Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Artigos’ Category

Por Eduardo Valdoski

No dia 6 de julho, teve o início oficial da campanha eleitoral. Milhares de pessoas acompanharam Dilma nas ruas de Porto Alegre, depois na capital paulista e em cidades do interior de São Paulo.

Hoje, dia 13, uma onda vermelha toma conta das ruas de centenas de cidades do Brasil. É a onda da esperança de que tudo que foi realizado pelo governo Lula, será ampliado. Que a Revolução Democrática que vivemos, pode ser aprofundada. Que os direitos conquistados, podem ser multiplicados. Que o Brasil seguirá mudando.

Pelo que lembro, desde 2002, quando demos início a esta construção, com a eleição de Lula, não sinto tanta energia na militância do PT. Tanta vontade de ir pras ruas, mostrar nosso orgulho de botar a estrela no peito.

Para nós da Juventude do PT e dos partidos de esquerda que apóiam Dilma, esta campanha será uma grande oportunidade de mobilizar e inserir na vida política do país milhares de jovens, que percebem hoje, que suas vidas foram alteradas positivamente.

Para isso, temos um grande trabalho pela frente. Temos de ter capacidade de organizar os milhares de jovens estudantes das universidades federais, que tiveram a possibilidade de estudar, pois o número de matrículas foi dobrado. Os bolsistas do Prouni, que podem realizar o sonho de ter um diploma universitário. Os jovens das periferias, que hoje tem apoio para produzir arte e cultura com os milhares de Pontos de Cultura espalhados pelo Brasil.

Nossa aposta são nos Comitês de Juventude pró-Dilma. Em cada universidade, escola ou bairro que haja militância da JPT e dos demais partidos de esquerda, queremos ver um grupo de apoio à Dilma, e aos nossos candidatos, organizado.

Os Comitês de Juventude são quem no dia-a-dia irão organizar as atividades de campanha, mas principalmente, eles serão instrumentos de aproximação de novos jovens ao nosso projeto. E com nossa vitória, núcleos de sustentação do nosso governo.

A nossa campanha é militante. É aquela que ganha o voto, mas que também conquista para o nosso projeto transformador. É aquela campanha que está nas ruas, no corpo a corpo, e que também amplia seu eco pelas redes virtuais. É a que não se furta ao debate com cada eleitor, cada cidadão.

Toda nossa força reside na energia da nossa militância, do povo que vê que o Brasil está mudando para melhor e vem a se somar na luta de construir cotidianamente o nosso projeto.

A nossa onda é vermelha! Com a estrela no peito, vamos organizar comitês em todo o país e realizar atividades em cada escola, bairro e praça, para o Brasil seguir mudando!

Eduardo Valdoski é membro da executiva nacional da Juventude do PT

Anúncios

Read Full Post »

Surto cívico

Muito bom este texto do Ruy Castro na Folha de S. Paulo, sobre a Copa do Mundo. Compartilho com ele da mesma opinião, a Seleção Brasileira que tem a sua disposição boa parte dos melhores jogadores do mundo não tem o direito de ser uma equipe que se resuma a simplesmente ganhar, tem de jogar bonito.

Não sei se é verdade, mas na bela época de Telê no São Paulo, diziam, que ele dizia, que queria ver o time jogando bem ganhando ou perdendo. O fato é que normalmente o time que joga bem, quase sempre ganha.

Surto cívico

RIO DE JANEIRO – Tenho sido questionado com frequência sobre se a seleção brasileira vai fazer bonito ou dar vexame na Copa do Mundo. A resposta é não sei e, francamente, não estou com os fígados em sobressalto, à espera.
Tenho uma relação meio espírito de porco com a seleção. Só torço por ela se jogar bem e bonito, ganhe ou não. Ganhar não é tão importante. Domingos da Guia, Leônidas da Silva e Zizinho nunca foram campeões do mundo; Dunga, Gilberto Silva e Kleberson são. Viu como não é importante?
Sou da teoria de que, podendo convocar os jogadores que quiser, mesmo que joguem em Júpiter, o treinador do Brasil está obrigado a armar o melhor time. Donde não abro mão de vê-lo jogar com categoria, dar espetáculo e lutar. Isso significa que a última vez em que me empolguei com a seleção foi na Copa de 1982 -o time de Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Leandro. As Copas de 1994 e 2002, vencidas pelo Brasil, não me inspiraram admiração ou prazer.
É diferente de quando se trata do nosso time de coração. Este entra em campo com os jogadores de que dispõe e que, às vezes, estão longe de ser os melhores. Azeite. É ele que nos redime. Por isso, tem de vencer sempre, mesmo jogando mal, chutando de canela, e nem que seja com um gol de mão e em “offside”, aos 47 do 2º tempo.
A Copa do Mundo é aquele período de quatro em quatro anos em que pessoas que passaram os quatro anos anteriores alheias a futebol são acometidas de um incontrolável surto cívico, cobrem-se de verde e amarelo e torcem pelo Brasil como se soubessem quem é a bola. Mas, desta vez, está difícil até para elas. Exceto por Kaká e, talvez, Robinho e Julio César, não creio que saibam sequer identificar os outros jogadores -todos monotonamente parecidos, de cabeça raspada, brinquinho na orelha e falando “toicida” em vez de “torcida”.

Read Full Post »

No artigo abaixo discutimos os elementos centrais de um programa de governo de juventude de Dilma Roussef, que tem sido objeto de discussão num grupo de trabalho composto pela JPT e as demais juventudes partidárias aliadas. Os elementos aqui levantados também tem como objetivo contribuir na construção dos programas dos candidatos petistas e/ou aliados nos estados, que estão realizando seus encontros da JPT.

Por Carla Bezerra e Eduardo Valdoski

O ano de 2010 será pautado pela polarização entre dois projetos para o Brasil. Estará em jogo o avanço do projeto democrático e popular, representado pela companheira Dilma. Por outro lado, está presente a ameaça de retrocesso ao projeto neoliberal, com suas privatizações e criminalizações dos movimentos sociais, representado pela candidatura do PSDB/DEM.

A Juventude do PT, compreendendo a dimensão das tarefas deste ano e o seu impacto para o futuro do Brasil e de sua juventude, abriu o ano com um intenso processo de mobilização e debate. O Encontro Nacional da JPT, realizado em janeiro aprovou uma resolução com as diretrizes de juventude que apresentaremos para compor o programa de governo da companheira Dilma (disponível em: http://jpt.org.br/publicacoes/upload/resolucao-enjpt-2010.pdf).

Juventude e sua dimensão estratégica

A resolução tem como eixo condutor a definição da dimensão estratégica da juventude para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Ela se dá a partir da compreensão de que a juventude é o segmento etário que sofre mais intensamente as contradições do capitalismo. São aqueles que ocupam os trabalhos mais precários, instáveis, inseguros e com menores salários, concentram índices de desemprego e informalidade acima da média da população economicamente ativa. Ainda, são aqueles mais expostos à violência urbana e a mortes violentas.

O perfil da juventude brasileira é o de uma juventude trabalhadora e predominantemente pobre. De acordo com dados IBGE/PNAD 2006, mais de 90% dos jovens brasileiros vivem em famílias com renda de até 2 salários mínimos per capita. Ainda conforme esse dados, 66% da população entre 14 e 29 anos trabalha ou procura trabalho, parte desses tendo que conciliá-lo com os estudos.

A temática de juventude ganha ainda mais destaque ao se verificar que atualmente a juventude encontra-se no seu pico populacional constituindo cerca de um quarto da população brasileira. Trata-se do maior número de jovens da história do país e que representará durante um longo período um contingente expressivo da população.

Não é possível, portanto, pensar o desenvolvimento econômico e inclusão social do país sem considerar a juventude. Está colocado para o próximo governo o desafio de avançar rumo a outro modelo de desenvolvimento, capaz de estabelecer novas relações sociais no Brasil, com a superação de desigualdades sociais e econômicas combinadas ao fortalecimento da democracia de da participação popular.

Diretrizes para a ação

Se temos uma juventude sobretudo trabalhadora, parte expressiva dos dilemas e demandas dos jovens estão justamente na conciliação do tempo entre trabalho e estudo. Portanto, é uma premissa básica para o nosso projeto o de articular políticas públicas que garantam ao jovem mecanismos de poder se poder se dedicar aos estudos, sem que a sua condição social seja um impeditivo, de modo que sua inserção produtiva se dê posteriormente e em melhores condições. Essa agenda deve estar articulada com a noção de direito ao tempo livre, ao maior acesso à cultura, a espaços de participação e socialização, fundamentais para um período de definição de identidade e formação.

Na área da educação, temos que hoje o principal gargalo é constituído pelo Ensino Médio, nível no qual há uma brusca redução de matrículas comparado ao ensino fundamental e uma alta taxa de evasão escolar. Isso se deve não apenas ao fato de que muitos jovens deixam de estudar para trabalhar, mas também em função do descolamento da realidade da escola em relação à vida e aos anseios dos jovens.

É preciso repensar a própria função do Ensino Médio, combinando-se a isso políticas de correção da defasagem idade/série, e a integração dos programas sociais ao cotidiano escolar. Políticas de cultura, de integração e mobilidade, de esporte e lazer, dentre outras, devem estar articuladas com a realidade e cotidiano do processo de aprendizagem e construção da cidadania.

No âmbito do trabalho, é preciso fortalecer a agenda de promoção do trabalho decente, combatendo mecanismos de precarização e flexibilização das relações de trabalho, aos quais os jovens estão mais expostos. É preciso pensar uma política de assistência estudantil para a educação básica, que garanta ao jovem condições de evitar a entrada precoce e precária no mundo do trabalho.

São esses elementos que devem orientar nossa ação política e construção da campanha no próximo período. A aprovação da resolução foi apenas o início de um processo mais amplo de debates, para garantir o enraizamento e aprofundamento de propostas a partir das diretrizes do programa de governo.

Os desdobramentos se dão agora nos Estados, onde deve ser debatido também a dimensão e programas locais, articulados a nossa intervenção nacional. Para além disso, os encontros estaduais devem também ter a capacidade de incidir sobre a campanha geral, garantindo o espaço para a intervenção da juventude no programa e na mobilização da campanha. Devemos buscar ao máximo mostrar a nossa cara, pensando comitês de juventude e atividades capazes de pautar nossas bandeiras, de modo dar protagonismo aos nossos militantes e conquistar corações e mentes de milhares de jovens para o nosso projeto de mudanças do Brasil.

Carla Bezerra e Eduardo Valdoski são membros da Direção Nacional da JPT

Read Full Post »

Em artigo os companheiros da executiva da UNE, Tiago Ventura (Vice Presidente) e Joanna Paroli (Diretora de Universidades Pagas) discutem as tarefas do Movimento Estudantil e mais particularmente da sua principal entidade, a UNE, na conjuntura deste ano. O texto expressa a opinião do campo Kizomba na entidade.

Nele, eles apontam que o centro de atuação da entidade deve ser a disputa de projetos e que no caso da UNE ele deve se dar através do Projeto Brasil, que é conjunto de reivindicações dos estudantes brasileiros aos candidatos a Presidência da República.

Apontam que o Projeto Brasil deva ter três eixos principais, o primeiro o projeto de desenvolvimento, o segundo a educação pública no país e o terceiro é a necessidade de haver um recorte de juventude nas propostas da entidade, trazendo para o ME a discussão sobre as políticas públicas de juventude.

O artigo pode ser acessado no blog do Tiago Ventura, clique aqui para ler.

Read Full Post »

Artigo expõe com pesquisas e dados as formas pelas quais o racismo ainda está presente em nossa sociedade e como a defesa das cotas é fundamental para a superação do atual status quo.

 

Por Renata Winning

Há mais de 120 anos da abolição da escravidão, o IBGE ainda divulga pesquisas que mostram a condição de desigualdade da população negra em relação à branca. O índice de analfabetismo é maior na parcela da população afrodescendente enquanto a renda e o tempo de estudo são menores. Mais do que atribuir às desigualdades explicações históricas e econômicas, é preciso pensar que o preconceito, produto dessas contingências, tem utilizado como disfarce capas e máscaras cada vez mais sofisticadas para sustentar uma sociedade desigual.

A pesquisa de Venturi e Paulino (1995) percorreu todo o território brasileiro e constatou que 89% dos brasileiros reconhecem a existência de preconceito racial, porém apenas 10% assumem ser preconceituosos. O resultado remete a célebre indagação do movimento negro “Onde você esconde o seu racismo?”.

São muitas e bastante elaboradas as formas de encobrir os discursos e práticas de discriminação. A condenação moral e judicial por práticas racistas tem aumentado a pressão pelo politicamente correto, o que faz com que o racismo seja expresso de modo mais disfarçado. Atribuir o preconceito ao outro (povo brasileiro) e negá-lo individualmente é, portanto, uma das novas formas de expressão do racismo. Outra maneira de expressar “cordialmente” o preconceito, segundo Todorov (1999), se dá pela negação ou desvalorização da identidade do outro e pela supervalorização da própria identidade. Nesse último caso, não há necessidade de atribuir traços negativos à população afrodescendente, basta supervalorizar a cultura branca. Já Sears e Kinder (1971), apontam para as formas de racismo simbólico, isto é, são defendidos valores igualitários, mas não políticas baseadas nesses valores. O programa de cotas raciais no Brasil ilustra bem esse exemplo.

Argumentos que desafiam  jovens afrodescendentes a ter a mesma pontuação que os brancos no vestibular e colocam em xeque a capacidade intelectual de quem passa no exame pelo sistema de cotas, são exemplos dessas novas formas de preconceito mascarado.  Ignoram as Estatísticas que mostram que entre o branco e o negro de escola pública existem diferenças cruciais que dificultam a permanência na escola ou a continuidade dos estudos, daquele cuja família provavelmente tem o salário e o tempo de estudos menor do que a família do branco.  Ignoram no passado não tão distante, a violência a que foi submetida o povo negro, que perdeu seu nome, sua família, sua língua, seus costumes, sua liberdade. Ignoram a violência física, sexual e psicológica a que muitos não resistiram. Por fim, ignoram que essa exploração foi feita pelos seus antepassados brancos.  Negar as especificidades da população negra em relação à branca é, portanto, ignorar as desigualdades raciais e ignorar que há um passado a ser reparado.

Como dito anteriormente, uma das formas de esconder o racismo é negar que há diferenças entre negros e brancos, pois ao mesmo tempo em que o branco é isentado de culpa pela desigualdade racial, evita-se a explicitação do preconceito. Não falar sobre o tema, portanto, é uma maneira de encarar o problema da ascensão econômica e social da população afrodescendente como se fosse uma questão de (in)competência individual. Nesse sentido, a política de cotas além de ser um programa bem sucedido de inclusão social, tem o papel fundamental de promover o debate sobre a questão racial e abrir espaço tanto para o combate do mito da democracia racial quanto para desvelar as novas formas de discriminação.

Entretanto, se engana quem pensa que somente a ascensão econômica e social põe fim à discriminação racial. O estudo documental de Santos (2005) aponta para a vinculação feita entre África e inferno, trevas e cor preta, Satanás e o negro. Enquanto a cor branca sempre esteve associada à pureza, razão e civilidade; a cor preta tem o sentido oposto. O preconceito, portanto, também está associado à cor da pele já que a cor preta, por si só, é estigmatizada.

O que acontece então com negros bem sucedidos?Sofrem menos discriminação? Basta lembrar os casos de jogadores de futebol chamados de “macaco” em campo para saber que não. O que pode atenuar a manifestação do racismo em relação a negros que ocupam posições de destaque é a quase invisível, mas muito difundida, ideologia do branqueamento. Adorno (1996) analisou os boletins de crimes violentos e verificou que conforme o réu era inocentado, sua cor  mudava nas descrições (podia começar negro e tornar-se moreno claro ou branco). Em outras palavras, por não corresponderem ao estereótipo racista de pobre, bandido e mau caráter, negros que tem sucesso profissional/social são embranquecidos.

Contudo, há uma luz no fim do túnel. Além da eficácia de políticas públicas que visam não apenas reparar, mas também escancarar o racismo escondido; pesquisas mostram que um dos principais mecanismos de defesa contra as marcas de discriminação que a população negra carrega em sua história, é trabalhar as especificidades do povo negro – justamente  do que o mito da democracia racial tenta encobrir.

O estudo comparativo de Júnior e Vasconcelos (2005) com crianças sergipanas residentes na periferia e no quilombo,apontou para o fato de que apesar da ideologia do branqueamento operar em ambas as residências, no quilombo as crianças tinham menos atitudes de esquiva em relação à autoimagem do que as crianças da periferia, já que eram estimuladas a explorar aspectos positivos da cultura e origem do povo negro. Outras pesquisas como a de Seaton, Yip e Sellers (2009) concluem o mesmo: a identidade racial bem trabalhada fortalece a autoestima.

Diante de tantas formas camufladas de discriminação, é imprescindível colocar o preconceito no divã. Ele não é do outro, é nosso. Está enraizado em brancos e negros. Finalizo não com teorias sobre a reprodução da hegemonia branca pela escola e mídia alicerçadas aos interesses da classe dominante. Talvez  a transcrição de um trecho de uma entrevista com uma das crianças negras residente da periferia de Sergipe seja mais convincente em mostrar que devemos nos responsabilizar, inclusive, por esse preconceito introjetado, essa autoestima abalada.

Entrevistador: Como você se vê: negro, índia, branca ou outra coisa?

Criança: Morena

Entrevistador: Você gosta de ser assim?

Criança: Gosto.

Se pudesse mudar você mudaria?

Mudaria. [Demorou um pouco e fechou os olhos]

Eu seria branca, tio. [Por quê?] Porque é mais bonito.

 

Renata Winning é estudante de psicologia da PUC/SP e pesquisadora do tema

Read Full Post »

Com a força da juventude

Reproduzo abaixo artigo meu e de Severine Macedo publicado no jornal MOVIMENTOS do Diretório Nacional do PT, distribuído aos presentes no IV Congresso do partido.

O jornal tem artigos das diversas secretarias do PT que tem relação com os movimentos sociais e sua confecção foi coordenada pela Secretaria Sindical Nacional. A proposta é que ele seja publicado regularmente. Assim que o PDF desta primeira edição estiver disponível eu divulgo aqui para vocês.

Severine Macedo e Eduardo Valdoski

A ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata petista à Presidência da República, companheira Dilma Rousseff, pode sentir de perto, no ato de encerramento do Encontro Nacional da Juventude do PT (ENJPT), a força e a energia militante que os jovens petistas irão empregar em 2010 para que o projeto de mudanças do governo Lula tenha prosseguimento e seja aprofundado.

Realizado entre os dias 05 e 07 de fevereiro, em Brasília, no Minas Tênis Clube, que já havia sido palco de nosso I Congresso em 2008, o ENJPT foi marcado por um grande clima de unidade política e forte politização. Mesmo com a dificuldade de realizar um processo de mobilização entre as festas de fim de ano e o carnaval, a militância da JPT realizou 26 etapas estaduais, elegendo mais de 400 delegados e reunindo na base cerca de quatro mil filiados jovens.

Já na abertura, com a presença dos ministros Alexandre Padilha, Guilherme Cassel e Nilcéia Freire, do presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra e de representações da UNE, CUT e CONTAG, ficou claro qual será o tom da campanha em 2010. “O partido que conseguiu eleger o presidente Lula, vai eleger a primeira presidenta da República do Brasil. Isso ficará muito mais fácil com o engajamento da Juventude do PT. Vamos ao trabalho e à vitória”, afirmou Dutra durante sua saudação.

O principal objetivo do ENJPT foi dar o pontapé inicial na mobilização dos jovens petistas para as eleições 2010. A avaliação coletiva da Direção Nacional da JPT é de que as eleições presidenciais deste ano serão marcadas por uma forte polarização entre os projetos petista e tucano, e que portanto, é fundamental que tenhamos um programa de governo para a juventude que nos arme e que nossas energias militantes estejam voltadas para esta disputa.

PROGRAMA PARA JUVENTUDE

No decorrer do Encontro, as mesas de conjuntura, de balanço das ações do governo federal e de diretrizes do programa de governo, que contaram com a presença do presidente do IPEA, Márcio Pochmann, do secretário de Juventude da Presidência, Beto Cury, da secretária de Juventude da CUT, Rosana Sousa, da professora, Elisa Guaraná e de dirigentes da JPT, agregadas às contribuições dos militantes nos grupos de discussão e às teses apresentadas, permitiram que o texto final fosse uma síntese do que deve ser dialogado com os partidos aliados e com a sociedade brasileira.

Os temas do trabalho, da educação e do desenvolvimento nacional são os fios condutores das diretrizes aprovadas. Para os jovens petistas, apesar dos enormes avanços conquistados nos dois mandatos do presidente Lula, como a duplicação das vagas nas universidades federais, o Prouni, a construção de 214 escolas técnicas ou o conjunto de políticas sociais que impactam positivamente a juventude brasileira, como o Bolsa Família, está nítido que é preciso avançar mais.

Por entendermos a juventude como um segmento estratégico para o projeto de desenvolvimento do país e “para que um próximo mandato do campo democrático e popular seja superior, devemos lutar pela ampliação da escala de atendimento das políticas públicas específicas para a juventude, sua integração com medidas estruturantes, políticas universais e a institucionalização de novos direitos desta geração”. O que desejamos é “que o Estado garanta à juventude trabalhadora as mesmas condições e oportunidades que os jovens mais abastados tem para viver suas juventudes”, conforme aponta o texto aprovado.

ESTRATÉGIA, TÁTICA E TAREFAS DA JUVENTUDE

Durante a campanha, queremos deixar evidenciado que nossas diferenças com a direita demo-tucana vai muito além das ações realizadas por Lula ou FHC. Nossas diferenças estão lastreadas numa visão de mundo diferente, muitas vezes opostas. Nosso desafio, é “ao mesmo tempo em que disputamos o voto, disputar também valores e concepções de mundo e organizar milhões para a luta”. Nossa “campanha política se faz no corpo a corpo, na voz e no suor”.

Os dias 13 de julho, 13 de agosto e 13 de setembro serão os dias da Juventude na campanha Dilma Presidente, iremos ocupar as ruas, avenidas e praças dando visibilidade às nossas propostas e programa. A criatividade, a cultura e uma linguagem mais próxima à realidade da juventude brasileira devem ser armas para nossas atividades.

Para estes desafios, devemos seguir passo a passo. A realização dos Encontros Estaduais da JPT para dar o retorno à nossa militância nos estados, construir programas de governo estaduais e plataformas para as candidaturas petistas ao legislativo são fundamentais nesta caminhada. Os encontros, plenárias ou reuniões municipais que irão constituir os Comitês de Juventude serão o que dará lastro a nossa disputa. Estas atividades devem ser preparadas desde já.

No ano em que o PT completa seus 30 anos devemos mostrar que ele é mais do jovem do que antes!

Severine Macedo é Secretária Nacional da JPT
Eduardo Valdoski é Coordenador Nacional de Comunicação da JPT

Read Full Post »

Eduardo Valdoski

Começa nesta quinta-feira, 18 de fevereiro, o IV Congresso do Partido dos Trabalhadores. Convocado para discutir centralmente as diretrizes do Programa de Governo, a tática eleitoral e para oficializar a pré-candidatura petista à Presidência da República em 2010.

Neste congresso, haverá alguns símbolos importantes, o principal e maior deles, será a definição de Dilma Rousseff como nossa candidata, pela primeira vez na história do PT ou das últimas eleições presidenciais, não será Lula o nosso candidato.

Outro símbolo importante será uma maior presença de jovens nas delegações. Se por um lado foi baixa ou quase inexistente a participação da juventude nas chapas que concorreram ao Diretório Nacional no último PED, por outro, é inegável que nas instâncias municipais e estaduais tem início um processo de renovação dos quadros partidários.

No entanto, maior presença de jovens na delegação do congresso e nas instâncias não significa automaticamente a entrada do debate sobre o papel da juventude no partido e no país. Inclusive porque um dos mecanismos da opressão geracional se dá justamente a partir da reprodução da opressão pelos próprios jovens, ao ter de negar sua condição juvenil assim que conquista e ascende nos espaços de poder.

Nesta perspectiva, um dos grandes desafios que os jovens petistas terão neste congresso é fazer com que a sua presença física se converta em força política que convença o conjunto do partido de que o nosso projeto de desenvolvimento para país, ou incluí com centralidade os jovens, ou será incompleto.

Elementos para esta disputa estão disponíveis hoje como nunca estiveram antes. Temos um conjunto significativo de dirigentes do partido e do governo preocupados e comprometidos com este debate, existem pesquisas e estudos demonstrando o peso social, econômico e político que a juventude tem na sociedade brasileira.

No entanto, nossa principal ferramenta, tem sido a capacidade demonstrada pelos jovens petistas de produzir e formular políticas. Exemplo disso, é o texto aprovado pelo Encontro Nacional da Juventude do PT, realizado entre os dias 05 e 07 de fevereiro, e que figura entre as propostas de resoluções para o IV Congresso (veja aqui).

A educação, o trabalho e o desenvolvimento nacional são os eixos que estruturam a proposta da JPT. Para nós, se as conquistas obtidas nos dois mandatos do presidente Lula são imensas, dado o tamanho do déficit de políticas sociais no país, é necessário irmos além no governo Dilma.

A juventude brasileira é um dos seguimentos mais interessados num conjunto de reformas estruturantes, como as reformas política, da educação, urbana, agrária, tributária, dos meios de comunicação entre outras. São as mudanças que fazemos agora que permitirão mais e melhores condições para esta e para as próximas gerações.

O que defendemos é que os jovens pobres e das periferias tenham as mesmas condições e oportunidades de desfrutar sua juventude e suas potencialidades, que hoje, só os filhos dos ricos tem. Portanto, o que necessitamos é de mais presença e ações do Estado.

Nesse sentido, o terceiro mandato do PT deve aprofundar a implementação de políticas de juventude, com o necessário fortalecimento da Secretaria e do Conselho Nacional de Juventude, combinadas com reformas estruturais, para que se possa atenuar a ausência de políticas de juventude ao longo da história do país, situação agravada com o avanço neoliberal da década de 90.

É preciso combinar o desenvolvimento de políticas públicas emancipadoras com a participação de jovens na construção de ações que resolvam problemas estruturais, como o analfabetismo, o trabalho infanto-juvenil, entre outros temas, que possibilitem o surgimento de uma nova geração política, envolvida com os grandes temas nacionais.

Com essa perspectiva, que o texto da JPT não defende ações pontuais ou compartimentadas, para nós, as políticas voltadas aos jovens devem estar inseridas e integradas num conjunto de ações estruturantes e universais. É desta forma, no nosso entender, que passamos a olhar a juventude brasileira como ator estratégico do desenvolvimento nacional.

E é assim, na relação dialética entre discutir o geral e o específico, que queremos que o IV Congresso do PT afirme que agora é a vez da juventude.

 

Eduardo Valdoski é membro da Executiva Nacional da Juventude do PT

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »