Sobre a possibilidade de reintegração de Delúbio Soares ao PT

No primeiro semestre de 2009, Delúbio Soares, expulso pelo Diretório Nacional do PT, pelos erros cometidos na condução da secretaria de finanças do partido, solicitou em carta ao então presidente Ricardo Berzoini, que fosse apreciada sua refiliação.

O pedido de Delúbio foi acompanhado de movimentos a favor e contra que envolveu dirigentes, lideranças e filiados ao partido.

O primeiro sustentava principalmente que a pena de expulsão teria sido muito “pesada” e que passados quatro anos o ex-tesoureiro já havia pago a sua pena, alguns mais fervorosos  na defesa (mas menos numerosos), diziam que não houvera erro algum e que tudo na verdade não havia passado de uma conspiração da oposição e da imprensa golpista.

Na defesa contrária a refiliação, podemos dizer que haviam dois argumentos principais, um que considerava inoportuno o pedido, uma vez que o partido passava por processo de eleições internas e que se preparava para disputa de 2010. E um segundo, mais consistente, que argumentava a não ocorrência de fatos novos que sustentassem o pedido.

Por fim, Delúbio foi aconselhado a retirar o pedido, o que acabou fazendo.

Agora, mais uma vez o tema volta a pauta. O atual secretário de comunicação do partido, André Vargas, tem sido enfático na defesa de Delúbio e chegou a declarar que “nenhum de nós tem condição moral ou política de dizer que ele não pode militar no PT”; provavelmente usando como padrão de comparação suas práticas, já que como se viu no segundo turno das eleições, o secretário é militante de posições contrárias às resoluções e história partidárias.

A discussão sobre a volta ou não de Delúbio Soares aos quadros do PT deve esquentar nos próximos dias, já que o Diretório Nacional se reúne no próximo 10 de fevereiro e um novo movimento de apoio deve surgir.

Eu, como já expressei na primeira ocasião e agora mais recentemente via twitter, sou contra a refiliação do ex-tesoureiro. Para mim, os erros cometidos por Delúbio e outros dirigentes e que nos levaram a maior crise da história do PT, são gravíssimos e como diz o presidente Lula, fez com que a oposição, se aproveitando de nossa fragilidade, cogitasse “uma tentativa de golpe contra o governo”.

Não existe nenhum fato novo que justifique a volta de Delúbio. Passados quase seis anos, diferente de outros dirigentes envolvidos, não houve qualquer auto-crítica quanto aos ocorridos. Além disso, devemos aproveitar este momento no qual a oposição no Congresso Nacional está desarticulada e sem linha de atuação, para produzir uma ofensiva na disputa política no país. Portanto, trazer para nós uma pauta negativa como esta, é mais do que inoportuno, é um erro político.

Publico abaixo artigo do ex-secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, publicado na época do primeiro pedido de refiliação de Delúbio que segue atualíssimo e que sintetiza o porque o PT não deve rever sua posição.

 

Um pedido ao Delúbio

 

Delúbio Soares de Castro foi expulso do Partido dos Trabalhadores, em 2005. A expulsão foi aprovada por maioria de votos no Diretório Nacional.

 

Em 18 de março de 2009, Delúbio Soares dirigiu uma carta ao presidente Ricardo Berzoini, solicitando sua “reintegração” ao Partido. A mesma carta foi enviada a todos os membros do Diretório Nacional do PT, com ampla repercussão na imprensa.

 

Delúbio Soares tem o direito de pedir reintegração? Sim.

 

Delúbio Soares fez certo ao encaminhar este pedido diretamente ao presidente nacional do partido? Sim, pois dada a gravidade do caso, seria um erro tentar reintegração disfarçada, através de um diretório de base.
Delúbio Soares deve ser reintegrado ao PT? Não.

 

Votei pela expulsão de Delúbio Soares. Não acho que expulsões devam ser eternas. Mas tampouco acho que se aplique, no caso, a “progressão automática de pena”, como sugeriu uma dirigente do partido que apóia a reintegração.

 

Caberia a revisão de pena, através da reintegração, se Delúbio Soares reconhecesse os erros políticos e administrativos que cometeu.

 

Ele não reconheceu seus erros, na época. Cabe lembrar que, ao contrário de Sílvio Pereira, Delúbio Soares lutou contra sua expulsão, exatamente porque considerava que seus erros não eram de tal monta que fosse cabível sua expulsão.

 

Ele não reconheceu seus erros posteriormente. E não imagino que os reconheça agora, estando como está em meio a um processo judicial. Sem um reconhecimento dos erros, estaríamos reintegrando o mesmo Delúbio Soares que foi expulso em 2005. Na prática, anulando a pena aplicada.
Um agravante: sua carta, entregue a Berzoini, é de alguém que se julga vítima, não de alguém que se reconhece culpado. Ou seja: Delúbio leva em consideração apenas quem votou contra sua expulsão, desconsiderando os argumentos e os sentimentos dos demais. Não há nenhum fato ou argumento novo, portanto, que justifique mudar a posição da maioria do Diretório Nacional em 2005.

 

Sendo assim, da mesma maneira e pelos mesmos motivos que votei pela sua expulsão, votarei agora contra sua reintegração. Meu segundo motivo é político: o PT enfrentará em 2010 uma batalha fenomenal pela presidência da República. Venceremos se mantivermos foco na disputa política principal e se garantirmos a unidade partidária. Neste momento e nestas circunstâncias, introduzir o debate sobre a “reintegração” de Delúbio ao PT é fazer o jogo da oposição de direita (PSDB e DEM).
O simples fato de o tema ter sido introduzido no debate público e ocupar o tempo da direção nacional do Partido, com possíveis seqüelas no PED 2009, já é um contratempo para quem deseja manter o foco no principal objetivo do período: vencer em 2010. Ademais, todo mundo sabe que Delúbio Soares não quer voltar ao PT para ser um “militante de base”. Quer voltar para ser candidato às eleições de 2010. Infelizmente, não assume isto na carta que enviou ao presidente do partido.

 

Portanto, reintegrar Delúbio Soares será fornecer, agora e no próximo ano, farta matéria-prima para os ataques da direita, ajudando a reavivar os ataques lançados contra nós durante a crise de 2005.

 

Por fim: os militantes de um projeto pessoal só pensam em si mesmos. Mas os militantes de uma causa precisam pensar primeiro nela. As decisões que tomamos, no dia a dia de nossa atuação como dirigentes partidários, são produto de nosso livre arbítrio. Se, produto destas decisões, algum de nós é levado ao “degredo”, não se deve culpar o partido nem a causa por isto.

 

Assim, para ser conseqüente com o que fala em sua carta a Ricardo Berzoini, a respeito de seu compromisso com a “causa coletiva”, Delúbio Soares deveria retirar seu pedido de reintegração, evitando com isto um desgastante debate público com o qual só a direita tem a ganhar.

 

Valter Pomar é secretário de Relações Internacionais do PT

(publicado no Portal do PT em março de 2009)

 

Autor: Eduardo Valdoski

Sou Tricolor e Socialista. Para mim isso já é o suficiente. Mas quem sou e minha trajetória em poucas palavras é mais ou menos assim… Sou militante do Partido dos Trabalhadores e atuo na Juventude do PT. Atualmente sou membro da Direção Nacional da JPT, exercendo a função de Coordenador Nacional de Comunicação. Vivi a maior parte na minha vida na periferia da zona sul de São Paulo. Sou filho da professora Elza e do metalúgico Manoel. Estudei o ensino fundamental na Escola Municipal Miguel Vieira Ferreira, onde iniciei minha militância aos 14 anos no movimento secundarista. Fiz o ensino médio na Escola Estadual Brasílio Machado. Fui diretor da UBES entre 98 e 99. Participei da reconstrução da Secretaria Municipal da JPT de São Paulo em 97, fazendo parte de seu coletivo até 2005, sendo que em 2003 fui eleito Secretário Municipal. Entre 2005 e 2007 fui membro do Coletivo Estadual da JPT/SP. Neste período participei ativamente das campanhas de juventude da Marta Suplicy para a prefeitura (2000 e 2004) e de Aloizio Mercadante ao governo do estado (2006), além de momentos importantes da JPT, como a realização do I Festival de Cultura e Arte da JPT/SP. No início de 2007, assumi a secretária-adjunta nacional da Juventude do PT, onde tive a oportunidade de ser um dos idealizadores e organizadores do I Congresso da JPT, espaço de reformulação política-organizativa da Juvenude do PT. Nele fui candidato a secretário nacional.

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