Há pouco mais de um ano, fizemos na minha casa um encontro dos militantes do Coletivo Municipal da JPT de São Paulo. Participei deste espaço entre 1997 e 2005. Este período foi muito interessante, diversos jovens se aproximaram do PT e tínhamos naquele espaço uma atuação muito coletiva, democrática e, principalmente, militante.
Fizemos colagens contra a flexibilização dos direitos trabalhistas, festival contra a guerra no Iraque, debates sobre o Plano Colômbia, a reforma da previdência, as PPJs e muitas outras atividades. Foi um período muito intenso e que sempre bate um certo saudosismo.
Mas talvez, o principal símbolo daquele período, tenha sido a produção da Revista Rebele-se, feita por diversas mãos, desde a definição da pauta, produção dos textos, entrevistas, até a diagramação e venda mão-a-mão. Para o papel foram dois números. O terceiro foi produzido duas vezes, mas nunca chegou à gráfica. Para o encontro que falei no começo, eu, Ramon, Cesinha e Jaime demos um jeito nisso, e finalizamos a diagramação (que já estava quase completa) e imprimimos 100 exemplares.
Aqui está o PDF com a edição distribuída na festa, com capa, contra-capa, editorial e apresentação, feitas especialmente para aquela ocasião, os demais são da época (2003), como o do Ramon, sobre os motéis públicos para juventude, que reproduzo abaixo.
Este texto em especial, mais do que polêmica, gerou muitas risadas, pela suposta falta de seriedade. Algo que, para nós, foi superado numa conversa com Helena Abramo, que recordou que tal proposta não era tão nova assim. Não me recordo hoje, o que precisamente Helena havia dito, mas prometo, assim que encontrá-la recuperar isso e publicar um apêndice a este post.
Motel público para juventude! e Chega de pia de banheiro!
Por Ramon Szermeta
Você que é leitor(a) dessa revista, com certeza não deve se achar conservador(a). Você provavelmente se considera de esquerda, votou no Lula nas últimas eleições, deve ser jovem, talvez se considere socialista, em alguns casos até libertário(a), etc, etc… Então pense na seguinte situação: seu pai se separa da sua mãe e lhe dá a notícia que, depois de
muitos anos casado, descobriu que é gay e agora vai viver com outro homem debaixo do mesmo teto, pois é assim que ele é feliz. Você com certeza vai achar normal. Contará para todos seu amigos e tratará o novo amor do seu “velho” normalmente. Não é caro leitor? Você que acha que toda forma de amor vale a pena, que é contra o preconceito e a discriminação vai encarar o fato na boa, não é? Que bom! Pois o exercício acima foi para tocarmos em um assunto pouco habitual, não só nas discussões que nós, da Juventude do PT, fazemos, como num tema que a sociedade pouco explora, ao menos de forma séria, que é a sexualidade da juventude. Nos despirmos de preconceitos e estigmas é o primeiro passo para começarmos a fazer um bom debate.
Não precisamos nos rechear de dados aqui para saber que o jovem inicia sua vida sexual cada vez mais cedo, que o índice de jovens contaminados pelo HIV no mundo é assustador e o drama da gravidez precoce indesejada é uma realidade constante. Antes
de propormos a famosa solução da abstinência sexual, o que tem se mostrado falho, devemos reconhecer o jovem como um sujeito de suas ações, capaz de tomar decisões e encarar suas escolhas. A sociedade deve estar preparada e aceitar o fato dos jovens iniciarem sua vida sexual mais cedo do que deseja sua família, sua escola ou o Estado. Ou seja, deve dar condições para tomar sua decisão de forma consciente.
Antes que se fale da banalização do sexo nos meios de comunicação, (o que não está banalizado?), da pornografia da novela das oito ou do apelo sexual de boa parte das propagandas, devemos ter clareza que ainda não há uma política séria de educação sexual nas escolas. Por incrível que pareça, muitos jovens não tem informações básicas sobre os métodos preventivos e a maioria pouco conhece seu corpo (principalmente as mulheres). A omissão e ineficácia do Estado nessa questão ainda são espantosas e por isso devemos intensificar debates sobre esse tema nos espaços mais variados, propondo e cobrando dos governos ações nesse campo.
Devemos considerar a educação sexual como um elemento de formação do cidadão. Afinal, sua vida sexual mexe com seu lado psicológico, emocional e com sua auto-estima. A preocupação com os jovens que ainda estão iniciando várias experiências na vida deve ser redobrada e devemos formular propostas para o poder público que contribuam para que o jovem tenha uma vida sexual saudável. O que com certeza implica em uma política que envolva áreas da saúde, educação, comunicação e principalmente envolva o jovem na construção dessa política.
OK, talvez você concorde com quase tudo. Mas já parou para pensar em que condições a maioria dos jovens fazem sexo hoje? Talvez escondido em casa enquanto os pais trabalham? E os que têm pais desempregados? No banheiro de uma festa? Atrás do muro da escola? Terrenos baldios, construções abandonadas? Será que essas situações são as mais adequadas para pura e simplesmente desfrutar dos prazeres que se pretende? E para, por exemplo, usar camisinha? Ou então imaginem uma abordagem da nossa tão refinada polícia flagrando dois jovens nessa situação? Pois, por mais que não pareça essa é uma aflição que atinge muito jovens e por ser considerada um problema individual não existem propostas que enfrentem esse problema.
Talvez porque quem mais sinta isso na pele são jovens das camadas mais pobres da população. Sem falar, obviamente, no conservadorismo, na hipocrisia ou no falso moralismo que ainda predominam na nossa sociedade.
Dada essa situação, acredito que devemos começar seriamente a desenvolver uma idéia que pintou em alguns debates, que diz respeito à construção de “Motéis públicos para a Juventude”.
Claro que todo governo terá sempre outras prioridades, muitos não levarão a proposta a sério, a Liga das Senhoras Católicas vai dar chilique, e o seu pai (aquele que eu pedi pra você pensar no início) vai achar um absurdo. Mas cabe a nós, da Juventude do PT, buscar soluções para os mais variados anseios e aflições da juventude brasileira. Não devemos temer propostas polêmicas que busquem encarar o problema de frente. Está lançado o desafio e espero que o enfrentemos, com muito prazer!!!
Ramon Szermeta, Secretário Estadual de Juventude do PT/SP (2001-08)




Felizmente, tive a oportunidade de estar presente nesta reunião. Acho que é até válido registrar que o início formal da minha militância no PT de São Paulo se deu nesta mesma época, por volta de 2004, quando trabalhávamos pela reeleição da prefeita Marta. Bons tempos, boas cervejas, boas propostas… Excelente a iniciativa de democratizar esta edição da revista que acabou ficando restrita aos presentes na Polaca no ano passado.
Du,
Qui Le-gal, cara, se ter voltado no túneç do tempo. É sempre bom relembrar o que é bom, irreverente, vivo, diferente. Quando tudo estiver perdido, Rebele-se!!!!
Beiju
Cê
Se eu procurar nas minhas antiquarias, também devo ter a número 1. Valeu!
Atualíssima..rsrs…e faz todo o sentido.
Camarada Edu
Bons tempos aqueles,me recordo com muita alegria de nossa energia e sonhos que continuamos a semear e acalentar, vida longa a todos(as)que participaram daquele momento
Jaime Cabral
Por onde anda o camarada Jaime Cabral???
Ele segue militando no PT. você encontra ele no diretório nacional em SP na secretaria de formação política.
Nossa, lembro das primeiras vezes que o ramon falou essa proposta em plenária. Levou bronca ainda por tirar o foco da galera. Mas tai, ficam duvidas, questionamentos e até mesmo criticas só pensar nessa idéia. Mas porque não pensar e falar em sexo? Acho que se trata disso…
bj
Muito importante este debate, se for levado a sério, com certeza, muitos problemas da juventude podem ser resolvidos. Os dois citados no texto, por exemplo, a gravidez indesejada e as DST’s. Mas devido ao senso comum, a despolitização e ao conservadorismo, acho que é mais fácil descriminar o aborto do que admitir que nossas irmãs ou filhas(daqueles que têm) fazem sexo.
Parabéns à candidatura por propor a discussão desse tema tão importante da sexualidade.
Rebele-se!! 13913!!!