração, sendo evidente o distanciamento do PT e dos movimentos tradicionais com a identidade em formação nas universidades e nas redes sociais do mundo virtual.

A imaturidade política dos que marcham associada à institucionalização do campo progressista tradicional – sem querer impor valor negativo a uma ou outra leitura, faz com que as Marchas também tenham certa imprecisão estratégica.

Afinal, marcha-se com qual objetivo de longo prazo? Contra quem ou contra o que se deposita o foco das marchas? No jogo político das decisões públicas – do qual saem as leis e ações estatais – estão identificados os aliados e adversários? Ou as Marchas apenas querem despertar atenção para o tema e deixar a estratégia política a outros atores? Essas lutas pontuais estão conectadas a alguma luta política mais geral? Deveriam estar? Como?

Enfim, o que importa ressaltar nessa terceira característica é que as Marchas estão à margem das discussões mais gerais, não são protagonizadas pelos grupos tradicionais de organização coletiva e abrigam pessoas das mais diversas matizes ideológicas.

A quarta e última característica é o meio pelo qual essas bandeiras ganham adeptos e por onde as Marchas são convocadas: a internet. As redes sociais permitem a elevação de uma questão desconhecida a uma adesão nacional, até mundial, em questão de horas. Evidente que a fragilidade da ascensão é a mesma do declínio. A efemeridade da internet e a facilidade de aderir às causas, cria também o militante virtual que aperta o botão mas não sai de casa. Bom exemplo é o Churrascão da Gente Diferenciada, protesto contra os ricos paulistanos de Higienópolis que recusaram o metrô no bairro para evitar o trânsito de “gente diferenciada”, que embora não seja Marcha também pode ser enquadrado nas quatro características aqui elencadas. Em uma semana, a página no Facebook do “Churrascão” registrou mais de 50 mil apoiadores, mas no dia reuniu aproximadamente dois mil (o que não deixa de ser considerável).

De toda forma, as redes sociais têm sido espaço de mobilização de ideias e debates que não se pode ignorar. Muito rapidamente pessoas de todos os lugares estabelecem redes de apoio ou oposição que começam a interferir na vida política real do país.

Grandes meios de comunicação já utilizam o Twitter como fonte, não só pelas declarações pessoais, mas pelo Trending Topics (os tópicos mais populares no momento). Partidos e Movimentos também se mobilizam para emplacar suas hashtags (marcação, termo padrão de mobilização na rede) e comemoram a entrada nos TT’s como significado de amplo apoio à sua causa.

As Marchas chegam rapidamente ao TT’s, bem como se pulverizam em velocidade altíssima pelo Facebook. A Marcha da Liberdade de São Paulo, ocorrida após a repressão policial à Marcha da Maconha, mobilizou mais de 3 mil pessoas em uma semana. E em um mês já ocorria em dezenas de cidade em todo país.

Em tempos de apatia política, o papel da internet e das redes sociais na mobilização de causas e movimentos é um tema relevante, que já vem sendo estudado, mas que agora precisa englobar as Marchas.

Conclusão

Como não se pretende esgotar o debate, ao contrário, suscitá-lo, farei considerações breves acerca dos quatro pontos, não sem antes informar de onde se fala. Sou militante partidária, petista, organizada há mais de 10 anos e sem qualquer intenção de deixar de sê-lo. Ao mesmo tempo, sou tuiteira, ativista empolgada de todas Marchas e profundamente comprometida com as pautas levantadas por esses movimentos.

Assim, falo de um lócus favorável às Marchas e também aos partidos, trazendo comigo reflexões que partem de um e de outro ponto de vista, sendo por isso, talvez, que minhas conclusões marchem em favor do diálogo entre esses dois mundos.

Sobre o primeiro ponto característico levantado no texto, cabe destacar que as lutas individuais, por direitos de liberdade e igualdade, também compõem direitos sociais e coletivos. Ou seja, não é problema exclusivo de um indivíduo se ele pode ou não casar com quem queira, mas um problema da sociedade, não restrito aos gays ou beneficiários diretos dessa política. A opressão a grupos minoritários – e isso é límpido na Teoria Geral do Direito ou nos registros históricos, políticos e sociológicos – não atinge apenas os membros dos grupos minoritários. A opressão de um grupo social atinge o equilíbrio de toda sociedade e joga contra a justiça do sistema. Embora não sejamos aqui capazes de definir exatamente de que tipo de direitos se compõem essas lutas, importa ressaltar que são causas individuais porém não individualistas e que suas consequências atingem o conjunto da sociedade. A Marcha da Maconha, por exemplo, é apoiada e mobilizada não só pelos usuários da substância, mas também por muitos que questionam o poder do tráfico e acreditam que a legalização poderá enfraquecer o crime. Ou seja, por mais que sejam pautas de liberdade individual, são temas de ampla repercussão em toda sociedade e que não dizem respeito apenas aos que estão diretamente vinculados.

No que diz respeito à segunda característica, não parece desimportante uma luta política pelo fato de que ela não seja de classe ou de massas. Ao contrário, a mobilização da classe média em favor de pautas que colaborem com a igualdade, a justiça e com questões intimamente ligadas ao equilíbrio de direitos é uma vitória, dado que o outro comportamento possível seria a omissão ou o favorecimento da opressão, da exploração, da desigualdade. O caso de Higienópolis foi flagrante: a classe média e alta da juventude paulistana foi quem protestou contra o preconceito dos moradores do bairro em relação aos pobres e trabalhadores, “gente diferenciada”, que poderia contaminar seu bairro. Seria preferível que essa juventude “pop cult” se somasse à adjetivação preconceituosa dos os moradores do bairro? Evidente que não. A participação desse segmento nas causas políticas mais progressistas, por mais limitações e peculiaridades que possa ter, é uma conquista relevante na caminhada por uma sociedade menos hipócrita e egoísta fundamental aos avanços mais concretos para a classe trabalhadora. Não parece, portanto, desprezível a colaboração dessa juventude classe média ao outro mundo possível que ao longo dos anos tem motivado a luta classista por uma sociedade de desconcentração de renda e cidadania plena.

Quanto à relação entre as Marchas e as questões políticas mais gerais, parece evidente que os direitos individuais estão relacionados ao sistema político e econômico, sendo impossível descolá-los. Uma sociedade patriarcal, concentradora de renda ou teocrática, por exemplo, dificilmente permitirá o casamento gay ou a liberdade sexual das mulheres. Ao mesmo tempo, uma sociedade de distribuição das riquezas sem equiparação dos gêneros, livre sexualidade ou comportamento, dificilmente produzirá um sentimento de igualdade entre seus membros. Ou seja, mesmo descolados das questões políticas mais gerais e determinantes, as Marchas e lutas por liberdade podem, ainda que sem esse objetivo claro, contribuir para o questionamento do sistema sócio-econômico, no momento em que desestruturam valores e crenças que alicerçam o grande sistema. De toda forma, entretanto, a ausência de uma estratégia política de fundo, de uma unidade ideológica e da capacidade de conectar as questões específicas às gerais, é um grande limitador dos avanços desses movimentos e da concretização de suas bandeiras.

Por outro lado, é urgente que os partidos de esquerda e as entidades estudantis e sindicais tenham a capacidade de englobar essas pautas, de forma consistente e não apenas visando um diálogo superficial com esses movimentos. O erguimento de novos padrões de relação, comportamento, conduta, valores, liberdades e felicidade para todas as pessoas é fundamental para uma nova lógica econômica e política a que se pretendem os grupos políticos de contestação tradicional.

Por fim, o quarto ponto já é o mais estudado dos três, afinal já não é de hoje e cada vez se intensifica o poder da internet sobre os debates e decisões públicas, às vezes subestimado, noutras superestimado. Levaremos um tempo para compreender exatamente o quanto as pessoas estão engajadas com as pautas que apoiam pelo computador, bem como quem e de que forma influencia e é influenciado nas redes sociais. Fica aqui apenas a verificação de que esse é o canal principal de mobilização desses movimentos que podem não ter vindo pra ficar, mas já deixaram sua novidade e sua marca e requerem atenção. Afinal, até o STF já conhece, entende e apoia essa contestação irreverente que as Marchas trouxeram ao cenário político brasileiro.

Que possamos seguir marchando, lutando, sonhando e refletindo sobre nossa caminhada, para que cada passo nos aproxime do mundo de igualdade, justiça e respeito que impulsionam nossos gritos por liberdade.

 

Louise Caroline Lima e Silva (@LouCarolinePE no Twitter) é mestranda em Ciência Política na UFPE, militante do PT e Secretária da Mulher na Prefeitura de Caruaru. Foi vice-presidente da UNE de 2005 a 2007.

 

Publicado originalmente em: http://maispt.wordpress.com/2011/06/20/a-marcha-das-marchas/

 

 

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Reproduzo abaixo artigo do companheiro Marcelo Branco, ativista e pensador sobre as redes sociais. Tive a oportunidade, durante a campanha da presidente Dilma, de ter algumas conversas com ele sobre os temas que ele aborda neste texto.

Devo dizer que não concordo com o conjunto das opiniões expressas. Mas é importante a reflexão que ele trás para quem é militante de um partido de esquerda como o PT.

Tenho insistido na tese de que apesar de termos ganho eleitoralmente entre os jovens na última eleição, perdemos simbolicamente. Para mim, a JPT tem o desafio de compreender o funcionamento da rede, incorporar determinadas práticas e não buscar ser a reprodução de um PT Jr., neste aspecto, que se faz ainda mais fundamental que a autonomia político-organizativa da juventude partidária seja realidade.

 

Partidos, juventude e os movimentos sociais da Internet

 

Os jovens nativos digitais da sociedade em rede  têm orgulho de ser brasileir@s, acreditam que o Brasil é o país do presente e concordam que têm um papel de transformar a sociedade. Se conectam mais com discursos coletivos do que individualistas e querem menos consumismo. Apenas 5% tem como objetivo ficar rico e sabem que podem trabalhar por uma causa coletiva e buscar seus sonhos pessoais ao mesmo tempo. Estes mesmos jovens, cada vez mais, vêem a Internet como ferramenta de mobilização e engajamento político e menos os partidos. [1]

“Quantos jovens não votaram no Chile, na Espanha? Não achem que estes jovens não acreditam na democracia. Eles não crêem na democracia que oferecem a eles (…).” Eduardo Galeano na Praça Catalunya[2]

Quando eu divulguei esta pesquisa na rede, surgiram muitos questionamentos e diálogos vindos, principalmente, de militantes partidários: isso é positivo ou negativo? Acho isso tremendamente positivo e tentarei  sucintamente colocar a minha opinião, já tuitada de forma pulverizada.

Acontece que os jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?

Os partidos e os sindicatos são organizações construídas com base na revolução tecnológica industrial. Foram, por longos anos, a única e a melhor forma de catalizar de forma coletiva os pensamentos e ideologias para uma ação política efetiva. Sozinho, ninguém chega a lugar algum, e isso continua valendo. Estas organizações mediam e intermediam a relação entre os diversos interesses individuais e coletivos, através do “programa”, e representam estes interesses junto à sociedade.

Os movimentos sociais em rede, pós- internet, são formados por indivíduos conectados em rede, que manifestam suas opiniões e movem suas ações na perspectiva do engajamento coletivo, sem a intermediação de qualquer organização. Aliás, a Internet veio para questionar o papel de todas as organizações intermediárias. A indústria fonográfica que o diga.

Acredito que as formas de organizações da era industrial e as organizações de indivíduos conectados em rede, típicas da sociedade em rede, conviverão. Uma não substitui a outra.

Mas é #fato que nos últimos anos, em todo mundo,  os partidos políticos e os sindicatos têm tido  menos capacidade de mobilização coletiva do que os movimentos sociais em rede. E isso não é somente porque os programas dessas organizações estão defasados ou que não contemplam os interesses dos coletivos. Atualizar os programas dos partidos é importante, mas não será o suficiente para engajar a geração atual na forma de organização hierárquica dos partidos. Estes jovens estão, cada vez mais, experimentando novas formas para organizar suas ações políticas coletivas, utilizando a plataforma da Internet como base. E isso tem dado resultado.

Há quase 12 anos, na manifestação chamada de N30, mais conhecida como a “batalha de Seattle” [3], através da Direct Action Network (ação direta em rede) possivelmente tenhamos inaugurado a era das mobilizaçoẽs 2.0.

Desde Seattle, passando pelas mobilizações do Fórum Social Mundial aqui em Porto Alegre,  nas marchas contra as guerras do Bush-pai, nas manifestações anti-globalização neoliberal, com destaque para Gênova e Barcelona, até as recentes revoltas árabes e agora a #globalrevolution partindo da Espanha para toda Europa [4], comprovam a força das redes da internet para organização de grandes ações coletivas. 

Não acredito que os partidos ou sindicatos estão descartados como forma de organização política. Acontece que agora existem NOVAS formas de organização política. As novas formas de organização social (indivíduos conectados em rede) e as velhas (partidos e sindicatos) vão conviver, mas como organizações distintas.

As velhas organizações não podem ter a pretensão de englobar ou cooptar as novas. Terão que conviver, lado a lado, mas cada uma com a sua dinâmica própria. As dinâmicas das redes são distintas das dinâmicas partidárias. Não há como enquadrar as dinâmicas em rede nas hierarquias partidárias. Nem é possível que um partido funcione com as dinâmicas horizontais e sem hierarquias como nas redes.

O sucesso das organizações da era industrial (partidos e sindicatos) foi justamente o de organizar as pautas e as lutas de forma hierárquica e aprovadas por maioria.

Nas dinâmicas em redes, raramente há votações para hierarquizar as ações. Funciona por adesão voluntária. A proposta com maior adesão avança na prática e mobiliza. Assim tem sido as experiências da última década.

No entanto, as dinâmicas dos movimentos em rede ainda tem sido incapazes de estabelecer uma nova ordem. Pelo menos por enquanto. Os partidos sim, estabelecem uma nova ordem, assumem o poder e governam. Creio que no futuro teremos experiências de uma nova ordem a partir de dinâmicas sociais em rede.

Vivemos uma transição da era industrial para a era das sociedades em redes. As velhas formas e as novas conviverão, mas são distintas formas de organizações. Aliadas? Antagônicas? Complementares?

O certo é que existe, neste momento, uma tendência e um potencial global democratizante, que questiona os limites da democracia representativa e que aponta para uma nova democracia participativa, tendo a internet como plataforma de mobilização e viabilização desta nova relação direta dos cidadãos com a democracia.

Acredito que a recente pesquisa, “o sonho brasileiro”, realizada entre jovens de 18 a 24 anos e que ouviu mais de três mil pessoas de 173 cidades do país, aponta dados extremamente positivos na perspectiva de transformação social.

Fontes:

[1]- Pesquisa “O sonho brasileiro”
Box1824 (agência especializada em mapear tendências de comportamento), e Instituto Datafolha.

Quase 90% dos jovens têm orgulho de ser brasileiros, revela pesquisa
Geração “sonhadora” quer “oportunidade para todos” e menos consumismo

By Marina Novaes, do R7
Jovens sonham e acreditam no Brasil
By Ricardo Kotscho, do R7

Pesquisa mostra que enquanto 59% dos jovens não têm preferência partidária, 71% consideram a internet uma ferramenta política
By Naira Alves IG

[2] – Eduardo Galeano no acampamento de Barcelona

[3]- Seattle: uma década de ativismo 2.0
By #comunidadedigital das turmas e ex-alunos de comunicação digital da ESPM-RJ Turma 7A – 2009.2

[4]-Da #democraciarealya à #WorldRevolution

 

Artigo publicado em: http://softwarelivre.org/branco/blog/partidos-juventude-e-os-movimentos-sociais-da-internet

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